Resenha: Carly Rae Jepsen – E•MO•TION: Side B (EP)

Lançamento: 26/08/2016
Gênero: Pop, Dance-pop
Gravadora: 604 Records / School Boy Records / Interscope Records
Produtores: CJ Baran, Dibs, Carl Falk, Greg Kurstin, Chris Lyon, Ben Romans, Nick Ruth, Kyle Shearer, Ryan Stewart, TMS e Rami Yacoub.

Duas semanas atrás fomos surpreendidos por um novo material de Carly Rae Jepsen, intitulado “E•MO•TION: Side B”. O lado B do “E•MO•TION” foi anunciado justamente no primeiro aniversário do álbum. Um EP que apresenta canções inéditas de um dos álbuns mais aclamados de 2015. Obviamente, o som do lado B continua na mesma veia do álbum, onde sintetizadores e uma vibe disco-funky dominam a paisagem sonora. Portanto, “E•MO•TION: Side B” é uma continuação do álbum original. De acordo com Carly Rae Jepsen, ela lançou este EP para presentear os fãs que a apoiaram durante sua turnê. Ela descreveu as faixas como “músicas extras” criadas durante o processo do “E•MO•TION”. É tão estranho que um dos melhores álbuns pop de 2015, tenha sido um dos registros com mais baixo desempenho comercial.

“E•MO•TION” foi certamente uma das ofertas mais interessantes e criativas do ano passado. Carly Rae Jepsen pode ser conhecida como a cantora de “Call Me Maybe”, mas, a sua inovação com o “E•MO•TION”, foi o seu melhor êxito até o momento. Assim como o lado A, “Side B” está repleto de sintetizadores pulsantes, percussão magistral, influência da década de 80 e nostalgia. As letras são, mais uma vez, uma mistura de amor, medo e felicidade. “E•MO•TION: Side B” começa exatamente onde o álbum original parou. “First Time” é um número synth-funky com fortes vibes oitentistas e uma melodia infecciosa. A dificuldade em controlar suas emoções, depois de ter seu coração partido, é um destaque nessa canção. No entanto, dado o conteúdo lírico sombrio, a sua abordagem é mais otimista que o esperado. A produção borbulhante de “First Time” apresenta vocais alegres e sintetizadores a cercando-a.

Carly Rae Jepsen

Ao longo do álbum, a inspiração oitentista prevalece, conforme Jepsen canta ao longo de muitos sintetizadores e sons clássicos que, muitas vezes, são misturados à batidas disco. Essa combinação faz ela soar moderna e nostálgica na mesma proporção. Com uma introdução mais escura, a emocionante “Higher” é um dos melhores momentos do EP. Essa é a única faixa do repertório que não foi co-escrita por Jepsen. Escrita por Claude Kelly e produzida por Greg Kurstin, é um synthpop vintage quase reminiscente de Ariel Pink e/ou Toro y Moi. Mais uma vez, o contraste entre os instrumentos e letras adicionam camadas maravilhosas à música. “Você me leva mais alto do que o resto / Todos os outros vem em segundo / Você tirou uma joia dessa bagunça / Eu era tão cínica antes, eu confesso”, ela admite, tentando lidar com novos sentimentos encontrados.

Em “The One” a cantora rejeita o conceito de um amor verdadeiro, em meio a letras mais aguçadas. Novamente, ela soa nostálgica, graças a produção inspirada nos anos 80. Na superfície não há nada de poderoso sobre sua voz, entretanto, ela destaca-se pela composição global. Igualmente à “First Time”, os fãs já tiveram oportunidade de ouvir “Fever” anteriormente. A canção também havia sido incluída no “Emotion Remixed +”, álbum lançado exclusivamente no Japão em março desse ano. Apesar de ser uma faixa mais discreta, possui um ótimo refrão e seu vocal como foco principal. “Fever” é uma balada liricamente e musicalmente encantadora, que apresenta sentimentos unilaterais depois de uma separação. “Então eu roubei sua bicicleta / E pedalei a noite toda”, ela canta no mágico pré-refrão. “Body Language”, por sua vez, possui letras carregadas de ansiedade, uma canção sobre a necessidade de ficar com alguém.

Carly Rae Jepsen

Como boa parte do EP, ela também possui influências dance do final dos anos 80. Esse toque dá uma sensação brilhante para grande parte da música. “Cry” é, inegavelmente, um dos momentos mais encantadores de todo o álbum. Uma balada mid-tempo temperamental, escura e carregada de melancolia. As letras falam sobre um parceiro que está distante e não pode passar uma noite com você. A nebulosa instrumentação é carregada por brilhantes sintetizadores e um bassline poderoso. Simplista em termos de composição, essa balada reminiscente dos anos 80 emite vocais carregados de sentimentos e emoções. “Store”, por sua vez, possui letras divertidas que ilustram o fim de uma relação amorosa. Ela possui uma premissa e tom infantil, tanto que o refrão é repetitivo e desprovido de qualquer conteúdo.

Os versos são incrivelmente melódicos e cativantes, entretanto, o refrão deixa muito a desejar. O EP fecha com a mágica “Roses”, uma canção sobre a decisão de não reatar um relacionamento. Essa faixa apresenta diferentes métodos vocais de Jepsen, desde sussurros sensuais até uma natureza mais melancólica no refrão. “E•MO•TION: Side B” é a prova do talento de Carly Rae Jepsen, independentemente do seu sucesso nos charts musicais. Ela supostamente escreveu mais de 200 canções para o seu terceiro álbum de estúdio, por isso resolveu divulgar mais 8 delas para o mundo. Apesar de todas as faixas conter um pano musicalmente semelhante, o registro não é repetitivo. Percorrendo um caminho inspirado na música oitentista, o EP apresentou canções tão grandes quanto as que fizeram parte do álbum.

75

Favorite Tracks: “First Time”, “Higher”, “Fever”, “Cry” e “Roses”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Não Gostou Tô Nem Aí!!!

    Amei a critica e vc escreveu muito bem!
    P.s.: Ela não gravou 200 musicas, ela escreveu 200 musicas, mas ela apenas escolheu as 40 melhores que se encaixava na temática do Emotion e selecionou 25 para gravar.

    • Leo

      Obrigado! 😀
      Valeu pela informação, corrigi a review.