Resenha: Clare Maguire – Stranger Things Have Happened

Lançamento: 27/05/2016
Gênero: Pop, Jazz, Blues, Soul
Gravadora: Virgin Records
Produtor: Clare Maguire.

Recentemente, em maio de 2016, Clare Maguire lançou um novo trabalho de estúdio, intitulado “Stranger Things Have Happened”. Composto por 12 faixas, esse é o segundo álbum da cantora britânica. Apesar da grande demora para um novo lançamento, cerca de cinco anos, Clare Maguire lançou um álbum refrescante e muito diferente do primeiro. Novas canções incorporam tudo de melhor que Maguire sabe fazer. No seu estado natural, o disco é calmo, melancólico e incorpora elementos estilísticos do pop, eletropop, jazz, blues e soul. Além da versatilidade e vocais regulares de Maguire, o álbum é organizado em torno de pianos, guitarras e composições instáveis.

Algumas letras possuem qualidades incontestáveis, no entanto, outras são fracas e clichês. Essa instabilidade lírica é jogada ao relevo durante todo o álbum. Por outro lado, a estrutura sonora do álbum é bem elegante e retrô. Após a decepção do seu primeiro disco, “Stranger Things Have Happened” traz mais emoção na sua voz e dinamismo sonoro. Os últimos anos não foram fáceis para Clare Maguire, pois depois de ser apontada como uma grande artista revelação em 2011, ela nunca teve grandes oportunidades. Após “Light After Dark” não conseguir fazer jus às expectativas, ela foi para a reabilitação por conta do vício em álcool. Ela lutou contra isso e começou a trabalhar em novas músicas. O resultado disso duto foi o nascimento do honesto disco “Stranger Things Have Happened”.

Enquanto o som geral mudou desde o último, algo comum entre os dois é a capacidade de Maguire em transmitir emoções. Ao longo do álbum a cantora mostra seus pontos fortes através de diferentes gêneros musicais. Ela vai da abertura jazz sensual de “Faded”, para o alto e poderoso gospel de “Here I Am” e a calmaria de “Changing Faces”, sem grandes problemas. O primeiro single, “Elizabeth Taylor”, é a introdução adequada para sua nova música e um destaque do álbum. Uma balada de piano, com cordas e harmonias ressonantes, que representa apropriadamente os anos 50 e 60, do qual o seu estilo parece ser baseado. As letras fazem comparações com a turbulenta vida amorosa de Taylor.

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“Swimming” escorre sobre harmonias instrumentais que murmuram como um verdadeiro pop-retrô. Maguire deixa a sua marca através de vocais encorpados e quase fantasmagóricos. O único problema dessa faixa é a batida eletrônica, pois ela não combinou muito bem com o piano, guitarra e vocais. Enquanto isso, a faixa-título, “Stranger Things Have Happened”, é algo ainda mais atmosférico e belo. A canção percorre uma viagem cinematográfica e exótica, através de cordas pungentes, efeitos nervosos, suaves tambores, timbres de guitarra, harpas e piano. “Stranger Things Have Happened” é praticamente uma coleção de cordas radiantes numa produção atmosférica.

A instrumentação é muito exuberante e o discreto trabalho vocal muito apropriado. Uma dolorosa honestidade é apresentada em baladas de piano como “Whenever You Want It” e “Leave You in Yesterday”. Embora o registro seja escuro, ainda existem algumas peças esperançosas a serem encontradas. “The Valley”, por exemplo, possui inspiração country e uma ponta de otimismo. Sua performance vocal é cativante e uma das mais fortes do álbum. Até aqui o álbum já aventurou-se em vários gêneros, mas, em seguida, “Hanging in the Stars” enriquece o repertório ainda mais. É uma balada tranquila com elementos folk, conduzida por violões, piano e suaves cordas.

Logo em seguida, “Falling Leaves” viaja para outro mundo sonoro, com vocais reflexivos e profundos acordes de piano. “Spaceman”, por sua vez, é uma faixa infecciosa ao som de violinos, a cerca dos seus sonhos. “Se você se sentir como um astronauta / Se você sonha como um astronauta / Se você dança como um astronauta / Então você poderá ser um astronauta”, ela canta aqui. Há algo realmente orgânico sobre este álbum que o torna tão especial. Clare Maguire claramente cresceu como artista, por isso é ótimo vê-la em tal posição em 2016. Ela passou por momentos difíceis e, mesmo assim, conseguiu entregar um disco pop altamente pessoal e agradável.

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Favorite Tracks “Here I Am”, “Elizabeth Taylor”, “Stranger Things Have Happened”, “Hanging In the Stars” e “Spaceman”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.