Resenha: Busted – Night Driver

Lançamento: 25/11/2016
Gênero: Pop Rock, Pop Punk
Gravadora: East West Records
Produtores: John Fields e Alex Metric.

Os fãs do Busted tiveram que esperar treze anos para Charlie Simpson, James Bourne e Matt Willis lançar um novo álbum. Em 25 de novembro de 2016, a banda concedeu o desejo dos seus fãs ao lançar o disco “Night Driver”. Mesmo que com pouco entusiasmo e promoção, o trio britânico resolveu divulgar o seu terceiro álbum de estúdio. No seu interior, ainda temos letras pegajosas sobre questões adolescentes, mas também sobre casamentos destruídos, uma vez que os garotos já ultrapassaram a casa dos 30 anos. No decorrer de 12 faixas temos algumas músicas grudentas com pouca profundidade lírica, sintetizadores cintilantes e coros energéticos. O terceiro álbum do Busted só foi criado após uma rápida união feita com o McFly (como McBusted) no decorrer de 2013 e 2015. Essa é a primeira vez que o trio se reúne desde 2005, quando foi anunciado o fim da banda. Embora Busted não seja a mesma banda, seria precipitado esperar o mesmo som pop de quando eles eram adolescentes. Eles evoluíram e cresceram com o passar dos anos e, felizmente, sua atual música consegue mostrar isso. No “Night Driver” o trio resolveu trabalhar com John Fields, que já produziu para artistas como Demi Lovato, Miley Cyrus e P!nk.

O single promocional, “Coming Home”, foi escrito pelo trio e traz um vibe eletrônica refrigerada e uma viciante linha de sintetizador. No início, a música fornece um toque familiar com suas guitarras, mas depois emerge com um tom synthpop. Além do fator nostalgia e refrão altamente repetitivo, “Coming Home” proporciona vocais muito bons. A faixa-título, “Night Driver”, é uma peça radio-friendly conduzida por uma batida distinta, sintetizadores e influências oitentistas. É uma canção agradável pelo conjunto, mas que também sente-se um pouco fabricada. O primeiro single do álbum, “On What You’re On”, triunfa graças a forte influência do duo Daft Punk e da banda The 1975. É uma canção contagiante que explora gêneros como o funk e disco. Além de toda experimentação, contém um solo de saxofone muito interessante. “New York” pode ser considerada outro destaque do álbum, na medida que apresenta uma bateria incrível. É, sem dúvida, o elemento que mais impulsiona a música para frente. Através da guitarra elétrica, boa melodia, refrão emergente e vocais de Charlie Simpson, ela torna-se uma grande escuta. Uma boa dose de bateria também aparece na repetitiva “Thinking of You” e na penúltima faixa, “Out of Our Minds”.

Totalmente por fora do pop-punk de outros trabalhos, o Busted apresenta a faixa “One of a Kind”. Um número meio bizarro com sintetizadores coloridos, influências dos anos 80 e estranhos vocais de James Bourne. O passado da banda é melhor relembrado em músicas como “I Will Break Your Heart” e “Easy”. Essa última, por exemplo, não é a melhor música do álbum, mas pode ser nostálgica para aqueles que acompanham a banda a tanto tempo. “Kids with Computers”, por outro lado, é um furacão de sons digitalizados e irritantes. Enquanto isso, “Those Days Are Gone” é um número mais lento, sutil e genuíno. Ele pega um maior ritmo no refrão, mas é bom ver o Busted dando uma pausa nas faixas mais agitadas. No geral, “Night Driver” possui boas inspirações dos anos 80, mas não é relevante o suficiente para causar algum impacto. É um disco cativante no conjunto, mas muito carente de originalidade. Além disso, poucas são as canções que possuem o elemento nostálgico que os fãs esperavam. A maioria das músicas são honestas e mostram algum amadurecimento, porém, também são um pouco chatas. Seria estranho ver uma banda formada por três homens acima dos 30 anos, casados e com filhos, cantando sobre sua adolescência. Entretanto, as músicas do seu apogeu juvenil eram mais interessantes.

Favorite Tracks: “Coming Home”, “On What You’re On” e “New York”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.