Resenha: Chris Brown – X

Lançamento: 16/09/2014
Gênero: R&B, Hip-Hop
Gravadora: RCA Records
Produtores: Ambience, Anonymous, B.A.M., Babydaddy, Mario Bakovic, Jean Baptiste, Tommy Brown, Daniel Coriglie, Count Justice, Danja, Diplo, DJ Comper, Steven Franks, Free School, Freshm3n III, Glass John, Mel & Mus, NicNac, Dennis-Manuel Peters, PK, Moe Faisal, R. Kelly, Razihel, Roccstar, Soundz e Tra Beats.

Depois de uma série de adiamentos, o sexto álbum de estúdio de Chris Brown, intitulado “X”, foi lançado dia 16 de setembro de 2014 pela RCA Records. Comercialmente, o disco estreou em #2 nos Estados Unidos ao vender 146 mil cópias em sua primeira semana. “Fine China”, “Don’t Think They Know”, com vocais de Aaliyah, e “Love More”, com Nicki Minaj, foram lançadas como os três primeiros singles do álbum. No entanto, todas só entraram na versão deluxe do álbum. Em março de 2013, Chris Brown confirmou o lançamento do “X” em várias entrevistas dizendo que assumiu uma direção diferente para ele, ao mudar o seu som pop e sexualmente explícito para um tema mais maduro, emotivo e vulnerável. Sobre o significado do título, Chris Brown explicou: “X é o numeral romano para 10. Eu nasci em 05/05/1989; 5 mais 5 é 10, e este é meu décimo ano desde que decidi entrar para o mundo da música; e X é a 24ª letra do alfabeto, e essa será minha idade no lançamento do álbum”. É realmente uma boa melhoria se comparado com o seu antecessor, “Fortune”, de 2012.

Embora seja superlotado, com um total de 17 faixas e 10 colaborações, é um trabalho mais sólido que possui vários hits em potencial. “Eu tentei ficar longe das batidas euro, e não ir totalmente para o pop. Em vez disso, eu queria ter uma abordagem Quincy Jones. O álbum é uma homenagem às maravilhas de Stevie Wonder, Michael Jackson e Sam Cooke. Eu queria colocar essa essência clássica do R&B e soul com a nova era da música”, disse o cantor sobre a ideia do disco. “Há uma grande quantidade de instrumentos ao vivo e muito menos auto-tune. Eu realmente queria demonstrar minha capacidade vocal, criando o clima de mim cantando junto com a banda”, finalizou. O disco abre com a faixa-título, “X”, o momento mais honesto de Chris Brown no álbum, que traz batidas EDM frenéticas encomendadas pela ótima produção de Diplo. Aqui, Chris Brown fala sobre amadurecimento e admite abertamente as suas irregularidades – “Caramba, estava andando com as pessoas erradas” – e promete seguir em frente: Juro por Deus que eu estou seguindo em frente / Eu não vou voltar mais.

Liricamente, a música mais engraçada do álbum é “Add Me In”, uma produção que foi cortesia de Danja. Uma faixa cheia de piadas preguiçosas envolvendo metáforas em matemática e trigonometria (“Seu amor é uma trigonometria / Só estou querendo resolver toda a equação” […] / “Substituição, me adicione / Multiplique meu amor / Isso é demais? / Substituição / Qual é o problema garota? / Me adicione”). Em seguida, temos o maior hit e grande destaque do álbum, a canção “Loyal” em parceria com Lil’ Wayne e Tyga. Lançada como quarto single, “Loyal” chegou a atingir a #9 posição da parada de singles da Billboard e ainda conta com outras versões em parceria com French Montana e Too $hort. Um verdadeiro hino que oferece uma excelente e sedutora batida, além de riffs de sintetizadores extremamente cativantes. “New Flame” é outra faixa que cativa facilmente, uma ótima canção R&B em parceria com Usher e Rick Ross. Ela foi lançada como single exatamente nove anos depois de Chris Brown divulgar o seu single de estreia, “Run It!”, em 2005.

Chris Brown

 A música representa muito bem o amor, a dança e tudo que é predominante nesse álbum. Usher tem sido um modelo a ser seguido por Brown, referente aos passos de dança e agilidade vocal, e aqui, ambos cooperam para a colaboração fluir de forma animadora. A quinta faixa, “Songs On 12 Play”, em parceria com Trey Songz, é uma homenagem ao cantor de R&B R. Kelly. “12 Play” é o título do seu primeiro álbum de estúdio, reconhecido como um dos melhores discos de R&B da década de 1990. Foi produzida por Mel & Mus e escrita por Brown ao lado de Melvin Hough II, Rivelino Wouter, Simmonds e Tremaine Neverson. R. Kelly também é creditado como compositor, pois a faixa contém partes das composições de “Sex Me”, “Down Low (Nobody Has to Know)” e “Stroke You Up”, canções escritas por ele. “Songs On 12 Play” é precedida por “101 (Interlude)”, um pequeno interlúdio que liga esta música à sétima faixa, “Drown In I”, que apresenta ninguém menos que o próprio R. Kelly.

Essa é uma ode bem aberta, onde a dupla canta grosseiramente e de forma hiper-sexual. Seu tom é bem arejado, mas, de forma alguma, sedutor. Chris Brown sempre contém números sensuais em cada um dos seus álbuns. Os do “X”, no entanto, não competem com, digamos, “Take You Down” do “Exclusive” (2008). “Came to Do”, por sua vez, apresenta Akon e outra batida do produtor de “Loyal”, NicNac. No geral, diferente do quarto single, o tom da música é mais voltado para o público feminino e não é viciante e empolgante como a mesma. “Stereotype” é uma sólida produção de Danja, onde Brown rotula sua ex-namorada como um estereótipo negativo que ele precisa esquecer. “Você era diferente / Agora eu vejo que você é como o resto / Pensei que você fosse diferente / Você se tornou o meu maior arrependimento”, ele canta. Depois de Chris Brown estar com o coração partido em três álbuns, é esperançoso ver uma mensagem dele pronto para passar para uma nova fase de sua vida, da qual esperamos que seja liricamente mais fresca.

Com produção de Jean Baptiste e Free School, “Time for Love” é uma agitada e alegre canção, onde Brown canta de forma otimista sobre o amor: “Bem assim, garota, eu sei que você gosta disso / E só temos tempo para o amor / Esta não será a minha última chance / Vou fazer qualquer coisa / Para tirá-la daqui / Então eu vou ser tranquilo e esperto / Deixe-me entrar na sua zona de conforto / Garota, podemos dar os passos juntos”. Durante o interlúdio “Lady In a Glass Dress”, entre os estalos da batida, o cantor faz uma promessa à uma garota que está se recuperando de um fim de relacionamento: Desde que ele partiu seu coração, garota / Você diz que nunca vai amar de novo / E você não vai mudar de ideia garota / Mas nós sabemos o final / Você continua sonhando / Sonhando / Querida, posso fazer seus sonhos se tornarem realidade. Em seguida, na canção “Autumn Leaves”, em colaboração com Kendrick Lamar, Chris Brown canta com uma intensidade que soa muito real. É uma faixa liricamente banhada com o seu passado apaixonado e guiada por uma bela guitarra.

Chris Brown

O rapper aparece e contribui positivamente com o seu rap agressivo e o seu talento lírico introspectivo e oprimido. O remorso minimalista de “Autumn Leaves” possui uma química inegável entre os dois, algo que deu ao álbum um corte verdadeiramente artístico. A envolvente “Do Better” apresenta o timbre rouco da cantora Brandy, que interpreta o papel de uma amante desprezada. “Estou começando a me odiar / Um pouco mais a cada dia / Eu não me conheço / É como se não conseguisse seguir meu próprio caminho”, canta Chris Brown de forma solta e pensativa. Em “See You Around”, décima quarta faixa, o cantor admite: “Eu deveria ter te amado muito mais, muito mais”. É um número com uma sonoridade bem diferente para Chris Brown, visto que possui batidas de guitarra e uma linha de base que, em certos momentos, chega a lembrar a banda Mumford & Sons. “Don’t Be Gone Too Long” era, inicialmente, uma colaboração com a cantora sensação Ariana Grande. A parceria acabou não sendo lançada, entretanto, o clipe da mesma vazou algum tempo depois.

Em recente entrevista, Chris Brown revelou que o dueto não foi lançado devido a conflitos entre as gravadoras RCA e Republic Records. “Body Shots” é uma boa música de influência trap capaz de fazer você pular em qualquer festa. É um número muito cativante, mas ficaria bem melhor se estivesse posicionado em outro lugar no álbum. O “X”, felizmente, fecha com um número de destaque: “Drunk Texting” com Jhené Aiko. Aqui, ela e Chris Brown entregam uma performance madura durante toda a canção. Na letra, o cantor enfrenta a dúvida de mandar ou não uma mensagem para sua ex-namorada: “Olhando para o meu telefone e pensando / Eu envio ou não?”. Musicalmente, o sexto álbum de Chris Brown é aventureiro, porém, liricamente, um pouco bagunçado. No geral, há mais de um tom de R&B, em relação aos outros gêneros, do que no seu antecessor. É simplesmente uma pequena coleção de boas músicas, feito por um artista e colaborações talentosas, que mostram suas óbvias habilidades.

Atualmente, não há muitos cantores com uma boa capacidade vocal e uma grande entrega capaz de atravessar uma paisagem musical tão vasta. Mas, Chris Brown, consegue ter esses dois pontos ao mesmo tempo e de forma interessante. Isso foi um ponto crucial que ajudou a criar uma coesão real ao longo do “X”. O talento de Chris Brown é inegável, por isso não podemos subestimá-lo. Independentemente do seu sucesso ou dos seus fracassos mais recentes, algumas celebridades permanecem indissoluvelmente ligadas a um incidente do passado, em vez do seu trabalho. Ele é uma dessas celebridades, portanto, devemos saber separar o lado pessoal do artístico de Chris Brown. Personalidade de lado, a sua capacidade artística e facilidade em entregar bons sons é frequente. Por fim, mesmo com longos 75 minutos de duração em sua versão deluxe, o “X” é realmente um material atraente.

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Favorite Tracks: “Loyal (feat. Lil Wayne & Tyga)”, “New Flame (feat. Usher & Rick Ross)” e “Autumn Leaves (feat. Kendrick Lamar)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.