Review: Bruno Mars – 24K Magic (2016)

“24K Magic” possui algumas de suas músicas mais diversas até hoje; executadas com rigor e diversão. Tudo é doce, pegajoso, estruturalmente cativante, mas pouco profundo.

Lançado em 18 de novembro de 2016, quatro anos depois do seu último álbum, “24K Magic” mantém suas talentosas habilidades pelo qual é conhecido. Com este disco, Bruno Mars transporta o final dos anos 80 e início dos anos 90 para a atualidade. Sonoramente cativante, é um projeto nostálgico que apresenta nove faixas de R&B intercaladas com soul, funk, pop e new jack swing. Enquanto “Treasure” explorou sons dos anos 70, seu terceiro álbum pisa mais no território funk dos anos 80. Dada a imensa popularidade de “Uptown Funk”, sua colaboração com Mark Ronson, não é surpreendente ver que ele se inspirou em tal gênero para criar esse álbum. “24K Magic” é surpreendentemente curto e, embora não seja a melhor coisa de 2016, possui momentos muito agradáveis. Enquanto os primeiros estágios do álbum focam no funk, sua maior parte abraça um R&B simplista. Ao ouvir todo o repertório, fica parecendo que o Bruno Mars está tentando se reinventar. Mas a natureza do título parece se perder no meio do álbum e acaba transformando-se em um arrogância exagerada. Da mesma forma, o tópico universal em torno das mulheres torna-se cansativo e atrevido demais. Felizmente, muitas canções são cativantes e reminiscentes dos seus hits do passado. Mars consegue canalizar lendas como Prince, Michael Jackson e James Brown com facilidade, e destaca-se por conseguir equilibrar vibrações do passado com a música moderna. A faixa-título inicia o álbum com sintetizadores e boa dose de bateria eletrônica. É praticamente uma continuação de “Uptown Funk”, categorizada como uma canção de funk, disco e R&B. Um single otimista que abrange uma ampla gama de influências musicais e modulações vocais.

O refrão, cercado por sintetizadores e linhas de baixo, é extremamente cativante. O estilo de “Uptown Funk” é algo que Bruno Mars adéqua-se perfeitamente, por isso ele usa tal estilo em toda extensão do álbum. Embora podemos ouvir influências de músicas do Prince e Michael Jackson em “Chunky”, não é uma música funk tecnicamente forte. Ela contribui para o estilo oitentista do álbum graças aos sons de sintetizadores – mas não cativa como poderíamos esperar. Em “Perm”, Bruno Mars tenta fazer sua melhor impressão de James Brown – com bateria, trompete, baixo, guitarras e ritmo dançante. No entanto, as letras não são inspiradoras, uma vez que possui sentimentos mais mundanos. Assim como as outras faixas, ela gira em torno de ter uma auto-confiança com as mulheres. Músicas como “That’s What I Like” e “Straight Up & Down”, por outro lado, arrancam diretamente do R&B dos anos 90. “That’s What I Like”, em particular, é uma fatia deliciosa que tenta canalizar o estilo musical do Boyz II Men – enquanto transita por gêneros como hip-hop, soul, funk e new jack swing. “Straight Up & Down” possui a mesma sensualidade de “That’s What I Like”, além de possuir um dos melhores vocais do disco. Quando passamos pela metade do álbum canções midtempo assumem a liderança – destacadas pela mistura incrível de piano e arranjo de sintetizador da fantástica “Versace on the Floor”. Essa canção de R&B fornece um compasso mais lento, enquanto é puramente oitentista e excepcionalmente nostálgica. Em “Calling All My Lovelies”, Bruno Mars quer que todos saibam que ele é amado pelas mulheres. Um número downtempo sintetizado e, provavelmente, a canção mais fraca do repertório.

“24K Magic” é, em última instância, um álbum de décadas porque mesmo tendo raízes fincadas no pop, soul e funk dos anos 80, ainda fornece uma mistura de R&B dos anos 90. “Finesse”, por exemplo, faz uma mistura de new jack swing, funk e R&B dos anos 90 aparentemente influenciada por grupos como Boyz II Men e New Edition. O conteúdo lírico não possui qualquer substância, mas o ritmo e a melodia são bastante contagiosos. Felizmente, como muitos cantores masculinos de R&B dos anos 90, Mars consegue transformar letras sexualmente explícitas em algo leve. O restante da canção é encabeçada por sua performance vocal, exibindo sua habilidade de nos levar de volta no tempo, seja para os anos 70, 80 ou 90. O instrumental realmente nos leva de volta ao passado, graças a linha de bateria constante e aos nostálgicos efeitos sonoros. A batida funky é semelhante a de outros singles, como “Treasure” e “Uptown Funk”. As letras abordam o sucesso, desejo e a confiança de um relacionamento. Não demora muito para que Bruno Mars cante sobre como ele e sua namorada parecem tão bem juntos: “Não ficamos bem juntos? / Há um motivo para eles assistirem a noite toda / Estamos aqui esbanjando elegância”A balada de encerramento “Too Good to Say Goodbye”, que abrange a seção mais lenta do álbum, é bastante padronizada e talvez a única que não soaria fora do lugar se estivesse presente no “Doo-Wops & Hooligans” (2010) e “Unorthodox Jukebox” (2012). Sua produção exuberante e rica acabou trazendo o lado mais sensível do Bruno Mars para a mesa. Em suma, todas as canções usam um estilo excessivamente estático. Mas independentemente disso, “24K Magic” é um projeto muito audível e cativante. Seu curto comprimento é um ponto positivo, por não arrastar o repertório por tanto tempo.

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Favorite Tracks:

“24K Magic” / “That’s What I Like” / “Versace on the Floor”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.