Review: Camila Cabello – Camila

Lançamento: 12/01/2018
Gênero: Pop
Gravadora: Epic Records / Syco Music / Sony Music
Produtores: Frank Dukes, Bart Schoudel, Jarami, Jesse Shatkin, Kuk Harrell, Louis Bell, Matt Beckley, Pharrell Williams, Skrillex, T-Minus, The Futuristics e Twice as Nice.

O primeiro álbum solo da Camila Cabello é bem-sucedido e consegue mostrar todo o seu talento e carisma. Ele foi lançado na sequência do enorme sucesso da fabulosa “Havana”.

Depois de deixar o grupo Fifth Harmony em dezembro de 2016, Camila Cabello começou a preparar-se para uma carreira solo. Em meados de 2017, a cantora nascida em Cuba divulgou o seu single de estreia, “Crying in the Club”. Apesar de ser uma boa música, o seu desempenho comercial foi muito abaixo do esperado. Sem mostrar qualquer desânimo, Camila resolveu lançar um novo single ao lado do rapper Young Thug, intitulado “Havana”. O título é uma referência a capital de Cuba e também ao local de nascimento da própria cantora. Diferentemente de “Crying in the Club”, o novo single obteve um excelente desempenho comercial, alcançando o número #1 em diversos países ao redor do mundo. Foi um acerto e tanto, pois mudou completamente o rumo de sua carreira. Aproveitando-se do impacto de “Havana”, Cabello resolveu lançar o seu álbum de estreia em janeiro de 2018. Apenas chamado de “Camila”, o álbum possui dez faixas inegavelmente pessoais que exploram o amor, perda, amizade, desgosto e crescimento. Inicialmente, o disco iria chamar-se “The Hurting. The Healing. The Loving”, porém, teve o seu título alterado e indicou algumas mudanças no processo criativo.

Faixas promocionais lançadas anteriormente, como “Crying in the Club”, “I Have Questions” e “OMG” não foram incluídas no álbum. “Camila” é um registro elegante, refrescante e principalmente pop, com elementos de música latina, reggaetón, R&B e hip-hop. O segundo single, “Never Be the Same”, inicia o álbum da melhor maneira possível. Uma balada simplista, doce e reflexiva de pop e R&B que nos atinge logo na primeira escuta. Começando com um falsete familiar, esta canção experimenta uma mistura de sons e letras que aparecem com frequência no decorrer do repertório. Sua vibe é bastante diferente de “Havana”, mas é tão boa e emocionante quanto. O refrão é grande, possui notas altas, tambores expansivos, efeitos ecoados e mostra com propriedade a potência do seu alcance vocal ilimitado. A interpretação de Camila está incrivelmente sentimental, emocional e apaixonada. “É você, amor / E eu sou uma idiota apaixonada pelo jeito que você se move, amor / E eu poderia tentar fugir, mas seria inútil / Você é culpado / Apenas uma dose de você e eu soube que eu nunca, nunca mais seria a mesma”, ela canta no refrão, enquanto prepara o palco para o restante do álbum.

A próxima faixa, “All These Years”, é um número de R&B sobre o amor e luxúria. É outra balada agradável com ótimos efeitos tridimensionais sobre sua voz. Desta vez, a produção possui apenas toques de violão e vocais vulneráveis. “Pois depois de todos esses anos / Eu ainda sinto tudo quando você está por perto / E foi apenas um “olá” rápido / E você já tinha que partir / E você provavelmente nunca saberá / Que você é o único / Para mim depois de todos esses anos”, ela canta no refrão ao mesmo tempo que exala um senso de maturidade. A partir daqui, o álbum continua crescendo à medida que sons latinos invadem faixas como “She Loves Control”. Uma música edificante com linhas de baixo mais elevadas, fortes tambores, toques de salsa, guitarras de estilo flamenco e letras como: “Cresci no Sul de Miami / Eu estava lá quando você me encontrou”A quarta faixa é o já conhecido huge-hit “Havana”, um single relativamente descontraído, sensual, misterioso e cheio de promessas. Liricamente, Camila Cabello presta devidas homenagens à sua herança cubana.

Apesar de algumas letras não possuírem um excelente artefato criativo, o refrão e o conceito por trás compensam isso. Os versos do rapper convidado Young Thug esfriam um pouco a intensidade da música, entretanto, isto não apaga sua qualidade. As habilidades vocais de Camila realmente aumentam a singularidade e aspecto cultural da canção. “Havana”, o seu local de nascimento, tem uma conexão profunda com ela e o amor que a mesma deixou para trás em sua terra natal. Podemos notar isso quando ela canta de forma cativante: “Metade do meu coração está em Havana”Esse verso permite que Camila Cabello exiba uma visão mais pessoal, pois é uma música latina que fala um pouco sobre sua história de vida. É refrescante saber que mesmo sendo tão jovem, ela conseguiu escrever e executar algo tão maduro. Da mesma forma que “She Loves Control” e “Havana”, a faixa “Inside Out” também possui influências latinas. Cordas de piano e bateria de aço exalam uma sensação reggae, enquanto as letras estão cheia de sentimentos românticos. “Consequences” é absolutamente emocional e, provavelmente, a música mais reveladora do álbum.

Uma balada de piano extremamente pessoal que discute alguns problemas frágeis. “Perdi um pouco de peso porque não estava comendo”, ela canta ao descrever um período ruim de sua vida. “Real Friends”, por sua vez, é uma canção acústica convincente conduzida apenas por uma guitarra. A sensação tropical e o sabor latino mais uma vez estão presentes, graças aos riffs acústicos. Liricamente, é uma canção honesta e reflexiva que aborda sua própria solidão. “Eu estou à procura de alguns amigos de verdade / Me pergunto onde eles estão escondidos / Toda vez que me abro para alguém / É quando descubro se eles valem a pena”, ela canta no refrão. A oitava faixa, “Something’s Gotta Give”, possui um pouco de empoderamento por trás, pois Camila Cabello canta sobre questões que muitas mulheres enfrentam. Uma balada de piano sombria que soa tão convincente e reveladora quanto “Consequences”. Em seguida, a cantora fornece mais vibrações latinas durante o refrão de “In the Dark”. Uma canção que combina cativantes melodias com ótimas batidas e atraentes ganchos vocais. Tematicamente, Camila vagueia por toda a música apresentando seus pensamentos mais internos.

A última faixa, chamada “Into It”, mostra um lado mais sexy, confiante e determinado sobre o amor. É uma música pop sedutora, descontraída, liricamente sensual, com vocais em falsete e produção eletrônica que pode facilmente tornar-se um sucesso. Letras como – “Eu vejo uma cama king-size no canto, nós deveríamos estar nela / Todas as coisas que eu quero fazer com você são infinitas / Quero dizer, se você tá dentro, eu tô dentro” – representam o melhor de sua atitude irreverente e brincalhona. “Camila” é um álbum consistente, pessoal e muito coeso. Com este registro, ela provou que pode colher ótimos frutos em sua recente carreira solo. Camila Cabello e o seu time de produtores utilizam técnicas de produção modernas, mas não de forma exagerada. A produção é relativamente modesta e orgânica, um ponto positivo para alguém tão jovem como ela. Certamente, “Camila” é uma estreia muito forte para uma artista que foi duramente criticada após deixar o grupo Fifth Harmony. Embora não seja absolutamente perfeito, é um álbum com um par de faixas dignas e convincentes. Portanto, merece a atenção de qualquer ouvinte de música pop!

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.