Resenha: Cashmere Cat – 9

Lançamento: 28/04/2017
Gênero: Eletrônica, R&B Alternativo
Gravadora: Interscope Records
Produtores: Cashmere Cat, Benny Blanco, Sophie, Frank Dukes, Holy Other, Evian Chist, Pop Wansel e Toro.

Magnus August Høiberg, mais conhecido por Cashmere Cat, é um DJ e produtor norueguês de 29 anos. O seu primeiro EP, “Wedding Bells”, foi lançado em 2014 com um total de cinco canções. Posteriormente, depois de algumas colaborações de peso, com Selena Gomez e Ariana Grande, Cashmere Cat lançou em 2017 o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “9”. Magnus Høiberg é um personagem estranho, mas um produtor admirado por vários artistas da indústria. Muitos desse artistas aparecem no “9”, tais como The Weeknd, Ariana Grande, Selena Gomez e Jhené Aiko. Boa parte do álbum é viciante e atraente, e funciona como uma mistura sólida dos estilos de Cashmere. O seu som de assinatura costuma ser despojado, mas com elementos suficientes para mantê-lo interessante. Embora tenha músicas realmente muito boas, a álbum como um todo, infelizmente, não consegue atingir o poder máximo de Høiberg. Por mais doloroso que seja dizer, “9” é muitas vezes estranho e confuso. Cashmere Cat tenta combinar o mundo pop com gêneros como future-bass, mas falha. Em algumas das músicas mais pop do repertório, ele toca no território trap. Mas, para ser franco, ele não consegue ser bem sucedido. O álbum não é coeso, algo que ele causou por confiar demais nas colaborações. Dado as suas falhas, eu não posso deixar de dizer que também há alguns momentos brilhantes no “9”. “Quit”, com os vocais encantadores de Ariana Grande, assim como “Wild Love”, com The Weeknd, são bons exemplos disso.

Depois de ouvir todo o álbum, você começa a perceber que a superprodução mais atrapalha do que ajuda. Separadamente, cada faixa soa muito melhor do quando colocadas em conjunto. Na verdade, a única música onde Cashmere Cat aparece sozinho, “Victoria’s Veil”, parece uma cópia mal feita de “With Me” (faixa do EP “Wedding Bells”). Talvez seja por isso que Høiberg confia tanto em seus convidados. Todos nós sabemos que Cashmere Cat pode alcançar maiores alturas, como visto em seu EP “Mirror Maru”. Esperamos que em futuros trabalhos ele planeje e desenvolva melhor os seus álbuns completos. “9” abre com “Night Night”, uma orquestra eletrônica, estática e futurista, com vocais especiais de Kehlani. É uma introdução interessante, apesar de ser extremamente repetitiva. Somente seis palavras são realmente cantadas em torno de dois minutos de duração. A segunda faixa, “Europa Pools”, abre com vocais fortemente alterados. A voz com alma da americana Kacy Hill aparece através de uma neblina arrepiante de percussões, antes de entrar em um dos melhores drops do álbum. A faixa-título, “9 (After Coachella)”, conta com as participações da dinamarquesa MØ e do escocês SOPHIE. Aqui, uma produção mais suave foi sacrificada para criar um banger lindamente caótico. Inicialmente, a faixa começa com um híbrido e colorido trap-pop, mas rapidamente transforma-se com seu drop industrial. Ademais, é uma canção que utiliza, principalmente, um xilofone tropical e uma máquina de tambor em sua composição. “Wild Love”, com The Weeknd e Francis and the Lights, é um verdadeiro triunfo.

Uma canção de R&B alternativo com falsetes de Francis Starlite, vozes distorcidas, batidas trap, pulsos elétricos e ótimos vocais de Abel Tesfaye. Os elementos de R&B acentuam perfeitamente sua incrível voz, principalmente quando ele atinge seu registro inferior. “Quit”, com Ariana Grande, é provavelmente a melhor faixa do registro. Uma canção de quatro minutos de duração, que mostra a evolução no som de ambos artistas através de uma brilhante produção. Essa é a terceira colaboração de Cashmere Cat e Ariana Grande, as outras duas foram “Be My Baby” e “Adore”. Felizmente, nessa faixa o DJ retrocedeu um pouco e permitiu que o registro mais baixo de Ariana Grande tomassem o centro do palco. As letras são particularmente muito boas, pois são as primeiras no álbum que realmente beneficiam a música. É uma canção que flutua através de grandes melodias e sintetizadores celestiais, que resultam numa canção de amor excepcionalmente melancólica. Um dos momentos mais estranhos e definidores do álbum é a faixa “Infinite Stripes” com Ty Dolla $ign. No final da canção, Cashmere Cat se lança num emaranhado de sintetizadores esquisitos antes de se jogar num inesperado tropical-house. O lado mais selvagem do DJ é mostrado em “Trust Nobody”, um dueto vocal entre Selena Gomez e Tory Lanez. É uma canção agradável e radio-friendly que detalha os desejos de manter seus respectivos conflitos de forma discreta.

Musicalmente, é uma música de deep-house e tropical-house com algumas influências de dancehall. O single “Love Incredible”, com Camila Cabello, foi a música que mais me surpreendeu. Eu não esperava uma produção tão sobrecarregada e melancólica, com um enorme refrão a disposição. A colaboração de Høiberg com a ex-membro do Fifth Harmony, é uma faixa eletropop e R&B muito cativante. A voz de Camila Cabello parece um pouco manipulada, mas se encaixa muito bem à produção estranha de Cashmere Cat. A última canção do álbum, “Plz Don’t Go”, é uma colaboração com a cantora Jhené Aiko. Apesar da exuberante produção R&B, o primeiro drop é uma combinação de vocais agudos e flautas. Entretanto, no segundo drop, Cashmere optou por utilizar violinos, bateria e sintetizadores. Graças a voz magistralmente melancólica de Jhené Aiko, essa música serviu como um desfecho ideal para o registro. No geral, “9” é um álbum sólido com algumas músicas boas. Porém, elas são boas por causa dos convidados e não especialmente por conta da produção de Cashmere Cat. Na maioria das vezes, ele tenta fazer uma colagem exagerada de sons e acaba perdendo o foco da melodia. Em vez de deixar a música mais legal, ele a deixa cansativa e dissonante. Magnus Høiberg é um cara talentoso, mas ele precisa aprender a equilibrar o seu lado alternativo. Em suma, foi desanimador ver Cashmere Cat nos dar um projeto tão regular, depois de uma espera consideravelmente longa.

Favorite Tracks: “Wild Love (feat. The Weeknd & Francis and the Lights)”, “Quit (feat. Ariana Grande)” e “Trust Nobody (feat. Selena Gomez & Tory Lanez)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.