Resenha: Colbie Caillat – Gypsy Heart

Lançamento: 30/09/2014
Gênero: Pop, Folk
Gravadora: Republic Records
Produtores: Colbie Caillat, Babyface, Max Martin, Johan Carlsson, Ross Golan, David Hodges, Jason Reeves, Julian Bunetta, John Ryan e Jamie Scott.

Colbie Caillat encantou o mundo com os refrões macios de “Bubbly” em 2007, mas depois de quatro álbuns lançados, ela decidiu que era hora de uma mudança. “Gypsy Heart” é o seu quinto álbum de estúdio, lançado pela Republic Records em 30 de setembro de 2014. Boa parte dele foi produzido pelo americano Babyface, mas também conta com colaboradores passados de Colbie Caillat, como Jason Reeves, e novos produtores, como Max Martin. O primeiro single do álbum foi a canção “Try”, uma balada suave que chegou a atingir a #55 posição da Billboard Hot 100. Ao longo dos anos, Caillat aperfeiçoou um som pop-reggae que soa extremamente praiano. Aqui, ela manteve uma produção simples, com um foco pesado em instrumentos acústicos. Segundo a cantora, o “Gypsy Heart” foi inspirado em “Graceland” de Paul Simon e na canção “Cecilia” de Simon & Garfunkel.

Caillat escreveu em 2013 um total de 60 canções para o álbum, enquanto música “Hold On” foi lançada em novembro de 2013 com o objetivo de ser o primeiro single. No entanto, a mesma não conseguiu conectar-se com os fãs como se esperava e foi deixada de fora da versão padrão do “Gypsy Heart”. A gravadora de Colbie Caillat pediu que ela alterasse a sua direção musical, dizendo que precisaria ser mais parecida com outros artistas pop. Por conta disso, a cantora ficou bastante desapontada por não poder fazer o que gostaria com a sua própria música. Por este motivo, um EP com as cinco primeiras canções do álbum foi lançado no iTunes no mesmo dia que “Try”. Colbie Caillat declarou à Billboard que queria lançar algumas canções antes, porque achou que 12 faixas seriam muito para se ouvir de uma vez só, logo após uma mudança repentina em sua sonoridade.

De qualquer maneira, o seu som simplista continua presente no álbum, a começar por “Live It Up”, a faixa de abertura. Uma canção super catchy que, rapidamente, deixa o ouvinte bem animado, graças a linha de abertura: “Live it up, up, I / Live it up, up, I / Live it up, up, I”. Sua letra passa uma mensagem encorajadora para o público através de um ritmo bem acelerado. A segunda faixa é “Blaze”, uma canção otimista que carrega a marca inegável de “22” de Taylor Swift. É uma faixa up-tempo contagiante, com boas rimas e a mesma vibração da música anterior, embora seja até melhor. “If You Love Me Let Me Go” é maravilhosa, uma daquelas belas canções tristes que Colbie Caillat sabe fazer muito bem. É sobre uma separação, entretanto, de alguma forma consegue manter a mesma boa vibração das primeiras faixas.

Colbie Caillat

Uma música bem produzida, com melodias fluídas por pulsos eletrônicos e uma letra crua: “I’m tired of always sleeping with your ghost / Chasing away the things I need the most / If you really love me, you would let me go”. A sonoridade synthpop é uma reminiscência de “Hold On”, onde ela realmente a modernizou e ficou um pouco fora de seu personagem acústico. “Try” é a quarta faixa do disco, uma canção pop brilhante, com uma melodia simples acompanhada de uma guitarra acústica e teclas de piano. A letra consegue agregar e transmitir o efeito desejado, ao mostrar sua vulnerabilidade como artista. É um hino de empoderamento feminino onde podemos escutar muito bem a crueza de sua voz. O som simplista continua em “Never Gonna Let You Down”, música que estabelece nítidas palmas rítmicas e uma melodia folk-pop. É uma canção típica de Colbie Caillat, ou seja, é inspiradora, otimista e alegre.

A faixa seguinte, “Land Called Far Away”, é suave e oferece um ambiente descontraído e descompromissado, além claro, de conter a sedosa voz de Colbie Caillat. Enquanto isso, “Nice Guys” é um som pop muito cativante e sincero que, provavelmente, se sairia muito bem nas rádios. Mesmo deslizando em um som sarcástico, a cantora ainda consegue transparecer que está cantando com um sorriso no rosto. “Floodgates” é outra boa radio-friendly, igualmente comercial como a anterior e com uma boa mensagem: “Keep the floodgates open / Let it all out / Cause every tear can put out a fire”“Just Like That”, lançada como segundo single, é outra faixa que nos faz lembrar de Taylor Swift, o que deve ser tomado como um elogio. O seu vocal nessa faixa está de impressionar, assim como possui sintetizadores muito agradáveis. O grande refrão, apesar de um pouco previsível, também é ótimo e empolgante.

Colbie Caillat

“Break Free”, por sua vez, é um pop meio genérico, mas que chama atenção pelos belos efeitos no vocal de Caillat. Esses agradáveis efeitos dão um pouco de eco que nos remetem aos anos 1980. É uma faixa bem viciante, com a mesma mensagem libertadora de “If You Love Me Let Me Go”. A voz excepcional de Caillat carrega muito bem a linda balada “Never Getting Over You”. É uma das minhas preferidas do álbum, pois é uma canção emocional, com melodias delicadas e um lindo refrão. “Bigger Love” encerra o disco, mas deixa o ouvinte querendo mais, pois o vocal da cantora está ainda mais impressionante aqui. A sua batida e o refrão explosivo, é quase uma reminiscência da banda OneRepublic. Colbie Caillat disse desapontada à revista Billboard: “To be told that your work isn’t good enough — to do better, to be more like those pop artists out there that dress sexy and use Auto-tune on their voices — to be compared to someone so different, it hurt.”, uma declaração à respeito da sua mudança musical.

A música de Colbie Caillat é melodicamente simples, mas ainda impressionante, e vai além dos padrões pop, graças ao uso de variados instrumentos. Ela sempre apresentou canções acústicas otimistas, letras cheias de simpatia e, como resultado, composições acessíveis a um grande público. A cantora escreveu ou co-escreveu todas as 12 faixas do “Gypsy Heart”, que pode ser descrito como charmoso e com estilos que variam a cada canção. Sua composição é calorosa e sincera, e os seus vocais mantiveram-se gentis e suaves. Nesse disco, ela continuou irradiando boas vibrações e o álbum soa diferente de um disco típico de música pop. As batidas da bateria, piano e violão, desempenharam um bom papel, onde tudo foi combinando para criar um som envolvente e mundano. A cantora adicionou alguns ritmos recém-descobertos e, em consequência, afastou-se um pouco de suas músicas praianas.

“Gypsy Heart” é um pouco surpreendente à primeira vista, com faixas inundadas com influências pop contemporânea. Ela tentou experimentar algo novo com esse registro, que foi voltado para o sucesso comercial. Há uma notável ausência de acordes crus de guitarra acústica, enquanto o auto-tune está presente em quase todas as músicas. Mas ela não está em uma direção errada, pois a sua essência continua como sempre foi, contagiante e otimista. Alguns fãs e muitos críticos têm expressado que sua música estava crescendo de um forma chata ao longo dos últimos anos, isso acabou preocupando sua gravadora. Foi a partir do esforço para reinventar uma nova imagem e sonoridade para Colbie Caillat, que o “Gypsy Heart” nasceu. Ela esforçou-se para expandir seus horizontes musicais, e se aventurou no pop, R&B e até mesmo no território eletrônico. Colbie Caillat pode até voltar totalmente para seu o antigo estilo musical, mas eu, sinceramente, achei que este novo som, se encaixou decentemente à ela.

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Favorite Tracks: “If You Love Me Let Me Go”, “Try”, “Never Gonna Let You Down”, “Just Like That” e “Never Getting Over You”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.