Resenha: Cash Cash – Blood, Sweat & 3 Years

Lançamento: 24/06/2016
Gênero: EDM, House Progressivo, Dance-pop
Gravadora: Big Beat Records / Atlantic Records
Produtor: Cash Cash.

“Blood, Sweat & 3 Years” é o quarto álbum de estúdio do trio Cash Cash, o seu primeiro esforço pela Atlantic Records e Big Beat Records após uma série de EPs e singles. O título desse novo álbum oferece uma pequena síntese do repertório. Embora não seja um disco coeso, esse registro contém uma abundância de canções de sua marca registrada. Com uma história que começou em 2002 sob o nome de The Consequence, antes de transformar-se em Cash Cash em 2008, o trio é formado pelos irmãos Jean Paul Makhlouf e Alex Makhlouf, juntamente com Samuel Frisch. Com uma coleção atolada em 16 faixas, o disco possui colaborações com Anjulie, Bebe Rexha, Christina Perri, Dev, John Rzeznik do Goo Goo Dolls, Julia Michaels, Neon Hitch, B.o.B, Busta Rhymes, Nelly, entre muitos outros.

Esse disco é o primeiro a seguir completamente pelo território EDM, um mercado muitas vezes preenchidos por singles de sucesso. A direção EDM tomada com este álbum domina grande parte do registro. Consequentemente, eles mergulham fortemente em notas de sintetizadores, tambores, aplausos e drops saturados. Faixas como “How to Love”, com refinados vocais de Sophia Reyes, e “Millionaire”, com o rapper Nelly, foram anteriormente lançadas como singles e estabelecem um clima bem tropical. “Broken Drum”, com Fitz & The Tantrums, que também foi divulgada antes do álbum sair, dispõe de uma produção deep-house, solos de sintetizadores, suaves vocais e um ambiente energético.

O arranjo da música e a melodia cantada por Christina Perri em “Hero”, tem uma variedade rítmica muito orgânica e ainda dispõe de teclados e instrumentos elétricos. Da mesma forma, a mixagem e masterização de “Lightning” exalta ainda mais o rico vocal de John Rzeznik do Goo Goo Dools. No álbum também temos elementos de rap e enchimentos trap como ouvimos em “Devil”. Vocalmente, essa canção apresenta os rappers Bustha Rhymes e B.o.B, e alguns ganchos sem profundidade de Neon Hitch. Canções como o crossover “The Gun” (com Trinidad James, Dev e Chrish) e “Sweat” (com Jenna Andrews) também trazem elementos trap para à mesa, ostentando alguns sintetizadores em expansão e batidas do gênero.

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O house progressivo de “Aftershock” apresenta a cantora aspirante Jacquie Lee. Sua melodia eletrônica e energética, é contemplada por letras que falam sobre alguém que não consegue superar a distância de outra pessoa. “Turn” e o EDM/house-progressivo “Surrender” apresentam produções desgastadas, com uma fórmula pop, simples batidas dance e cansativas vinhetas de sintetizadores. “Turn”, particularmente, ainda possui um som acústico up-tempo que acrescenta um pouco de energia. Liderada por Little Daylight, essa canção fala sobre momentos sombrios de um casal. Uma das poucas canções que não possuem convidados, “Escarole”, vê o trio se afastando do estilo pop-orientado que domina o álbum, para concentrar-se em um número house pesado no baixo.

“Escarole” é um banger consistente pronto para as pistas de dança. “Arrows in the Dark”, com Anjulie, é outro destaque do álbum, pois contém teclas pesadas e uma instrumentação muito cativante. Os versos são sublinhados por progressões e acordes deep-house que acumulam-se em bons drops. “We Will Live”, por sua vez, chama atenção por conta da contribuição vocal do duo Night Terrors of 1927. Definida por um ritmo eletro-house, essa música é guiada por melodias de sintetizador e uma instrumentação exuberante que lembram as produções do Avicii. A faixa treze, “Bada Boom”, é realizada em conjunto por teclados e tambores pesados que acabam causando um efeito parecido.

Curiosamente, Cash Cash colocou um single de 2013, intitulado “Take Me Home”, na extremidade inferior do registro. É outra canção EDM e eletro-house complementada por vocais de Bebe Rexha, que dão uma sensação eletrizante e empolgante para o ouvinte. Em vez de canalizar suas influências, esse novo registro do Cash Cash imita alguns trabalhos de outros artistas. Embora haja alguns bons momentos no seu interior, “Blood, Sweat & 3 Years” é, em sua maior parte, um material previsível e superficial. Para começar, o repertório não deveria conter 16 faixas. Essa enorme quantidade de canções tirou qualquer possibilidade de um álbum coeso. É um projeto satisfatório, sem qualquer surpresa.

60

Favorite Tracks: “How to Love (feat. Sophia Reyes)”, “Broken Drum (feat. Fitz and The Tantrums)”, “Hero (feat. Christina Perri)”, “Arrows in the Dark (feat. Anjulie)” e “Take Me Home (feat. Bebe Rexha)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.