Resenha: Clean Bandit – New Eyes

Lançamento: 30/05/2014
Gênero: House, Eletrônica, Dance, Synthpop, Clássica
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Jack Patterson e Grace Chatto.

Clean Bandit é um grupo eletrônico fundado em Cambridge, Inglaterra, em 2009, composto por Jack Patterson, Luke Patterson, Grace Chatto e Milan Neil Amin-Smith. Em 2014, com o lançamento de seu primeiro álbum de estúdio, “New Eyes”, o quarteto conseguiu um grande sucesso mundial: a canção “Rather Be”. O disco foge um pouco do som mais comercial, trabalhando com uma sonoridade de música house, cheio de batidas energéticas e elementos de música clássica. O registro trouxe diversas parcerias, tornando-se mais atrativo graças a essa diversidade vocal. Definir claramente o gênero do disco é um pouco difícil, pois além de elementos de música clássica, o repertório incorpora pop, dancepop, house, synthpop, eletrônica, techno, funky, entre outros. É definitivamente uma fusão de vários gêneros. Algumas músicas, presentes aqui, conseguem seduzir com facilidade e, no geral, o “New Eyes” é muito divertido. Sem dúvida, o que mais gerou atenção no som do grupo foi a instrumentação injetada, com violionos e pianos dando um maior brilho às músicas.

Logo, o álbum de estreia do Clean Bandit oferece, no decorrer de 13 faixas, um som original, com uma visão nova sobre o próprio gênero, misturando instrumentos de corda com música eletrônica. O quarteto do Clean Bandit possui formação clássica pela Universidade de Cambridge, mas como o gênero clássico não foi suficiente para eles, resolveram incorporar, além de outros, o house e a música eletrônica como base para o seu som. Mas apesar disso, apenas para ressaltar, a forte influência de música clássica ainda continua vidrada por toda parte na estrutura do disco. O simples pensamento de qualquer tentativa de combinar esses gêneros já seria um desafio à coesão do “New Eyes”, mas a força do álbum acabou por estar na variedade vibrante de todas suas músicas. Cada canção acabou soando diferente uma da outra, o que criou um par de alguns insumos estilísticos interessantes. Por outro lado, a probabilidade deles soarem um desastre, com essa atitude, também era alta. Por sorte, o grupo soube equilibrar tudo isso muito bem.

Clean Bandit

Ou seja, as melhores canções do álbum são as com um bom equilíbrio entre o apoio predominantemente eletrônico e as camadas clássicas. “So you think electronic music is boring? / You think? It’s stupid? / You think it’s repetitive?” – pergunta uma voz sarcástica na introdução de “Mozart’s House”, um número bem construído que abre o álbum. É uma abertura incomum para um disco, soando muito diferente do que você ouviria em outros lugares. O estilo de Love Ssega com a batida pulsante, é um ótimo exemplo do estilo diferente da banda de Cambridge. É um número muito excêntrico e uma introdução sólida ao estilo do grupo. Em seguida, temos “Extraordinary”, uma das faixas mais memoráveis do disco. Traz acordes de piano e vocais simples, além de uma transição eufórica para o incrível refrão. Essa canção utilizou violinos e elementos de música clássica de forma bem eficiente. No vocal, temos Sharna Bass, de 16 anos, que interpretou a faixa totalmente envolvida com o violoncelo de Grace Chatto.

“Dust Clears” tem bons momentos, principalmente quando a voz do cantor e compositor sueco, Noonie Bao, aparece estranhamente cortada sobre a boa batida. A voz dele conseguiu dar uma sensação mais sombria à música, além de ser mais discreta que as duas primeiras faixas. O smash hit “Rather Be” é de longe a melhor faixa do registro. Contém ótimos elementos de música clássica em cima de batidas dance, e a boa participação da cantora Jess Glynne. O inesquecível violino, logo no início, já prepara o caminho para um dos melhores refrões do ano. “Rather Be” é simplesmente incrível, um verdadeiro hino de amor à longa distância apresentado com doces vocais. É sem dúvidas um dos melhores singles lançados em 2014, por isso não é à toa o sucesso que conquistou no mundo inteiro. Em seguida, temos a faixa “A+E”, uma mid-tempo lançada como primeiro single, que apesar de possuir uma boa abertura à base de cordas, é uma música bem esquecível. Apresenta Kandaka Moore e Nikki Cislyn nos vocais e veste a mesma vibração clássica de todo o álbum.

“Come Over”, com os vocais dancehall de Stylo G, é divertida e cresce em torno de uma batida reggae. Dito isso, vemos mais uma mudança de ritmo no álbum, graças as harmonias com sensação caribenha, que soam como uma canção de Sean Paul ou do Shaggy. “Cologne” segue o fluxo do álbum, mantendo o ritmo acelerado e fornecendo um bom refrão. É uma música bem elegante e ainda apresenta vocais de Nikki Cislyn e Javeon. Love Ssega retorna na faixa “Telephone Banking”, que possui uma letra banal e repetitiva, que poderia até ser hilária, mas que definitivamente não convenceu (“Hey Grace, guess what, cool / You’re teaching in Japan and I’m living in a school”). Essa lida com o tema reconhecidamente único de desgosto, não provocado por infidelidade ou amor não correspondido, mas sim pela fatídica decisão de fazer um curso. Sonoramente, é apresentada com um rap, simplesmente baseado em uma conversa, amostras clássicas e uma vibe meio irritante.

Clean Bandit

“Up Again”, por sua vez, é uma ótima música que destaca-se principalmente pelo belo vocal de Rae Morris. Está entre minhas preferidas do álbum, sendo caracterizada por um ritmo mais lento. “Heart on Fire” é outro ótimo número, com vocais de Elisabeth Troy, que além de conter boas influências urbanas, ainda transmite uma forte nostalgia por lembrar o final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Em contrapartida, as três últimas músicas são as mais descartáveis do álbum. Começando pela faixa-título, “New Eyes”, que mesmo se beneficiando de algumas rimas, é corajosamente irritante e muito datada. É conduzida por Lizzo, que tentou entregar um rap alegre misturado com auto-tune, que asbolutamente não funcionou. Em seguida, temos a faixa “Birch”, apresentada por Eliza Shaddad, que fornece vocais exuberante e tristes, combinados com uma nota sombria e cordas obscuras. Apesar da longa duração, consegue passar totalmente despercebida pelo fato de não oferecer nada de atraente.

Para encerrar, “Outro Movement III” aparece com o mesmo contraste eletrônico/clássico predominante em todo o álbum, mas dessa vez com um instrumental que lembra jogos de vídeo-game. Clean Bandit faz um som muito interessante e certamente fizeram do “New Eyes” um bom álbum, no entanto, não posso deixar de mencionar que mesmo assim a banda me decepcionou. Porque particularmente fiquei esperando outras músicas do mesmo nível de “Rather Be”. Acho que é por isso que é tão frustrante saber que o álbum, como um todo, é tão esquecível. A inclusão de elementos clássicos são agradáveis, mas o exagero e encharcamento nas produções tornaram as faixas um pouco cansativas. Por isso, é prematuro dizer se eles são uma grande revelação musical, especialmente, pelo “New Eyes” ser descontroladamente inconsistente. De qualquer maneira, também estou ciente que o material apresentou um punhado de bons momentos, que sugerem que eles são capazes de fazer um álbum muito mais interessante do que este.

60

Favorite Tracks: “Mozart’s House (feat. Love Ssega)”, “Extraordinary (feat. Sharna Bass)”, “Rather Be (feat. Jess Glynne)”, “Up Again (feat. Rae Morris)” e “Heart On Fire (feat. Elisabeth Troy)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.