Resenha: Coldplay – Ghost Stories

Lançamento: 16/05/2014
Gênero: Rock Alternativo, Eletrônica
Gravadora: Parlophone
Produtores: Tim Bergling, Paul Epworth, Deniel Green, Jon Hopkins e Rik Simpson.

A aclamada e mundialmente conhecida banda Coldplay é formada por Chris Martin, Jonny Buckland, Guy Berryman e Will Champion. Em 2014, a banda lançou o seu sexto álbum de estúdio, intitulado “Ghost Stories”, como sucessor do “Mylo Xyloto” (2011). O álbum tem um total de nove faixas na versão padrão e estreou em primeiro lugar em inúmeros países. Na primeira semana vendeu mais de 589 mil cópias nos Estados Unidos e 168 mil no Reino Unido. Entre os produtores do “Ghost Stories” está Paul Epworth, responsável pelo sucesso “Rolling in the Deep” de Adele e Jon Hopkins, que já é um frequente colaborador da banda. Um trabalho conceitual, melancólico, que gira em torno de um tema central de abrir-se para o amor e aceitar que ele não dura para sempre. É o menor, mais discreto e menos ambicioso disco que o Coldplay já fez, com letras inspiradas pelo relacionamento conturbado do vocalista Chris Martin com a atriz Gwyneth Paltrow. É cheio de simples meditações sobre a dor e o desamparo, e uma mistura evocativa de versos mal-humoradas, arranjos esparsos e temas tocantes. Em vez de insinuar a sua separação e deixar os ouvintes criar teorias sobre o drama da vida real que inspirou o álbum, Chris Martin apresentou sua ferida aberta para o mundo ver, de uma forma particularmente incrível.

“Ghost Stories” é desprovido de grandes momentos, mas assim como há 14 anos quando a banda chegou com a música “Yellow”, Martin ainda entrega uma voz extravagante com o objetivo de surpreender em momentos íntimos. É totalmente refrescante ouvi-lo compartilhar seus sentimentos mais verdadeiros com o público. As letras transmitem uma verdade com um tom mais pessoal e obscuro, crivado por desgosto e auto-aceitação. “Ghost Stories” não é um trabalho feito para estádios, nem para experimentação, é apenas uma verdade nua e crua. Não é o disco mais forte da banda e, por mais que Chris Martin tenha enfatizado ser um material de aprendizado sobre os altos e baixos do amor é, inegavelmente, um material de ruptura feito para acalmar uma alma perturbada. O que realmente transpareceu foi que não há nada mais assustador para Martin do que ter um coração partido. O “Ghost Stories” é sombrio, mas, ao mesmo tempo, possui um ambiente angelical e caminha em direção à uma perspectiva de um coração revigorado. O disco detalha de forma comovente os sentimentos de Martin relacionados a um término de relacionamento que durou cerca de dez anos e gerou dois filhos. Chegou com status de registro mais íntimo da banda desde sua estreia em 2000, com o álbum “Parachutes”.

E, abrindo em grande estilo, temos “Always In My Head”, uma faixa trabalhada principalmente com sintetizadores e uma descomplicada guitarra ao fundo. Aqui, a voz de Chris Martin soa distante e com um tom melancólico ao lado de um belo coral. A envolvente “Magic”, lançada como primeiro single do álbum, possui um refrão sombrio e é o maior destaque do “Ghost Stories”. Musicalmente, é centrada por batidas abafadas, um simples baixo e uma calma guitarra. O impressionante alcance vocal de Chris Martin transmite bastante emoção, transformando-se em um modelo para o restante do álbum que ainda possui outros números emocionantes. A faixa “Ink” também é brilhante, pois sonda as perspectivas de um amor eterno em cima de um bom instrumental que vai desde a percussão, até o piano e o violão. Mantém a essência da banda, mas em alguns momentos lembra as músicas dos anos 80, especialmente o cantor inglês Peter Gabriel. “Diga que você me ama / Se não me ama, então minta / Minta para mim”, é assim que Chris Martin canta em “True Love”, o terceiro e último single do álbum. Com um ritmo pesado e letra sensível, essa é provavelmente a canção mais triste do álbum. A quinta faixa, “Midnight”, foi lançada como single promocional e acabou sendo a primeira canção liberada do álbum.

É uma faixa melancólica com vocais tão distorcidos que parecem até um verdadeiro fantasma, algo que lembra muito as músicas de Bon Iver. Eu considero o ponto fraco do álbum, porque é muito experimental, até demais para os padrões da banda. Em compensação, a faixa seguinte obteve um resultado maravilhoso, encantador e tornou-se em um dos trunfos do álbum. Essa faixa é “Another’s Arms”, canção que fornece uma letra preciosa e um belíssimo coral feminino intercalado com o vocal de Chris Martin. Ademais, ela contém melodias sinistras, piano, um baixo sombrio e batidas contagiantes. Em seguida, temos “Oceans”, uma das faixas mais longas do repertório. Um número sem pressa que lembra as canções do início da carreira da banda. Aqui, o vocal de Martin está mais cru e é centrado num arranjo acústico e uma constante batida eletrônica. “A Sky Full of Stars”, por sua vez, foi lançada como segundo single e fez o papel de hit do álbum. Foi co-produzida pelo DJ sueco Avicii, é moderadamente agradável e contém batidas EDM impulsionadas por um piano. Chris Martin soa desesperado quando exclama apaixonado: “Porque você é um céu / Você é um céu cheio de estrelas / Uma bela visão celestial”.

Encerrando a versão padrão do álbum temos “O”, a faixa com maior duração. Uma balada que consegue concluir de forma brilhante este projeto, através de um sutil e suave piano sutil. Chris Martin usa um bando de aves migratórias como metáfora para o seu desgosto: “Apenas uma revoada de pássaros / É assim que você pensa no amor”. “O” desaparece da mesma forma que abre, com um coro angelical, e resume muito bem a angústia de todo o álbum. Coldplay é com certeza uma das melhores bandas do cenário musical atual e já vendeu milhões de álbuns ao redor do mundo. Só por essas afirmações já vale a pena ouvir o novo material deles. O “Ghost Stories” trouxe muita tristeza, um verdadeiro confessionário, todo coeso e sedutor. Como já mencionado, para Chris Martin, não há nada mais assustador do que um coração partido, por isso ele despejou todos os seus sentimentos nas composições desse disco. “Ghost Stories” não foi feito para agitar multidões em estádios e não possui o mesmo apelo comercial de seus trabalhos anteriores. Em vez disso, é um material confessional, sincero e corajoso. Um conjunto polido com baladas afetuosamente emocionais, sintetizadores atmosféricos e floreios eletrônicos. Eu recomendo a todos ouvirem esse novo trabalho do Coldplay, porque dificilmente eles erram em algum material que lançam.

Favorite Tracks: “Always In My Head”, “Magic” e “Another’s Arms”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.