Resenha: Bruno Mars – 24K Magic

Lançamento: 18/11/2016
Gênero: R&B, Soul
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Jeff Bhasker, Emile Haynie. Shampoo Press & Curl e The Stereotypes.

O novo álbum de Bruno Mars foi lançado em 18 de novembro de 2016, quatro anos depois do seu último disco. Com esse registro, o cantor mantém suas talentosas habilidades artísticas pelo qual já é conhecido, enquanto apresenta novos elementos de sintetizadores e modulação vocal. Com “24K Magic”, Bruno Mars transporta o final dos anos 80 e início dos anos 90 para a atualidade. Sonoramente cativante, o álbum é um projeto nostálgico que apresenta 9 faixas de R&B e soul. Enquanto “Treasure” explorou sons dos anos 70, seu terceiro álbum pisa mais no território funk dos anos 80. Dada a imensa popularidade de “Uptown Funk”, colaboração de Bruno Mars com Mark Ronson, não é surpreendente ver que ele inspirou-se nisso para criar o seu novo álbum. Além de abraçar o funk, “24K Magic” vê o cantor profundando-se no R&B, soul e pop. É um disco muito curto e, embora não seja a melhor coisa de 2016, possui momentos muito agradáveis. Enquanto os primeiros estágios do álbum focam no funk, sua maior parte abraça um R&B bem simples. Ao ouvir todo o registro, fica parecendo que Mars está tentando reinventar-se. Mas, a natureza do título parece se perder no meio do álbum e acaba transformando-se em um arrogância exagerada. Da mesma forma, o tópico universal em torno das mulheres torna-se cansativo e atrevido demais. Felizmente, muitas das canções são cativantes e voltadas pra seus hits do passado. Bruno Mars consegue canalizar lendas como Prince, Michael Jackson e James Brown com facilidade, e destaca-se por conseguir equilibrar vibrações do passado com a música moderna.

A faixa-título, “24K Magic”, inicia o álbum com sintetizadores e uma boa dose de bateria eletrônica. É praticamente uma continuação de “Uptown Funk”, categorizada como uma canção funk-retrô, disco e R&B. É um single muito otimista que abrange uma ampla gama de influências musicais. O refrão, cercado por sintetizadores e uma linha de baixo, é extremamente cativante. O estilo de “Uptown Funk” é algo que Bruno Mars adéqua-se muito bem, consequentemente, ele usa isso em toda extensão do álbum. Embora podemos ouvir influências de algumas músicas de Prince e Michael Jackson em “Chunky”, não é uma música tecnicamente forte. Ela contribui para o estilo oitentista do álbum graças aos sons de sintetizadores, entretanto, não é uma canção particularmente forte. Em “Perm” Bruno Mars tenta fazer sua melhor impressão de James Brown, com bateria, trompete, baixo, guitarras e um groove muito dançante. A letra, no entanto, não é nada inspiradora, uma vez que possui sentimentos mais mundanos. Ela, assim como todas as faixas do álbum, gira em torno de ter uma auto-confiança com as mulheres. Músicas como “That’s What I Like” e “Straight Up & Down”, por outro lado, arrancam diretamente do R&B dos anos 90. “That’s What I Like”, em especial, é muito gostosa de se ouvir e tenta canalizar o estilo musical do grupo Boyz II Men. “Straight Up & Down” possui a mesma sensualidade de “That’s What I Like”, e mostra alguns dos melhores vocais do disco. A partir da metade do álbum canções mid-tempo assumem a liderança, destacadas pela mistura incrível de piano, vocais suaves e arranjo de sintetizador da otimista “Versace on the Floor”.

Essa canção é um compasso lento, puramente oitentista e excepcionalmente nostálgica. Em “Calling All My Lovelies” Bruno Mars quer que todos saibam que ele é amado pelas mulheres. É um número down-tempo sintetizado e, provavelmente, a canção mais fraca do álbum. “24K Magic” é, em última instância, um álbum de décadas porque, mesmo tendo raízes fincadas no soul, pop e funk dos anos 80, ainda fornece uma mistura de sons de R&B dos anos 90, como podemos ouvir em “Finesse”. Uma canção híbrida aparentemente influenciada por grupos como Boyz II Men e New Edition. As letras não são muito boas, mas o ritmo e melodia são bastante contagiosas. Felizmente, como muitos cantores masculinos de R&B dos anos 90, Mars consegue transformar letras sexualmente explícitas em algo leve. A balada de encerramento “Too Good to Say Goodbye”, que abrange a seção mais lenta do álbum, é bastante padronizada e talvez a única que não soaria fora do lugar se estive presente nos discos “Doo-Wops & Hooligans” e “Unorthodox Jukebox”. Sua produção exuberante e rica, acabou trazendo o lado mais sensível de Bruno Mars para o jogo. Em suma, todas as canções do álbum usam um estilo excessivamente estático. Mas, independentemente deste fato, as músicas do “24K Magic” são todas audíveis. Olhando por esse lado, seu curto comprimento acabou sendo um ponto positivo por não arrastar o repertório por um longo tempo. Bruno Mars optou por jogar com seus pontos fortes na maior parte do registro. Consequentemente, as músicas mais otimistas ajudaram o álbum a ser mais agradável em sua totalidade.

Favorite Tracks: “24K Magic”, “That’s What I Like” e “Versace on the Floor”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.