Resenha: Calvin Harris – Motion

Lançamento: 31/10/2014
Gênero: EDM, House, Synthpop
Gravadora: Fly Eye Records / Columbia Records
Produtores: Calvin Harris, Alesso, Firebeatz, Ummet Ozcan, R3hab e Ariel Rechtshaid.

Lançado em 31 de outubro de 2014, através da Columbia Records, “Motion” é o quarto álbum de estúdio de Calvin Harris. O disco inclui colaborações com Ellie Goulding, Gwen Stefani, John Newman, Tinashe, Big Sean, DJ Alesso, R3hab, Hurts e HAIM. Em sua semana de lançamento, o disco estreou em #2 na parada de álbuns do Reino Unido, graças as 37 mil cópias vendidas em sua primeira semana. Calvin Harris vem trabalhando desde 2007 e, embora muitos dizem que Rihanna o ajudou a ficar nos holofotes com a parceria no single “We Found Love”, ninguém pode negar que ele próprio traçou o seu destino com o lançamento de seu terceiro álbum de estúdio, “18 Months”. Com esse disco, ele lançou várias canções que tornaram-se hits mundiais, tais como “Feel So Close”, “Let’s Go” e “I Need Your Love”. Foi com esse álbum que ele transformou-se em um produtor e artista mundialmente conhecido. Agora, dois anos após lançar o “18 Months”, Harris lança o “Motion”, registro que traz novamente a sensibilidade e o pop notável que fez dele um nome familiar nos últimos anos.

A primeira faixa do álbum, “Faith”, é um número clássico de Calvin Harris, pois possui fortes vocais, um ambiente agridoce e uma técnica de produção altamente estilizada. É um grande grito de liberdade que, embora tenha uma letra simples e repetitiva, transmite com propriedade a mensagem da qual o título se destina: “I need a little space in my mind / I need that little hope I can’t find / I need a little, I need a little faith / Is that too much to ask for?”“Under Control”, com Alesso e o duo Hurts, foi lançada como primeiro single e é um dos grandes destaques do repertório. Além de alegres e brilhantes sintetizadores, a faixa ainda possui versos melodicamente agradáveis e um trabalho de produção incrível. Outra excelente escolha para single foi “Blame”, faixa que conta com ótimos vocais de John Newman. Um hino eletrônico dominante, que apresenta sintetizadores incisivos e memoráveis vocais, que deram ainda mais potência para, sem dúvida, a melhor faixa do álbum.

A sua letra conta a história de uma separação traumática, na qual o cantor repete aos gritos que a culpa do rompimento não é dele. O house de “Love Now” é conduzido por violinos e possui um ótimo vocal de Vanya Taylor, do trio All About She. Um som que consegue construir uma tensão ao mesmo tempo que fornece um doce alívio. O enigmático instrumental de “Slow Acid” chega com linhas de sintetizadores explosivos e uma total ausência de acompanhamento vocal. É mais uma reminiscência do filtro eletrônico pesado do final dos 2000 e uma boa tentativa do repertório de se distanciar de uma sonoridade mais mainstream. A instantaneamente cativante “Outside” é outra canção de destaque  que traz, como colaboração, o vocal angelical de Ellie Goulding. Os dois possuem uma grande sintonia e tentaram recapturar a magia anteriormente mostrada em “I Need Your Love”, porém, desta vez, em um cenário mais otimista. No banger “It Was You”, canção pronta para ser tocado em grandes festivais, Harris trabalhou com o duo holandês Firebeatz.

Calvin Harris

Uma faixa bem divertida, com poderosos sintetizadores, grandes batidas e um tom misterioso, que precede um refrão insano. Com vocais do próprio Calvin Harris, “Summer” é uma faixa meticulosamente bem construída, que tornou-se um grande hit mundial. Seus versos são extremamente cativantes e ainda possui um entusiasmo infeccioso que pode agradar qualquer um. Aqui, Harris utiliza picos dramáticos da música EDM, rodeado por um energético instrumental, a fim de transmitir a sensação de um passageiro caso de verão. “Overdrive”, com caracterização do DJ Ummet Ozcan, é um eletrohouse que mantém as coisas vibrantes. É fortemente impulsionada por sintetizadores nervosos, entretanto, eu a considero uma das mais esquecíveis do repertório. Na produção escassa da balada “Ecstasy”, temos novamente a bela voz de Theo Hutchcraft, vocalista da banda Hurts. Embora possua um tom de melancolia, essa não é tão cativante quanto “Under Control”, onde o duo também colabora.

O trio de irmãs do grupo HAIM colabora com Calvin Harris na faixa “Pray to God” e traz um ótimo equilíbrio para a melodia melancólica da canção. É realmente uma música forte, que possui uma vibração disco dos anos 1970 e uma borda de glam-rock que, misturado as batidas de Harris, tornou-se um número muito fresco e memorável. A batida de “Open Wide” é bem genérica e traz o rapper Big Sean como convidado. É a versão vocal da anteriormente lançada, “C.U.B.A”, do EP do seu single “Blame”. É uma proposta diferente e refrescante para o álbum, porém, é liricamente uma canção um pouco suja (“Open that shit wide / Let me see how big your mouth is”). A aguardada participação de Gwen Stefani aparece na faixa “Together”, uma das canções mais sexy. Como de costume, os vocais da cantora estão ótimos, bem como o tom está perfeito para o trabalho de produção de Calvin Harris. Pode não ser um hit em potencial, mas é uma canção muito pegajosa. “Burnin”, faixa instrumental, chega com a ajuda do DJ marroquino R3hab. Não é uma música espetacular, mas é dinâmica e super rítmica. Ela apresenta todos os sinais necessários e esperados a partir de um registro eletrônico.

A faixa de encerramento, “Dollar Signs”, é outro número agradável que, embora pareça ter sido produzido para Rihanna, onta com a participação da talentosa cantora Tinashe. Segundo a Forbes, Calvin Harris faturou em apenas doze meses uma quantia de US$ 66.000.000, fazendo dele o DJ mais bem pago do mundo. Ele foi o primeiro músico a colocar nove músicas de um único álbum (“18 Months”) no top 10 da parada de singles do Reino Unido. O “Motion” está repetindo o sucesso do seu antecessor, visto que três singles, dos quatro já lançados, atingiram o #1 lugar da mesma parada. Sem inovação e dentro da sua zona de conforto, o disco segue a mesma dimensão musical do “18 Months”, ao trazer, novamente, convidados de peso. Ao todo, é um álbum com uma forte presença, que pisa em territórios rap, rock, soul e house. Possui alguns momentos brilhantes e oferece uma sólida e eficaz produção de Harris. Ele se tornou, nos últimos anos, um dos arquitetos mais bem sucedidos da música EDM e, apesar de não demonstrar ambição com o “Motion”, entregou outro álbum satisfatório e recheado de boas execuções.

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Favorite Tracks: “Under Control (with Alesso feat. Hurts)”, “Blame (feat. John Newman)”, “Outside (feat. Ellie Goulding)”, “Summer” e “Pray to God (feat. HAIM)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.