Resenha: Chris Brown & Tyga – Fan of a Fan: The Album

Lançamento: 20/02/2015
Gênero: Hip-Hop, R&B
Gravadora: RCA Records / Young Money / Cash Money / Republic Records
Produtores: DJ Mustard, Jess Jackson, Nic Nac, Mel & Mus, P-Lo, Drumma Boy, Scott Storch, DJ Frank E, The MeKanics, David D.A. Doman, The Breed, Mark Kragen, Vinylz, Boi-1da e Mike Free.

“Fan of a Fan: The Album” é o título do álbum de estúdio conjunto de Chris Brown e Tyga. Ele foi lançado em 20 de fevereiro de 2015, através das gravadoras RCA Records, Young Money Entertainment, Cash Money Records e Republic Records. Estreou no número #7 da Billboard 200, ao vender 67 mil cópias em sua semana de lançamento nos Estados Unidos. Esse registro serviu como uma continuação da mixtape de mesmo título lançado por ambos artistas em 2010. E assim como a mixtape, que gerou o rádio hit “Deuces”, o álbum também possui algumas colaborações. Entre elas, temos participações de Ty Dolla $ign, 50 Cent, Pusha T e ScHoolboy Q. Ambos artistas já partilharam de manchetes bem negativas ao longo dos últimos anos, enquanto o número de vendas dos seus álbuns solos anteriores ficaram bem abaixo do esperado (“X” do Chris Brown vendeu 381 mil cópias e “Hotel California” do Tyga vendeu apenas 84 mil cópias em território norte-americano). Comercialmente falando, isto não mudou com o “Fan of a Fan”, visto que não conseguiu sequer certificado de ouro nos EUA e, até o momento, só vendeu pouco mais de 100 mil cópias. Tematicamente, é um álbum que não oferece grades reflexões ou fortes mensagens ao longo de suas 12 faixas.

Muito pelo contrário, o conteúdo lírico do álbum é cheio de palavrões e recheado de temas clichês no mundo do hip-hop, como sexo, drogas, carros, dinheiro e mulheres. Logo, percebemos que é um registro desprovido de originalidade e acabou sendo um material esquecível dentro da discografia dos dois artistas. Realmente não temos surpresas, a maior parte do “Fan of a Fan” é desprovida de alguma profundidade e não oferece nada de inovador. Ou seja, é um projeto susceptível a satisfazer apenas os fãs mais devotos de Chris Brown e Tyga. O primeiro single do álbum, “Ayo”, produzida por Mark Kragen e Nic Nac (com quem Chris Brown já havia trabalhado na canção “Loyal”) é, definitivamente, a melhor faixa que você poderá encontrar aqui. É uma música que, consequentemente, possui algumas semelhanças com “Loyal”, e, igualmente a mesma, tem um refrão cativante, versos de rap e um apelo pop. Escrita por Chris Brown, Nicholas Balding, Mark Kragen e Michael Setevenson, “Ayo” traz uma batida up-tempo, uma boa linha de baixo e abre com um gancho cantado por Chris Brown seguido de um rap de Tyga.

Como esperado, as rimas do rapper são sobre temas como dinheiro, carros e escapadas sexuais. Enquanto as melodias de Brown discutem seu estilo de vida e sua breve temporada na reabilitação. Não dá pra negar que é uma faixa muito catchy e super radiofônica, principalmente o refrão: “Ayo, All my bitches got real hair / Chilling with the top down / Screaming, like, Ayo (…)”. Desta vez, Tyga e Breezy, por incrível que pareça, assumem uma perspectiva mais otimista sobre o sexo oposto. No geral, Chris Brown alcançou, vocalmente, uma persona vistosa, principalmente, durante o verso: “Estou dentro do meu Rolls Royce, você não dirige o carro certo / Minha corrente brilha mais que uma luz estroboscópica”. Tyga também conseguiu destacar-se, trazendo ingredientes coesos de um hit. O seu melhor momento foi nos versos: “Ah! Ayo, querida, esse é o meu novo negócio / Sou a versão negra do “riquinho”, com meu conversível aberto / Se eu não ganhar dinheiro, nada disso faz sentido / Acorde, preciso ir”. Embora assuntos como dinheiro, garotas e carros não sejam nada inovadores, aqui funcionou bem. Portanto, como primeiro single, “Ayo” foi realmente uma boa escolha, pois é cativante o suficiente para deixar qualquer um no replay continuamente.

Chris Brown & Tyga

A produção de Nic Nac foi previsível, mas necessária para transmitir a mensagem da canção e moldar a dupla em uma direção diferente de “Deuces” (primeiro single do projeto anterior deles). A faixa de abertura do álbum é a mid-tempo “Westside”, produção de The Breed que define o tom para o restante do registro. Liricamente, é uma canção totalmente previsível, onde sexo é um tema em potencial. “Eu vejo você dando certo hoje baby / Você precisa trazer sua bunda para a zona oeste / Hoje à noite nós tentaremos assustar alguém / Traga um amigo, traga um amigo, é um ménage à trois”, Chris Brown canta durante o refrão. Com vocais e melodia cativantes, Brown tenta estabelecer uma vibe sensual para o álbum. Surpreendentemente, o primeiro verso de Tyga é bem sólido, na mesma medida que a batida consegue deixar uma impressão duradoura. “Nothin’ Like Me” segue previsivelmente, em grande parte devido ao trabalho onipresente e reconhecível de DJ Mustard, enquanto ainda apresenta o convidado Ty Dolla $ign. Em cima de uma batida de baixo pesada, Brown começa dirigindo a faixa apelando deliberadamente para frases como: “Tem mais dinheiro do que seu ex” e “E ele não é nada como eu, garota”.

Aqui, resumidamente, o trio tenta mostrar para uma garota que eles possuem muito mais dinheiro que o seu ex. Algo muito banal e vazio, mas, felizmente, a música possui um ritmo decente. Mais tarde, em “Girl You Loud”, a dupla retarda seu fluxo para focar em algo mais voltado para o R&B. É em canções como esta que Chris Brown brilha, ao passo que assume uma postura vocal que nos remete ao seu passado. Embora não tenha uma gama ou uma grande produção artística, é uma música sensual que oferece uma nostalgia lasciva ao ouvinte. Entretanto, liricamente, “Girl You Loud” acaba sendo outra faixa sem surpresas e com um tema excessivamente sexual. Aqui, durante os atrevidos e iminentes versos, Brown diz a sua garota: “Estou prestes a levantar sobre essa bunda agora / Apenas me ama, me ama para baixo, agora”. Adivinhem qual é o tema da próxima faixa (“Remember Me”)? Sim, é sexo. Para se ter uma ideia, Chris Brown canta desta forma durante o refrão: “Garota, você sabe que temos esse tempo / Estou com aquela buceta na minha mente / Mais tarde o que vamos fazer? / Eu sei que você está pronta, mostre seu traseiro / Garota, vocês esta parecendo tão má / Estou ficando excitado só de ver você assim”.

De qualquer maneira, podemos dizer que, possivelmente, “Remember Me” é uma das poucas faixas que realmente se destacam no “Fan of a Fan”. Isto porque sua produção, encomendada pelo produtor de Tyga, Jess Jackson, Bo1-da e Vinylz, é realmente muito boa, tanto que acabou ofuscando os artistas e suas letras ironicamente menos memoráveis. Ela é composta pelo uso sem remorso de bons efeitos eletrônicos e um ritmo bem rápido que lhe dá semelhanças a músicas de hip-hop dos anos 1990. Sua produção acabou dando a oportunidade de Chris Brown desenvolver uma entrega vocal mais suave durante o refrão, enquanto permitiu Tyga oferecer um fluxo mais impactante. A sexta faixa do álbum, “I Bet”, é outra música bem explícita e conta com a presença do rapper 50 Cent. Essa possui uma produção simples e saltitante, onde Chris Brown assume, mais um vez, a liderança. Sua batida, encomendada por P-Lo, é cativante e me lembrou brevemente a faixa “Don’t Worry ‘Bout It” do álbum “Animal Ambition” de 50 Cent. Ele, por sinal, encaixou-se bem ao ritmo mais baixo da música e entrega um verso cheio de arrogância. Em seguida, na faixa “D.G.I.F.U.”, ouvimos o rapper Pusha T tomando os holofotes para si ao entregar um sólido e contundente verso.

Chris Brown + Tyga

Essa faixa, produzida por David D.A. Doman e com amostras de “Forget About Dre” (Dr. Dre) e “Notorious Thugs” (The Notorious B.I.G.), também é um destaque. É mais suave que a maioria das faixas do registro, enquanto ainda possui uma ótima batida e um cativante riff de guitarra. Aqui, Chris Brown faz pleno uso de seus vocais e tem a chance de fazer um rap, ao passo que Tyga não fica para trás ao entregar um fluxo agressivo e cheio de confiança. “D.G.I.F.U.” provou ser refrescante ao oferecer algo mais cru e sincero de ambos artistas, com menos foco em quão sexualmente ativos eles podem ser. Em seguida, na faixa “Better”, o duo tenta mudar de abordagem e submetem-se a um tom mais suave. Nesta canção, ele pedem perdão por trair suas namoradas e reconhecem suas ações erradas. É uma balada descontraída e traz uma certa coerência ao foco do álbum. No entanto, poderia ser mais profunda e verdadeiramente melhor se tivesse menos palavrões. Sonoramente, é uma pista de R&B com um toque retrô e sample da canção “Take Our Time” do grupo TLC. “Lights Out”, em colaboração com o rapper Fat Trel, também é uma balada otimista de R&B que oferece um som luxuoso e furtivo, porém, forçado sexualmente.

Mais uma vez, Chris Brown e Tyga levam a sensualidade para algo meio desnecessário. Isto acaba fazendo com que as músicas do álbum sejam bastante parecidas, liricamente falando. A faixa “Real One”, com vocais do rapper Boosie Badazz e produção de David D.A. Doman, é outro número com efeitos eletrônicos, uma batida mais grave e letras sexuais, tal como a maioria das canções presentes no álbum. É uma música cativante e animada, mas, por fazer uso de uma produção muito comum neste registro, pode acabar passando despercebida. Ela não possui nada do que já não ouvimos até este momento no LP. Lançada como segundo single, “Bitches N Marijuana”, por sua vez, é uma canção que sofre pela fórmula repetitiva das produções de Nic Nac. Entretanto, graças ao refrão e verso sólido do convidado ScHoolboy Q, acaba se sobressaindo. Na sequência, temos a faixa final da versão padrão do álbum: “She Goin’ Up”. Produzida por DJ Frank E, essa canção utiliza batidas graves e sintetizadores mau-humorados em sua composição. É uma banger frenético, mas que não potencializa em nada ou oferece algo de novo para o álbum. O registro acaba sendo concluído de forma bastante abrupta, embora ainda possua mais quatro faixas em sua versão de luxo.

No geral, “Fan of a Fan: The Album” apresenta algumas canções de alta energia e muitas batidas insufláveis durante seu repertório. As faixas mais cativantes (“Ayo”, “Remember Me” e “D.G.I.F.U.”) são facilmente as suas melhores atrações e dão ao público uma sensação diferente do que encontramos na mixtape de mesmo nome. Entretanto, não é um projeto memorável ou de grande qualidade. Ele não possui uma direção criativa e a dupla não tentou fazer nada de novo. Chris Brown e Tyga podem não ter tido grandes intenções com o seu lançamento, mas boa parte do tempo eles se esconderam atrás de tendências atuais de hip-hop que não os levaram a lugar algum. Algumas canções possuem batidas decentes, no entanto, o foco pesado no conteúdo sexual e repetitivo do álbum tirou o que poderia ter sido uma boa conexão deles com os ouvintes. Obviamente, seus fãs apreciaram este lançamento da dupla, mas o restante do público dificilmente deve ter gostado em êxtase deste trabalho. Como mencionado, a maioria das letras, aparentemente recicladas, transmitem a sensação maçante de que Brown e Tyga tentaram criar a mesma música várias vezes. Em consequência, “Fan of a Fan: The Album” não é um material versátil e peca pela incrível falta de criatividade e originalidade.

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Favorite Tracks: “Ayo”, “Remember Me” e “D.G.I.F.U. (feat. Pusha T)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.