Resenha: Chris Young – Losing Sleep

Lançamento: 20/10/2017
Gênero: Country
Gravadora: RCA Nashville
Produtores: Corey Crowder e Chris Young.

O suave barítono de Chris Young faz dele um dos artistas mais distintos da atual indústria country. Para ele, a última década foi bem sucedida, uma vez que venceu a quarta temporada do Nashville Star e conseguiu um contrato de gravação. Suas canções up-tempo costumam ter uma produção contemporânea, porém, nas baladas ele realmente brilha. Recentemente, em 20 de outubro de 2017, Young lançou o álbum “Losing Sleep”, o seu sétimo material de estúdio. Com este disco, o cantor apresenta dez faixas country distribuídas cuidadosamente em pouco mais de 30 minutos de duração. O cantor co-produziu o projeto com o frequente colaborador Corey Crowder e conseguiu criar um dos seus mais diversos. Chris Young começou a mostrar suas habilidades de produção no “I’m Comin’ Over” (2015), álbum que apresentou muitos loops de bateria e influência de R&B. “Cada música tem uma vibração única”, Young afirmou a respeito desse novo álbum. “Losing Sleep” usa os pontos fortes do cantor, permitindo que seu tom rouco trabalhe em cima de batidas gentis e riffs de guitarra acústica. No decorrer do repertório, não demora muito para Chris Young apresentar os seus típicos refrões radiofônicos. Sonicamente, o repertório não é muito diferente do que Young apresentou em discos anteriores, embora isso não seja algo necessariamente ruim. O repertório formado por dez músicas parece um pouco curto, principalmente quando a maioria não ultrapassa a marca de 3 minutos. É realmente um registro mais focado e enxuto. Mas, apesar da agradável entrega vocal de Chris Young, não é um álbum tão preciso e marcante.

A mistura de estruturas pop com sons country-rock às vezes traz os piores traços de ambos os estilos, um resultado que é agravado pelo fraco conteúdo lírico de Chris Young e companhia. O primeiro single, “Losing Sleep”, é apenas um exemplo de sua forte bateria, violão, guitarra elétrica e canto rítmico. Uma música sensual sobre ficar acordado a noite toda, com uma introdução melódica, tons relaxados e refrão frenético. É um forte começo para o registro e uma boa indicação sobre o que podemos esperar das outras canções. Todos nós sabemos que o vocal de Young é puramente country, por isso alguns tradicionalistas podem ter estranhado a teatral “Hangin’ On”. Escrita por Young, Crowder e Josh Hoge, a letra é um jogo de palavras que reflete sobre tudo que o cantor está passou no início de um relacionamento. Embora sua voz seja melhor nas baladas, Chris Young sabe como mostrar o seu lado brincalhão. Na descontraída “Holiday”, por exemplo, ele canta sobre como sua namorada faz todos os seus dias parecerem feriado. Escrita enquanto ele estava na Flórida, “Holiday” possui uma guitarra de aço e vibe completamente havaiana. Tematicamente, esta canção funciona bem como uma parceira de “She’s Got a Way”. Outra canção radio-friendly e divertida que encontra Young cantando sobre o tipo de mulher que chama sua atenção independente do que ela esteja fazendo. “Radio and the Rain”, por sua vez, mantém o enredo sedutor com uma história de dois namorados no banco de trás abraçados enquanto uma tempestade cai do lado de fora.

Uma balada romântica que adéqua-se bem aos seus profundos vocais e conjura uma imagem agradável, conforme ele canta: “A trilha sonora do rádio e a chuva”. Apesar do seu desejo de experimentar, Chris Young não alienou seus fãs mais tradicionalistas, equilibrando o álbum com as sinceras “Where I Go When I Drink” e “Blacked Out”. Ambas podem ser descritas como uma típica narrativa country, reforçada pelo timbre clássico de Young. Enquanto as duas mostram o seu poder como vocalista ao lado de um piano, “Where I Go When I Drink” é uma balada cheia de mágoa com algumas frases muito inteligentes. É uma canção que flerta com vulnerabilidade ao revelar que a embriaguez o leva a pensamentos fracassados. Young canta sobre tentar superar um término de namoro e deixar o álcool, para que ele não fique preso num ciclo vicioso sem fim. Ao mesmo tempo que sua voz está incrível, o arranjo musical é simples e bonito. “Meu coração precisa de tempo para superar você e eu / E é aí que eu vou quando eu bebo”, ele canta aqui. “Blacked Out”, por sua vez, possui um acompanhamento de cordas que aumenta a emoção e tristeza das letras. Uma balada acústica com um conteúdo que correlaciona com o sofrimento e perda de várias formas, ao mesmo tempo que possui uma adequada produção e melodia. “Losing Sleep” pode não ser tão forte quanto “Neon” (2011) e “A.M.” (2013), mas é um material descontraído que pode crescer em você com o tempo. É um registro sólido e seguro, onde ele não correu qualquer risco. Sete álbuns em seu currículo, Chris Young prova que está completamente no controle de sua carreira e da música que está fazendo.

Favorite Tracks: “Losing Sleep”, “Where I Go When I Drink” e “Blacked Out”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.