Resenha: Cheryl – Only Human

Lançamento: 07/11/2014
Gênero: Eletrônica, Pop, R&B
Gravadora: Polydor Records
Produtores: Jocke Åhlund, Kevin Anyaeji, Dawood, James Draper, Electric, Scott Hoffman, The Invisible Men, Greg Kurstin, Cass Lowe, Oligee, Red Triangle, Matt Schwartz, Lucas Secon, Jesse Shatkin e Wayne Wilkins.

Nascida como Cheryl Ann Tweedy, conhecida mundialmente como Cheryl Cole e, agora, como Cheryl Ann Fernandez-Versini. Uma cantora de mudanças, que após a retirada do sobrenome “Cole”, passou a ser chamada profissionalmente apenas pelo primeiro nome. Já se passaram dois anos desde o lançamento do seu último álbum, desde então, houve uma reunião do Girls Aloud, um novo marido e um retorno ao The X Factor. O seu quarto disco solo, intitulado “Only Human”, traz um nível de produção e qualidade maiores que seus esforços anteriores, e deve firmar Cheryl como uma das maiores artistas britânicas da atualidade. Ela chegou à fama em 2002, quando fez o teste para o reality show de televisão Popstars: The Rivals. O programa anunciou que ela havia ganhado um lugar como membro da girlband Girls Aloud.

O grupo permaneceu o mesmo durante toda a sua trajetória e, durante esse tempo, conseguiram inúmeros hits de sucesso no Reino Unido. Cheryl foi casada com o jogador de futebol Ashley Cole, de junho de 2006 até setembro de 2010, quando se divorciou e retirou o “Cole” do seu nome artístico. A sua carreira solo começou em 2009, com o lançamento do álbum “3 Words”. Esse obteve um grande desempenho comercial e gerou três singles de sucesso, incluindo a maravilhosa “Fight for This Love”. “Only Human” foi lançado em novembro de 2014, conta com 15 faixas e estreou em #7 na parada de álbuns britânica, com vendas aproximadas de 20 mil cópias na primeira semana. O disco explora temas como estar em paz consigo mesma, banir más influências e viver a vida com intensidade. Musicalmente, é um disco eletrônico, com tendências pop, R&B e disco, e inspirações da década de 1980.

Cheryl

A produção contou com uma variedade de produtores e escritores, incluindo colaboradores frequentes, que auxiliaram na criação do som desejado por ela. O álbum foi precedido pelo single “Crazy Love Stupid”, em colaboração com o rapper britânico Tinie Tempah. A canção estreou em #1 na parada de singles do Reino Unido, ao vender 118 mil downloads digitais na primeira semana. Acabou tornando-se o quarto single solo número #1 de Cheryl. “Crazy Stupid Love” é um número pop atrevido, com um rap bem colocado, palmas animadas e um gancho de sax extremamente cativante. Mas, para abrir o álbum, ela optou por usar uma “Intro” do filósofo Alan Watts, um pequeno manifesto de auto-ajuda sobre como seguir em frente. Em seguida, temos a faixa “Live Life Now”, uma música EDM com uma letra encorajadora. Nicola Roberts, uma de suas parceiras no Girls Aloud, colabora com escritas adicionais na faixa “It’s About Time”.

Uma canção disco-pop flutuante e divertida, apoiada por um piano parecido com a música “Call My Name” do disco “A Million Lights”. Aqui, Cheryl abre o seu coração para um novo amor (“É sobre o tempo que eu começar a amar novamente”) e confessa que estava com medo da liberdade (“Por todo esse tempo eu estava com tanto medo de voar”). Em seguida, temos o hino pop “Waiting For Lightning”, uma balada com um batida contundente e um poderoso refrão, onde Cheryl explora mais os seus vocais. A sexta faixa, “I Don’t Care”, é um número bastante viciante e facilmente uma das melhores músicas de sua carreira. Foi lançado como segundo single, também conseguiu o #1 lugar no chart britânico e consegue resumir muito bem a mensagem subjacente de todo o projeto. Sua produção é excelente, uma música dance-pop que apresenta sintetizadores arejados e um linha perfeita de baixo.

Liricamente, vemos Cheryl afirmando, no ousado refrão, que não se importa com as críticas e atitude do seu ex-marido (“Eu não ligo / E é bom pra caralho dizer, eu juro / Que eu não ligo”). A faixa-título, “Only Human”, também se destaca, um dos momentos mais emotivos e honestos do álbum. Fala sobre como chegar a um acordo com os seus próprios defeitos, lembrando que ela é apenas uma pessoa como qualquer outra (“E todos nós caímos / Você é apenas um ser humano”). A vulnerabilidade da letra ficou proporcional a sensibilidade dos doces vocais de Cheryl. “Stars” é um número dance com uma letra otimista, que pecou pelo excesso de auto-tune utilizado. Por causa disso, é uma faixa bem esquecível em primeira audição. Em compensação, “Throwback” é uma faixa R&B cativante, com um ritmo e refrão agradáveis, enquanto “All In One Night”, que também pisa no território R&B, é um número incrivelmente sedutor.

Cheryl

“Goodbye Means Hello”, décima primeira faixa, é outra canção co-escrita por Nicola Roberts. Apesar de não ser um destaque, não deixa de ser uma pista eletrônica hipnótica. “Coming Up For Air” é a faixa mais aventureira do disco, uma colaboração com Joel Compass. Apesar dos vocais de ambos não se misturarem tão bem como deveria, é um número pop-soul com um bom refrão. Apoiada por um coro e uma agitada percussão, Cheryl apresenta a canção “Fight On”. É outro bom momento do álbum, que fala sobre lutas contra a adversidade e como encontrar a sua força interior. Em última instância, o eletropop “Yellow Love” não tem nada de memorável, mas consegue agitar as coisas antes da faixa de encerramento. Por outro lado, “Beats N Bass” acaba por ser uma faixa de enchimento sem número atrativo.

Enfim, o “Only Human” veio com uma proposta diferente dos álbuns anteriores de Cheryl, pela primeira vez ela aplicou algo a mais no conceito de um álbum. Aqui, a cantora explorou a fama, o amor e as lutas contra as negatividades que enfrenta diariamente. Com uma ênfase peculiar e cativante, “Only Human” é o seu álbum mais consistente e coeso até a presente data. Mesmo que o seu vocal seja um pouco limitado, Cheryl conseguiu oferecer algumas performances memoráveis durante sua execução. Ela também contribuiu mais do que o normal, pois metade do álbum contém créditos de escrita em seu nome, ao contrário dos seus três álbuns anteriores. Cheryl é abençoada por seu carisma e beleza rara, enquanto o “Only Human” é praticamente uma encarnação do próprio título: não é perfeito, mas um passo progressivo para frente.

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Favorite Tracks: “Crazy Stupid Love (feat. Tinie Tempah)”, “Waiting for Lightning”, “I Don’t Care”, “Only Human” e “Fight On”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.