Resenha: Charli XCX – SUCKER

Lançamento: 15/12/2014
Gênero: Pop Punk, Pop, Punk Rock
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Rostam Batmanglij, Patrik Berger, Benny Blanco, Cashmere Cat, Stefan Gräslund, John Hill, Jerry James, Greg Kurstin, Steve Mac, Justin Raisen, Jarrad Rogers e Stargate.

A cantora britânica Charli XCX lançou em dezembro de 2014 o seu segundo álbum de estúdio, intitulado “SUCKER”. O disco contém treze faixas e veio para suceder o “True Romance”, disco lançado em abril de 2013. Charli XCX é conhecida por sua participação em hits como “I Love It” e “Fancy”, com Icona Pop e Iggy Azalea, respectivamente. “SUCKER” estreou no número #28 da parada de álbuns dos Estados Unidos, ao vender pouco mais de 28 mil cópias em sua primeira semana. O primeiro single foi “Boom Clap”, canção que chegou a figurar no top 10 da Billboard Hot 100 e está incluída na trilha sonora do filme “A Culpa é das Estrelas”. Esse é o seu primeiro álbum a ser lançado por uma grande gravadora, enquanto foi recebido por muitas críticas positivas, que louvaram o seu estilo único e reminiscente. Para o “SUCKER”, XCX trabalhou com diversos produtores, entre eles o duo Stargate, Rivers Cuomo, vocalista da banda Weezer, e Rostam Batmanglij da banda Vampire Weekend.

“SUCKER” possui boas influências do punk, conforme a cantora listou o Weezer, The Hives e Ramones como principais inspirações. O álbum abre com a faixa-título, “SUCKER”, onde a jovem de 22 anos a introduz com um exaltado “Fuck you, sucker!”. Nessa canção, ela se entrega com tanta alegria e crueldade, que dificilmente você não irá se envolver. A segunda faixa, “Break the Rules”, é dançante e um dos destaques do repertório. Possui um ótimo riff de guitarra e um grande espírito punk por trás do refrão (“Não quero ir à escola / Só quero quebrar as regras”). Em seguida, temos bons tambores e uma boa harmonia na punk “London Queen”, sua melhor inspiração dos Ramones. Enquanto isso, a estridente “Breaking Up” abre com um brilho maldoso (“Você tem uma tatuagem feia e usa perfume barato”) e possui um refrão enfatizado por repetições e cantos em massa.

A quinta faixa, “Gold Coins”, mescla guitarras britpop com divertidos efeitos sonoros de um sintetizador. “Doing It”, por sua vez, é uma faixa irresistível, que apresenta cintilantes sintetizadores e a boa dose de humor que Charli XCX cultiva. O hit “Boom Clap” explodiu e dominou várias paradas musicais e é, sem dúvida, a mais cativante de todo o álbum. Uma canção pop que lembra o som que dominou o seu disco de estreia, sendo até maior sonoramente, que a maioria das músicas dele. O seu engenhoso refrão é viciante, graças aos fortes tambores e a memorável melodia. “Famous”, oitava faixa, não se sobressai tanto quanto as outras faixas, mas expõe uma Charli XCX mais vulnerável que ainda não tem certeza do seu status dentro do mundo pop. No amor-próprio de “Body of My Own”, XCX soa bem moderna, ao expor a masturbação na letra: Não preciso de você, meu toque é melhor / Estou ficando muito mais excitada.

Charli XCX

A décima faixa, “Hanging Around”, é outro ponto alto do disco e foi co-escrita pelo vocalista do Weezer, Rivers Cuomo. Aqui, a cantora brinca com o estilo de vida das celebridades, em uma sonoridade fortemente influenciada por “Beverly Hills” do Weezer. Além disso, a personalidade, presença, alegria e paixão pela vida de Charli XCX, conseguem dar uma boa consistência para “Hanging Around”. Nos versos de “Die Tonight” a cantora demonstra um sentimento verdadeiro pelo rock & roll: “Rolling Stones em meu telefone / Curtindo no seu quarto, sentindo como se nós fôssemos rock ‘n’ roll”. Por outro lado, na penúltima faixa, “Caught in the Middle”, ela soa clichê e entediante com o repetitivo refrão: “Nossos corações estão presos no meio / Presos no meio do amor”.

Felizmente, depois de uma faixa esquecível, o álbum fecha com um excelente número, a canção “Need Ur Luv”. Com ajuda da sensibilidade de Rostam Batmanglij na produção e composição, Charli entrega ótimos vocais e um teclado incrivelmente saltitante. “Need Ur Luv” é um dos melhores trabalhos vocais da cantora, uma faixa animadora que mostra o quanto ela é única. Apesar de não ser o seu disco de estreia, “SUCKER” é, para todos os efeitos, uma grande introdução de Charli XCX aos olhos do grande público. Não que o “True Romance” não tenha construído uma boa notoriedade para a britânica, mas, definitivamente, ela acumulou um buzz muito maior depois do sucesso de “Fancy”. Graças a “Fancy” e “Boom Clap”, a voz de Charli esteve entre as mais onipresentes de 2014.

E mais do que muitos outros hitmakers, ela tem um som e personalidade bem distinta. Isso é um mérito para ela, visto que não perdeu sua identidade mesmo trabalhando com diversos produtores. Mesmo com suas falhas e ausência de composições profundas, “SUCKER” é realmente um dos discos pop mais dinâmicos de 2014. Um álbum divertido, carismático e com um conteúdo bom o suficiente para atingir ouvintes de vários gêneros musicais. É também um disco repleto da mesma criatividade dos seus trabalhos anteriores, um sentimento visto em quase todas as faixas. O seu exuberante vocal, que transmite emoção nos momentos certos, e a fusão de influências musicais, foram os principais pontos responsáveis por tornar o “SUCKER” em um álbum memorável e polido.

Favorite Tracks: “Break the Rules”, “Boom Clap” e “Need Ur Luv”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.