Resenha: Carly Rae Jepsen – Kiss

Lançamento: 14/09/2012
Gênero: Dance-pop, Pop, Nu-Disco
Gravadora: Interscope Records / 604 Records / Schoolboy Records
Produtores: Josh Abraham, Klas Åhlund, Dallas Austin, Justin Bieber, Scooter Braun, Cory Enemy, Toby Gad, Jordan Gatsby, GoonRock, Kuk Harrell, Lukas Hilbert, Colin Janz, Matthew Koma, Max Martin, Mighty Mike, Oligee, Josh Ramsay, Redfoo, Jonathan Simkin, Ryan Stewart e Adam Young.

Carly Rae Jepsen marcou o ano de 2012 com o seu smash-hit “Call Me Maybe”, canção que chegou a receber duas indicações ao Grammy Award. Graças ao sucesso adquirido com esse single, a cantora canadense teve a oportunidade de lançar o disco “Kiss”. Divulgado em 14 de setembro de 2012, o álbum expandiu o som de Jepsen no mainstream. Ele deu a oportunidade para ela mostrar para que veio, após lançar o modesto “Tug of War” quatro anos antes. Tematicamente, o título do disco nos remete ao “Teenage Dream” de Katy Perry, mesmo sem soar como ele melodicamente. Foi um álbum bem oportuno para a época, pois havia algo de refrescante em ouvir o romance explorado por ele. Em 2012, Carly Rae Jepsen teve Justin Bieber como um grande apoio, além da administração de Scooter Braun, o cérebro por trás da carreira de Bieber. O sucesso de “Call Me Maybe” parecia inevitável, uma vez que ninguém conseguia resistir às suas viciantes cordas. Jepsen poderia não ter o star quality de cantoras como Katy Perry e Rihanna, ou os vocais poderosos de Adele, mas ela tinha carisma e músicas realmente boas. A produção do “Kiss” é adequadamente moderna e mais consistente do que seus primeiros singles sugeriam. Ela teve como apoio a produção de hitmakers que vão desde Max Martin e Bonnie McKee até Redfoo do LMFAO. “Kiss” possui suas falhas, entretanto, Jepsen consegue transmitir muita sinceridade e carisma durante todo o repertório. Além disso, a sua voz é um instrumento bastante eficaz, mesmo sem um enorme alcance vocal. Enquanto o registro é uma pequena nota do talento e criatividade de Carly Rae Jepsen, ele permite que o ouvinte consiga se divertir.

Diferente do “E•MO•TION” (2015), nesse disco a cantora não se leva muito a sério. A faixa de abertura, “Tiny Little Bows”, é uma boa maneira para se começar o álbum. É uma canção que dá uma ideia do que o “Kiss” tem para oferecer. É um número funk e pop-bubblegum que encaixa-se com a temática adolescente do repertório. Liricamente, é uma típica canção sobre uma garota que pensa muito naquele cara que não sabe da sua existência. “This Kiss”, terceiro single do álbum, é uma música dance-pop e nu-disco bem catchy. É uma das faixas mais fortes do álbum, com sintetizadores de direção, conteúdo lírico atraente e melodia açucarada. Produzida por Redfoo, é uma canção doce, convidativa e com uma natureza incrivelmente leve. Jepsen canta sobre um beijo que ela não consegue resistir. A cantora consegue captar um sentimento universal e transformá-lo em algo muito cativante. O huge-hit “Call Me Maybe”, canção mais conhecida da Carly Rae Jepsen, aparece como terceira faixa do álbum. É um dos singles mais vendidos digitalmente nos Estados Unidos, com cerca de 7,6 milhões de downloads pagos. “Call Me Maybe” é uma música dance-pop com influências de disco, que fala sobre o amor à primeira vista. Escrita por Jepsen e Tavish Crowe, com produção de Josh Ramsay, é uma música otimista que chama atenção por conta do irresistível conteúdo lírico e refrão viciante. Durante o refrão, Jepsen mostra o quanto está atraída por uma pessoa, cantando: “Ei, acabei de te conhecer / E isso é loucura / Mas aqui está o meu número de telefone / Então me ligue, talvez?”.

É inegavelmente uma música chiclete, por mais irritante que tenha sido o seu sucesso, uma vez que em 2012 a canção tocou em tudo quanto é lugar por meses. Conforme o refrão começa, o fundo incorpora cordas sintetizadas e sincopadas incrivelmente viciantes. O refrão é bem melódico, extravagante e vistoso. Produzida e co-escrita por Ryan Stewart, “Curiosity” é uma música dance e synthpop up-tempo que fala sobre uma garota maltratada por alguém que implora por mais do seu amor. É uma música que mistura estilos e alterna seu tempo várias vezes. Apesar da atmosfera sintetizada, retém um som acústico muito adequado. Liricamente, não mostra muita singularidade, porque é mais uma canção de amor sobre ela querer alguém que não sabe exatamente que ela existe. A letra também sugere um tom mais escuro do que a música ilustra, com letras como: “Você quebra meu coração / Só para vê-lo sangrar”. Mas é o refrão que torna-se o ápice da música, pois possui alguns “oh oh oh oh” irresistíveis que bombeiam uma grande quantidade de energia. “Good Time”, o outro hit do álbum, é uma parceria com Adam Young (membro solo do projeto Owl City). Uma refrescante fatia de synthpop e dance-pop, bastante alegre e fácil de cantar junto. Ela possui todos os requisitos para tornar-se uma canção radio-friendly, uma vez que é totalmente divertida e cativante. A balada up-tempo “More than a Memory” é um pouco esquecível, embora possua uma percussão oleosa e bons toques de violão. Ela não contém o escape propulsor das melhores faixas do álbum, mas tem o mesmo vocal ansioso.

Dessa vez, Carly fala sobre as oportunidades perdidas com seu namorado, conforme lembra: “Naquela noite eu quase disse que te amava / Você quase disse de volta”Em seguida, Jepsen canta na faixa “Turn Me Up”: “Completamente sozinha, aqui estou eu / Eu não sei o que eu estou procurando / Agora que você é apenas um amigo / Eu não posso te chamar e te perguntar”. A letra é muito boa, pois permite que a cantora apegue-se a alguma sutileza vocal e lírica. Aqui, ela se mostra verdadeiramente afetada por sua antiga paixão. O brilho da produção escorrega sem grandes esforços pela extravagância de um sintetizador. “Hurt So Good” mostra mais um padrão romântico, e sente-se basicamente como uma repetição lírica e sonora das faixas anteriores. É uma faixa up-tempo construída ingenuamente sobre uma história de amor. Infelizmente, não mostra qualquer aptidão para destacar-se das demais. A colaboração com Justin Bieber, “Beautifil”, deve ter agradado os fãs do cantor. É uma faixa que dá algum espaço para Carly Rae Jepsen pisar fora do universo dance-pop de todo o álbum. É uma balada pop e folk conduzida por uma simples guitarra acústica. Enquanto as harmonias são lindas, a letra e melodia infelizmente são bem esquecíveis. Produzida por Lukas Hilbert, Max Martin e Peter Luts, “Tonight I’m Getting Over You” é um banger eletropop bastante vulnerável. Seu tema gira em torno de um término, com letras sobre como esquecer seu ex-namorado. 

“Quero tocar seu coração / Quero apertá-lo com minhas mãos / Fazer um apelo e chorar / Enquanto você desiste de todas as mentiras”, ela canta no primeiro verso. Ela aborda sentimentos que surgem após um rompimento amoroso, como ouvimos ela dizer que cansou das mentiras e promessas quebradas do seu ex. Além dos elementos de dubstep, “Tonight I’m Getting Over You” contém um dos melhores vocais do álbum. “Guitar String / Wedding Ring”, por sua vez, tem um conceito atraente, mas uma execução meio desajeitada. No geral, o que mais chama atenção nessa música é o forte sintetizador e divertido refrão. A última faixa, intitulada “Your Heart Is a Muscle”, usa uma abordagem sonora mais emocionante. É uma tentativa de Jepsen em finalizar o álbum com uma maior carga de emoção. Diferente de boa parte do repertório, “Your Heart Is a Muscle” não tenta bombear o ouvinte com um pop açucarado. Em vez disso, faz uso de teclas de piano e ótimos tambores. É uma música calmante com um conteúdo lírico mais interessante e profundo. A maior parte do “Kiss” possui uma natureza similar, seja tematicamente ou sonoramente. Carly não sentiu a necessidade de explorar muitos gêneros ou estilos neste álbum. “Kiss” pode não ser um grande álbum pop, mas entregou o que Carly se propôs a fazer. É um bom registro, mas um movimento muito seguro para o mainstream. Felizmente, a cantora amadureceu no decorrer dos anos e decidiu mostrar algo mais criativo no “E•MO•TION” (2015).

Favorite Tracks: “This Kiss”, “Call Me Maybe” e “Curiosity”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Sorry Not Sorry!!!!

    Amei a resneha. O cd é um ótimo pop teen que tem bons momentos.
    P.s.: Faca resenha do Curiosity EP.

    • Leo

      Tem algumas músicas muito boas mesmo.

      • Sorry Not Sorry!!!!

        Mostra que ela tem muito talento e que ela pode fazer qualquer coisa. Eu acho a voz dela boa, nao é uma Xtina/Whitney/Mariah da vida, mas canta muito bem tanto em estúdio e ao vivo (veja os lives de All That).

        • Leo

          Sim, ela é realmente talentosa! E o “Emotion” é a maior prova disso.

          • Sorry Not Sorry!!!!

            Vc tem previsão de quando vc vai postar a resenha do Curiosity EP?
            Emotion provou que ela é muito mais que Call Me Maybe e fez as pessoas ficar de olho na musica pop dela de extrema qualidade.