Resenha: BROODS – Conscious

Lançamento: 24/06/2016
Gênero: Eletropop, Synthpop, Dance
Gravadora: Island Records Australia / Capitol Records / Universal Music Australia
Produtores: Joel Little, Alex Hope e Captain Cuts.

Quase dois anos depois do lançamento do seu álbum de estreia, “Evergreen”, a dupla BROOS voltou ao cenário musical. O duo neozelandês é composto por Georgia Nott nos vocais e o irmão multi-instrumentista Caleb Nott na produção e backing vocals. Lançado em 24 de junho de 2016, “Conscious” é o título do seu segundo álbum de estúdio. O disco apresenta o mesmo som eletropop estabelecido em sua estreia, com elementos de R&B e dance. Além disso, o álbum inclui uma colaboração de bom gosto com Tove Lo. “Conscious” nos apresenta 13 novas faixas que mostram uma progressão acentuada e um som mais ousado e maduro. Com este novo material, BROOS mostra que eles trabalharam para melhorar o seu estilo e som desde seu último lançamento. Consequentemente, eles conseguiram produzir um disco confiante e mais escuro, que ainda é fiel ao som apresentado no “Evergreen”.

Liricamente, o repertório é exclusivamente dedicado ao amor em todos os sentidos do tema. Os irmãos falam sobre amores perdidos, novas paixões, descobertas amorosas e romances, provando que “Consicous” é uma adição valiosa para sua discografia. É um registro que sente-se enganosamente semelhante a sua estreia, embora mantenha o mesmo eco arejado. BROODS optou por uma filtragem mais obscura com este novo registro, ao lado de instrumentações que acabaram por expandir sua paleta sonora. “Consicous”, definitivamente, tem algumas faixas mais fortes do que o EP de mesmo nome e o “Evergreen”. Georgia e Caleb optaram por expandir o padrão estabelecido por seus esforços passados e, apesar da influência de Joel Little ser muito ouvida, este álbum concentra-se em novos coros, texturas melódicas e camadas sonoras alucinantes.

Como era esperado, algumas das faixas soam muito semelhantes entre si. Geralmente, quando uma banda encontra um determina som que funciona para eles, sentem dificuldades para desviar-se de uma fórmula familiar. Por este motivo, existem algumas músicas no álbum que não distinguem-se uma das outras. Quase todo o repertório é impulsionado por pulsos previsíveis e uma série de sintetizadores melódicos. Mas aqui, você poderá encontrar uma série de faixas de destaque, mesmo que algumas delas possuam elementos sonoros semelhantes. Há uma maturidade óbvia sobre este álbum. Onde “Evergreen” manteve um senso de sutileza e inocência, “Conscious” oferece fortes momentos de confiança. O primeiro single, “Free”, é um maravilhoso synthpop que abre o disco. Georgia nos atrai imediatamente por uma forte acapela, antes da batida industrial solidificar a canção.

broods

É um hino synthpop que apresenta um som mais escuro e algumas influências de Lorde. É uma faixa que capta o sentimento geral do álbum como um todo. Os elementos industriais dão à música uma grande vantagem, algo que tecnicamente faltou no disco de estreia. A instrumentação sintetizada e o contratempo rítmico, catapultado por um poderoso tambor, são ameaçadores e muito cativantes. “We Had Everything” é potencialmente a faixa mais pop do álbum, na típica forma eletropop. Aqui, eles apresentam um som que não sente-se datado ou fora do lugar, com o piano tendo um importante papel na produção. “Are You Home” é um dos pontos altos do registro, pois encapsula a energia pulsante de “Free” com uma maior diversidade. É impulsionada por aspectos melódicos e sintetizadores dominantes por toda parte. O synthpop cintilante de “Heartlines”, co-escrito por Lorde, tem um dos refrões mais cativantes do álbum.

A influência da dona do smash-hit “Royals” é muito óbvia. A colaboração com Tove Lo em “Freak of Nature” é um dos destaques indiscutíveis do álbum. Esta faixa contém letras poderosamente emotivas, apresentadas de uma forma muito catchy. É uma balada que começa apenas com o piano e duas vozes em harmonia, antes de crescer e apresentar camadas sonoras magistralmente dramáticas. A suave balada “All of Your Glory” permite o ouvinte relaxar antes da arrepiante “Recovery”. Este é um dos momentos mais fortes do álbum, pois mistura um arpejo de sintetizador com uma batida muito infecciosa. Em contrapartida, as próximas faixas são puro enchimento e as mais fracas do repertório. “Couldn’t Believe”, “Full Blown Love” e “Worth The Fight” são canções que não tem qualquer fator que as tornam memoráveis.

Isso é um pouco decepcionante, após uma série de canções poderosas. Felizmente, a faixa-título, “Conscious”, fecha o álbum com uma nota alta. Ela percorre uma veia semelhante a de “Free”, ou seja, é uma das ofertas mais ousadas do LP. “Aguarde a explosão”, Georgia canta sobre sintetizadores que exigem qualquer atenção. Uma batida escura e vocais reluzentes completam o gancho da canção, enquanto adicionam um toque dramático a mesma. Depois de ser empurrado para os holofotes pelo single “Bridges”, o duo neozelandês conseguiu desenvolver álbuns muito atraentes. “Conscious” apresenta um som mais escuro e sombrio, porém, sem perder a euforia synthpop que fez deles conhecidos. Eles podem não ter corrido riscos com esse álbum, mas mostraram uma grande confiança. Em suma, BROODS conseguiu oferecer uma produção convincente e uma coleção incrivelmente agradável.

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Favorite Tracks: “Free”, “We Had Everything”, “Are You Home”, “Heartlines” e “Freak of Nature (feat. Tove Lo)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.