Resenha: Chuck Berry – CHUCK

Lançamento: 09/06/2017
Gênero: Rock & Roll
Gravadora: Dualtone Records / Decca Records
Produtor: Chuck Berry.

Quando Chuck Berry morreu em março desse ano, ele já havia anunciado o lançamento do seu primeiro álbum em 38 anos. O lendário guitarrista e pioneiro do rock & roll, morreu aos 90 anos em sua casa vítima de uma parada cardíaca. Berry faleceu entre o anúncio de sua gravação e o lançamento oficial do disco. “CHUCK”, definitivamente o seu último álbum, é um pungente retorno à forma. Pode não ser uma adição valiosa para a sua discografia, mas é um lembrete de suas conquistas. Nenhuma canção daqui pode ser comparada com “Johnny B. Groode”, “You Never Can Tell”, “Roll Over Beethoven” ou “Maybellene”, por exemplo. Mas, como um projeto de alguém como Chuck Berry, é um olhar nostálgico com referências ao seu passado histórico. Certamente, as melhores faixas do álbum são aquelas reminiscentes de suas músicas inovadoras dos anos 50 e 60. Duas das dez faixas do álbum são covers, enquanto outras duas são reescrituras de músicas clássicas de Berry. “CHUCK” é um projeto colaborativo com contribuições de seus filhos, Charles Berry Jr. e Ingrid Berry, Tom Morello, Gary Clark Jr. e Nathaniel Rateliff. As partes verdadeiramente mágicas deste álbum são os momentos que Chuck lida com as mulheres. É notável ver ele abrir o repertório com uma música chamada “Wonderful Woman” e finalizá-lo com a feminista “Eyes of Man”, que possui letras profundas e poéticas. “Wonderful Woman” pega emprestada a melodia de um punhado de outros clássicos e apresenta uma linha de guitarra muito cativante.

Essa canção foi inspirada e dedicada à sua esposa, Themetta “Toddy” Berry. Como esperado, Chuck desfila sobre rápidos riffs de blues, enquanto apresenta o guitarrista Gary Clark Jr. e sua filha, Ingrid Berry. Ambos acompanham a guitarra clássica de Berry com licks e interlúdios harmônicos. A música em si é um número clássico de Chuck e, como faixa de abertura, faz o ouvinte querer dançar. A segunda faixa, “Big Boys”, é um olhar autobiográfico para a juventude, com a marca registrada de Berry. A melodia ajuda a mostrar uma incrível variedade vocal do cantor, mesmo no final de sua carreira. “Big Boys” espelha o sucesso da clássica “Johnny B. Groode”, com o mesmo riff de guitarra e estrutura rítmica. Os riffs, licks e solo de guitarra são cortesias de Berry e Tom Morello (guitarrista da Rage Against the Machine). A influência de Berry é perfeitamente demonstrada nas duas primeiras faixas, onde todos os artistas apresentam os seus próprios estilos, mas em acordo com o estilo de Berry. Entre as faixas mais relaxadas do álbum temos “You Go to My Head”, “Darlin” e “She Still Loves You”. São canções respeitáveis em seus próprios direitos, mas longe de serem fortes como os clássicos do passado de Chuck Berry. O legado de “Johnny B. Groode” continua em “Lady B. Goode”, uma canção leve, balançante e incrivelmente encantadora. Ela é realmente descrita como uma sequela de “Johnny B. Groode”, mas fala sobre uma mulher apaixonada por um homem.

A música explode com um riff de guitarra e funciona quase como uma homenagem à música original. “Jamaica Moon”, basicamente, reescreve “Havana Moon” de 1956, mas de uma forma muito melhor. Os órgãos turbulentos e as costeletas de blues abrangem uma batida de reggae muito infecciosa. Enquanto isso, “Dutchman” é uma peça falada e recitada sobre um embaralhado som de blues. Chuck Berry era mais do que apenas um renomado guitarrista cantando melodias joviais sobre garotas. Ele foi o verdadeiro arquiteto do rock & roll, que tomou os fundamentos do blues emprestados e os transformaram em algo muito mais animado. Ele lançou alguns álbuns excepcionais no final dos anos 60 e 70, mas depois de “Rock It” (1979), tornou-se um grande imortal cujos discos falam por si mesmos. Foram quase quatro décadas desde que Chuck lançou um álbum. Mas desde aquela época, ele nunca parou de escrever músicas. “CHUCK” é uma coleção escura que solidifica a carreira de um homem como um brilhante guitarrista. Ajudado por seu grupo de apoio de longa data, assim como alguns convidados especiais, Berry criou o “CHUCK”. Aqui, sua voz está desgastada e resistida às vezes, mas continua deslizando facilmente sobre as músicas. Esse disco não possui uma presença poderosa como a de outros dois álbuns finais, “Blackstar” (David Bowie) e “You Want It Darker” (Leonard Cohen), mas não deixa de ser um interessante arco final para Chuck Berry.

Favorite Tracks: “Wonderful Woman”, “Big Boys” e “Lady B. Goode”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.