Resenha: Cher Lloyd – Sorry I’m Late

Lançamento: 23/05/2014
Gênero: Pop, R&B, Hip-Hop
Gravadora: Epic Records / Syco Music
Produtores: Benny Blanco, Johan Carlsson, Carl Falk, Oscar Holter, Jake Schmugge, Savan Kotecha, Robert Marvin, Shellback, Matt Squire, Rami Yacoub, Jason Evigan, OzGo, The Struts e Ilya.

Cher Lloyd é uma cantora, compositora e modelo britânica que ficou famosa em 2010, após ficar em quarto lugar no programa musical The X Factor. O seu single de estreia “Swagger Jagger” fez muito sucesso no Reino Unido, chegando ao número #1 da parada inglesa. Em 2014 ela lançou o seu segundo álbum, chamado “Sorry I’m Late”, que possui um total de 11 faixas. Nesse novo trabalho, Cher Lloyd co-escreveu cinco canções e trabalhou com novos produtores e compositores, dentre eles a sensação Tove Lo. Entretanto, o álbum não foi bem comercialmente, estreando apenas em #12 na Billboard 200 dos Estados Unidos e em #21 no Reino Unido. Três anos depois de estrear com “Swagger Jagger”, Cher Lloyd reapareceu tentando exibir um tom mais maduro, a começar pela capa do álbum, onde vemos ela sensualmente em um banho de espuma e fumando um cigarro. Ela realmente estava dando indícios de lançar um material mais maduro, pois durante os três anos que trabalhou no “Sorry I’m Late”, adquiriu mais experiência, um olhar mais refinado e até se casou.

No entanto, o que o álbum apresenta não é verdadeiramente um trabalho que esbanja maturidade. Ela parece estar tentando ser uma artista acessível a um público mais amplo e moderno. O título, a propósito, retrata a demora e o atraso de Cher para o lançamento de um novo material. Porém, o disco não transmitiu poder suficiente para trazê-la totalmente ao mainstream, especialmente na América. Produzido em grande parte por Savan Kotecha e Shellback, o “Sorry I’m Late” possui uma sonoridade genérica e é carente de personalidade. Como um todo, ele parece não ter uma essência e foi feito apenas para agradar o público mais jovem. Na maioria das faixas, a interpretação de Cher Lloyd ficou demasiadamente infantil em cima de letras fracas e repetitivas. Possui faixas dançantes, melosas e raivosas, além de alguns hits em potencial, mas praticamente nada memorável. O álbum abre com “Just Be Mine”, uma faixa orgânica e menos eletrônica, porém, com os mesmos elementos que Cher Lloyd costuma utilizar, como rap e refrão com palavras repetitivas.

Cher Lloyd

A canção funde um aborrecimento otimista com um vocabulário limitado. “I do things that make you sick, but I get away with it”, ela canta, o que pareceu apropriado. A faixa seguinte, “Bind Your Love”, é produção de Stargate e uma das mais agradáveis do álbum. Por incrível que pareça, tem uma boa letra, um refrão explosivo e uma melodia grudenta sustentada por violão e sintetizadores. Seus vocais pop possuem uma pitada do tom de assinatura de Cher Lloyd, enquanto ela declara o que faria por amor e o que um relacionamento significa para ela. Ao lado do rapper T.I., interpreta a canção “I Wish”, que também foi o primeiro single do álbum. Com uma pegada R&B e um som nostálgico, “I Wish” é uma canção divertida onde a cantora conta o que seria necessário para conquistar o garoto que ela tanto deseja. As rimas de T.I. dão uma perspectiva diferente para a música, a tornando mais em um triângulo amoroso do que um amor não correspondido.

“Sirens” é a primeira balada do álbum, sendo sustentada melodicamente por acordes suaves de guitarras e um bom vocal. O título sugere que seria um espécie de música alta e irritante, mas a primeira coisa que ouvimos é uma guitarra, que apesar de inesperada, foi muito bem-vinda. Possui um pouco de profundidade em sua letra, mas que parecem ser apenas um gancho para mostrar suas habilidades vocais. “Dirty Love” é, sem dúvida, uma das faixas mais descartáveis do repertório, apresentando batidas e versos tão rápidos que tornam-se confusos e irritantes. É uma música saltitante, banguçada, onde Lloyd expressa que gostaria de ficar com um garoto selvagem que não lhe diga nada e te dê um sentimento de baixa auto-estima sempre que colocar suas roupas de volta. E o pior de tudo é o fato da canção ter 6 compositores creditados. É desanimador saber que seis pessoas se uniram para compor versos como: “You’re always so nice, I’m getting bored / You say the right things, I’m getting bored / And you always call first, I’m getting bored / Yeah, I’m getting bored”.

Felizmente, a próxima faixa é melhor e nos leva para o mesmo território de “Sirens”. Essa canção é “Human”, uma balada com uma percussão desafiante que consegue dar um tom emocional ao registro. A música ainda mostra um amadurecimento vocal de Cher Lloyd, além de uma letra vulnerável e significativa. O seu bom desempenho vocal, felizmente, consegue quebrar o irritante ritmo da faixa anterior. “Sweet Despair” mantém a boa atmosfera, com um ar sombrio no início, versos rápidos e um agitado refrão. Assim como “Sirens”, sua letra fala de um cara que a deixou por outra pessoa. A linha “Go on, put the knife in”, contribui e reforça o drama que ela está tentando transmitir. Em seguida, a cantora volta para o pop divertido e batidas contagiantes, com a faixa “Killin’ It”, outra produção de Shellback. É animada e trás de volta os elementos comuns e de auto astral da maioria de suas músicas. “Goodnight”, por sua vez, é uma balada acompanhada apenas de um violão, um rumo angelical e muito delicado vindo de uma pessoa que, normalmente, é ousada e impulsiva como Lloyd.

Cher Lloyd

“Goodnight” é despojada, possui um tom suave e uma letra doce, que poderia até servir como uma canção de ninar. Uma música que conseguiu apresentar um pouco mais da vulnerabilidade da cantora, com ela falando sobre conselhos de seu pai e sobre um garoto que a deixou. “M.F.P.O.T.Y.”, abreviação de “Motherfucking Party of the Year”, chega para quebrar, de novo, o ritmo lento e mais adulto da faixa anterior, para entrar com um clima totalmente festeiro e infantil. A música fala sobre você fazer o melhor e não ter arrependimentos quanto a isso, trazendo junto o insolente humor de Cher Lloyd. A última faixa do repertório é “Alone with Me”, produção de Benny Blanco, que fala sobre desejar alguém que não nota a sua presença. Um europop/pop-rock com outra dedicação amorosa, que embora tenha um refrão simples e repetitivo, não é uma música ruim. Em suma, “Sorry I’m Late” é álbum sólido, porém, isso não foi suficiente para a cantora destacar-se dentro do mainstream. Não há dúvida de que Cher Lloyd é detestada na mesma proporção que é amada.

Ela dividiu a opinião pública durante o seu tempo no X-Factor e na divulgação do “Sticks + Stones”. Ela sabe fazer música grudentas, mas o problema é que isso se deve muito por causa da natureza repetitiva de suas letras. Ao longo do álbum nós temos uma mistura do pop sueco (Max Martin, Benny Blanco, Shellback), bem como alguns co-escritores e colaboradores interessantes (Mike Posner e Tove Lo). Mas infelizmente, isso só contribui para gerar uma confusão entre as músicas, que embora sejam bem produzidas, é um conjunto esquecível. Apesar desses nomes interessantes por trás do processo criativo, não há qualquer evidência de originalidade aqui. E a atual fase da cantora não parece ser das melhores, pois foi divulgado que ela se desligou da gravadora Epic Records, provavelmente pelo fato do álbum não ter tido um bom retorno do público. De qualquer forma, Cher Lloyd é nova, talentosa e uma garota com atitude. Portanto, é provável que futuramente ela consiga dar um rumo bem melhor para a sua carreira e crescer como artista.

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Favorite Tracks: “I Wish (feat. T.I.)”, “Sirens”, “Human” e “Goodnight”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.