Resenha: Britney Spears – Glory

Lançamento: 26/08/2016
Gênero: Dance-pop, Electropop
Gravadora: RCA Records
Produtores: Karen Kwak, Bloodpop, Dan Book, Burns, Cashmere Cat, DJ Mustard, Jason Evigan, Warren “Oak” Felder, Andrew Goldstein, Oscar Görres, Ian Kirkpatrick, Mattman & Robin, Mischke, Nick Monson, Alex Nice, Robopop, Lance Eric Shipp, Pat Thrall, Tramaine “Young Fyre” Winfrey, Twice as Nice e Jon Asher.

Britney Spears é alguém que já passou grande parte de sua carreira no centro das atenções. Ela é uma estrela pop multi-platinada, Grammy-Winner e uma das artistas mais bem sucedidas da música pop. Nascida em Mississipi e crescida em Louisiana, Britney Spears começou sua carreira em 1998 ao lançar o hit “…Baby One More Time”. Muitos acontecimentos em sua carreira provam que Spears é talvez a primeira grande estrela pop desde Madonna. Ela tem um certo legado na indústria e, certamente, é uma das cantoras mais influentes da década de 2000. Nos últimos anos, ela perdeu um pouco de espaço quando outros grandes nomes surgiram, tais como Rihanna, Katy Perry, Lady Gaga e Taylor Swift. Sua carreira também não deixou de ser instável. Apesar da boa temporada de shows em Las Vegas, seu último disco, “Britney Jean”, foi um fracasso de vendas e enfrentou duras críticas de todos os lados.

Felizmente, ela tem discos bons o suficiente dentro de sua discografia. O provocador “In the Zone”, por exemplo, foi um marco e mostrou todo o seu potencial. O apropriadamente intitulado “Blackout”, por sua vez, é muitas vezes referido como o melhor disco de sua carreira. Após lançar a fraca “Pretty Girls” com Iggy Azalea no ano passado, Britney Spears felizmente tomou um outro rumo nos trabalhos do seu nono álbum de estúdio. Intitulado “Glory”, o disco foi lançado pela RCA Records em 26 de agosto de 2016. É um dos mais confiantes e variados registros do seu catálogo. Britney trouxe uma abordagem contemporânea e até mais madura para esse LP. É exatamente como um álbum de Britney Spears deveria soar em pleno 2016. Ele tem um som fresco, arejado e muito acessível. Com esse novo lançamento, Miss Spears mostrou que está mais viva do que nunca. É nada menos que o seu disco mais otimista desde o “Oops!… I Did It Again”.

Como costuma acontecer com álbuns de popstars, “Glory” tem uma grande equipe de produtores e co-escritores por trás. É inegável que esse produtores ajudaram Britney Spears efetivamente, da mesma forma que Max Martin cooperou no “…Baby One More Time” e Bloodshy & Avant e Danja no “Blackout”. Enquanto “Glory” tem uma notável lista de colaboradores, Justin Tranter e Julia Michaels são os responsáveis por boa parte da escrita. Felizmente, a personalidade singular de Britney Spears brilha por toda parte. Desde que sua vida privada tornou-se completamente pública, ela deixou de ser tão focada em sua carreira musical. Entretanto, no “Glory” ela parece estar integralmente mais conectada. Aparentemente, ela desfrutou de todos os momentos do processo de criação desse álbum. Com esse registro, a cantora retorna a um dance-pop efervescente, do qual ela costuma destacar-se.

Ele sofre um pouco com a falta de uma influência coesa, embora muitos mencionem as escassas inspirações R&B. Liricamente, “Glory” não deixa de ser superficial e pouco interessante. As letras são impessoais e a grande maioria das músicas falam sobre sexo e prazer amoroso. O grande ponto positivo de isso tudo é que Britney consegue deslizar com facilidade pelos diferentes sub-gêneros da música pop. A apropriadamente intitulada “Invitation” abre o álbum e tenta atrair o ouvinte. É um convite sutil, onde Britney parece confortável e sensual. “Eu só preciso que você confie em mim / Ah, que você pode enxergar melhor de olhos fechados”, ela canta. O electropop “Do You Wanna Come Over?” soa como um clássico de Britney Spears logo na primeira escuta. Essa canção possui uma confiança que faltou no seu álbum anterior. É uma clara ode ao sexo que destaca-se pelo instrumental intrigante e a vibre despreocupada.

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Aqui, a cantora praticamente retorna aos seus dias de “In the Zone”, misturando sintetizadores com dedilhados de guitarras. “Make Me…”, primeiro single do álbum, é uma faixa pop e R&B incrivelmente sedutora, com um ritmo apertado e versos escassos. Transmite uma sensação de balada R&B mid-tempo, onde Spears exige satisfação sexual ao seu parceiro. O rapper G-Eazy é o convidado da canção e manda bem ao lado de Britney. Ele não oferece excelentes rimas, mas é muito bem sucedido em seu papel colaborativo. A canção foi escrita pela cantora, ao lado de Matthew Burns, Joe Janiak e G-Eazy. Em vez de optar por um habitual banger eletrônico como carro-chefe do álbum, ela preferiu acalmar as coisas com um R&B bem sexy. Com um riff de guitarra simples, uma batida sutil e sintetizadores ecoando ao fundo, Spears inicia os trabalhos da música. Durante os versos, os vocais sussurrados de Britney são perfeitamente adequados.

Mas, são os vocais harmonizados e auto-sintonizados do refrão que irradiam tudo. “Eu só quero que você me faça movimento /Como não é uma opção para você, como você tem um trabalho a fazer / Apenas quero que você levante meu telhado / Algo sensacional / Faça-me oooh, oooh, oooh, oooh”, ela canta exigindo o prazer sexual. Em termos de inspiração R&B, “Make Me” não é inovadora, porém, funciona bem com a voz de Spears. Quando ouvi essa música pela primeira vez fiquei bastante surpreso, uma vez que não esperava algo tão cativante. O primeiro passo em falso encontrado no “Glory” é a faixa “Private Show”. Uma canção de R&B confusa que foi lançada anteriormente para promover sua nova fragrância. Sua entrega vocal é estranha e quase insuportável, atada com órgãos e uma pegada soul. O escasso arranjo e os vocais completamente crus, definitivamente não atingiram o resultado desejado. Para a felicidade dos fãs, logo em seguida, “Man on the Moon” traz o álbum de volta para a direção certa.

O maior acerto dessa canção é a maravilhosa melodia, uma das mais viciantes do disco. É uma faixa guiada pela mesma inocência de seus dois primeiros álbuns. Há uma qualidade na produção dessa música que permite a sutileza e emoção vocal de Britney se sobressair. “Eu não posso competir com as estrelas do céu / Eu sou invisível, invisível / Eu abro a janela para clarear a mente / Mas é difícil / Tão difícil”, ela canta antes do refrão. Spears utiliza o espaço para criar uma cena onde tenta encontrar um amor perdido. Devido a carga emocional, “Man on the Moon” poderia até ser considerada uma sequela de “Lucky” do disco “Oops!… I Did It Again”. Na íntima “Just Luv Me” vemos Spears pedindo ao seu parceiro que seja paciente com ela. Co-produzida por Cashmere Cat, a faixa oferece uma produção mínima e uma certa carga de vulnerabilidade. Em vez de batidas explosivas e tom eufórico, a canção contém sintetizadores e baixos teclados.

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A paixão pelo qual ela guia seus vocais sussurrados torna tudo ainda melhor. O eletro-funk “Clumsy” foi lançado inicialmente como single promocional. Essa atrevida canção deve ser tocada no volume alto, devido a grande influência eletrônica. “Clumsy” sacode o fluxo do álbum, graças ao esforço instrumental cheio de sintetizadores efervescentes, efeitos sonoros, batidas desconexas e palmas. É uma música bem cativante e a mais energética que Britney lançou desde “Work Bitch”. Produzida por Mattman & Robin, “Slumber Party” é uma das mais fortes candidatas para single no álbum. Sintetizadores pulsantes, palmas sincopadas e vibrações reggae fazem desta música algo excepcionalmente cativante. Liricamente, Spears canta sobre sexo: “Vamos encher essa banheira com bolhas / Me ama tão intensamente que está causando problemas / Se os sete minutos / No paraíso de dobram, triplicam / Como uma festa do pijama”.

O refrão de “Slumber Party” é muito bem escrito, enquanto tudo termina com uma festa de buzinas e grandes batidas. Em seguida, “Just Like Me” apresenta um som acústico onde Britney fala sobre a infidelidade de seu homem com uma mulher que se parece com ela. Mais uma vez, ela explora um som que lembra alguns dos seus trabalhos anteriores, especificamente a atitude do disco “Britney” (2001). Em comparação com as outras faixas, “Just Like Me” é relativamente mais simples. Inicialmente, é bem crua e faz apenas o uso de uma guitarra acústica, porém, depois emite algumas vibrações de electropop. “Love Me Down” sofre de alguns problemas no seu processo criativo, como a falta de identidade. A partir do baixo e a batida tropical subjacente, a produção e ritmo não parecem condizentes com os vocais de Britney Spears.

Em certos momentos, parece que estamos ouvindo uma típica música da Gwen Stefani. De qualquer maneira não deixa de ser uma faixa catchy, especialmente pelo refrão repetitivo e os viciantes “la la la”. O estilo dance-pop eufórico de “Hard to Forget Ya” é mais agradável. Precedida por uma batida do oriente médio, a canção possui uma típica melodia dos anos 80 e início dos anos 90. Em certos pontos, notamos algumas influências de Janet Jackson e Madonna nessa música. Tudo é revestido por alguns sintetizadores e loops vocais extremamente envolventes. Tal como aconteceu em “Private Show”, os vocais de “What You Need” pegam o ouvinte desprevenido. Sua entrega é energética, mas é outra tentativa de mascarar suas falhas vocais. A canalização funk que ela tenta empregar não se encaixa com sua personalidade ou estilo musical. É uma canção mais rápida revestida por órgãos e trombetas que, infelizmente, deixa a desejar.

A versão deluxe do álbum ainda apresenta mais cinco canções adicionais. “Glory” foi utilizado como uma oportunidade para Britney Spears experimentar algumas coisas novas. Grande parte da tracklist é incrivelmente divertida e infecciosa. É bem perceptível que Britney divertiu-se com a criação desse álbum, que acabou adicionando uma nova faísca de energia na sua carreira. É um registro que peca pela tentativa de incorporar vários estilos e personas. Entretanto, contém alguns dos trabalhos mais atraentes da cantora em anos. Britney Spears é uma artista que resistiu a grande tribulações pessoais e profissionais. Felizmente, ele conseguiu supera-las todas com grande êxito e já marcou o seu lugar na história da música. “Glory” pode ser considerado um retorno triunfal e um registro muito sólido. A cantora já está se aproximando dos 20 anos de carreira, e “Glory” é uma boa oferta para comemorar esse feito. Afinal, It’s Britney bitch!

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Favorite Tracks: “Do You Wanna Come Over?”, “Make Me… (feat. G-Eazy)”, “Man On the Moon”, “Just Luv Me” e “Slumber Party”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.