Resenha: Breathe Carolina – Savages

Lançamento: 15/04/2014
Gênero: EDM
Gravadora: Fearless Records
Produtores: Ian Kirkpatrick.

Breathe Carolina foi formado em Denver, Colorado, por dois integrantes: David Schmitt e Kyle Even. Com a saída de Kyle, devido a suas novas responsabilidades como pai, a banda passou a ser formada por Schmitt, ao lado de Luis Bonet, Eric Armenta e Tommy Coops. A banda é mais conhecida pelo sucesso do single “Blackout”, do álbum “Hell Is What You Make It” de 2011. Em 15 de abril de 2014, eles lançaram o seu quarto álbum de estúdio e aproveitaram para dizer que estavam voltando às antigas raízes musicais. O disco, intitulado “Savages”, foi lançado através da gravadora Fearless Records e estreou em #22 na parada de álbuns da Billboard dos Estados Unidos. O disco conta com uma influência mais eletrônica e dance, em vez do rock eletrônico e influências hardcore visto nos álbuns anteriores. Foi totalmente produzido por Ian Kirkpatrick, cara que já trabalhou com nomes como Blake Shelton, Neon Trees, Plain White T’s e Young the Giant.

No total, o repertório é formado por 11 faixas, além de possuir colaboração com o duo pop Karmin, Danny Worsnop, da banda de metalcore Asking Alexandria, e Tyler Carter, do grupo Issues. Se você está procurando, em grande parte, por um som inocente e despreocupado para o verão, você está no lugar certo, pois o “Savages” é um álbum que proporciona muita diversão em algumas ótimas faixas. A canção de abertura, “Bury Me”, é um excelente exemplo disso. Uma música extremamente cativante, com uma forte batida, uma alta energia e uma melodia obscura em contraste com os seus ritmos. A segunda faixa, “Bang It Out”, apresenta vocais de Karmin e inclina-se mais para o lado do eletropop do grupo. Uma música efervescente, levemente sensual e com um sintetizador pulsante pronto para tocar em grandes festas. Os vocais de Danny Worsnop, definitivamente, ajudaram na terceira faixa, intitulada “Sellouts”. Sua voz fez um ótimo contraste com os vocais já conhecidos de Schmitt.

Essa canção foi o primeiro single oficial do álbum e, além de ser um dos destaques do mesmo, contém uma letra muito intrigante. É um metal-eletro áspero, com elementos dinâmicos e pesados, que ficaram muito bem combinados. “Shots Fired” é outro número muito cativante, porém, com uma batida mais lenta e melódica. É, liricamente, muito poderosa, apesar de menos otimista, sobre o poder que as palavras tem dentro de um relacionamento. A quinta faixa, “Collide”, é outra que enfatiza o estilo eletropop do grupo, ao exalar batimentos acelerados, letras viciantes e uma textura acetinada da voz de Schmitt. Curiosamente, tanto musicalmente quanto vocalmente, “Collide” soa muito parecido com o som do duo 3OH!3. “Please Don’t Say” possui uma introdução de guitarra e uma mudança de tom para algo mais maduro, enquanto traz uma pausa agradável para o álbum, se comparada com o restante das faixas fortemente sintetizadas.

Breathe Carolina

“Shadows”, por sua vez, é uma faixa mais escura e dolorosa justaposta por um ótimo ritmo pulsante, enquanto a faixa-título, “Savages”, se encontra em um meio termo entre o dance e o rock. Ela possui um refrão fortemente levado por vocais melódicos, antes de desaguar-se em um aspecto mais eletrônico. “Chasing Hearts”, que apresenta Tyler Carter como convidado, começa com uma boa introdução orientada por um piano. Embora seja interessante ouvir Schmitt e Carter colaborarem vocalmente, por conta dos estilos diferentes, a música é um tanto quanto decepcionante. Especialmente pelo fato de soar muito preguiçosa e sem inspiração, e conter uma quantidade grotesca de auto-tune. “I Don’t Know What I’m Doing” aparece para tentar baixar um pouco o tom do álbum, que a essa altura já está em níveis altíssimos. O seu refrão, influenciado por trap, e a queda alimentada por sinos, são até interessantes, mas os seus vocais demasiadamente arrastados, ficaram um pouco desnecessários.

Encarnando totalmente a cultura EDM, a última faixa, “Mistakes”, não convence, pois sofre da decorrência de uma fórmula eletrônica já utilizada anteriormente. Juntos desde 2006, Breathe Carolina alcançou o sucesso com o single platinado de 2011 “Blackout”. A música alcançou a posição #17 do Top 40 mainstream da Billboard e lançou o grupo na música popular com a sua mistura inusitada de rock e eletropop. Eles sempre foram um grupo que realizou um nicho específico dentro do cenário musical e, quando começaram com seus dois primeiros álbuns, foram considerados por muitos como uma banda “synth-core”. Isso porque são mais conhecidos por utilizarem sintetizadores mais luminosos e arejados. Agora, com o lançamento do “Savages”, eles demonstraram uma falha, devido à falta de originalidade em alguns momentos. Seu último álbum, o “Hell Is What You Make It”, foi recebido com reações, geralmente, positivas dos críticos.

No entanto, durante o processo de produção do “Savages”, a saída de um dos vocalistas e membro fundador, Kyle Even, deixou a banda com uma escolha muito difícil: encontrar alguém para substitui-lo ou se converter em uma banda totalmente eletrônica. Eles escolheram o último e congratulou-se com o novo guitarrista Luis Bonet para a equipe. Dessa forma, Breathe Carolina levou o seu som para uma nova direção, o “Savages” é um bom álbum, embora seja certamente diferente dos seus discos anteriores. O progresso que esta banda tem demonstrado desde seu álbum de estréia é bem bacana. Eles já forneceram batidas mais frescas, letras cada vez melhores e uma boa capacidade de animar o público. Com esse álbum, eles criaram algo que é até certo ponto, divertido e irresistível. “Savages” pode não satisfazer a todos, mas é um registro que encontra uma forma decente de garantir um entretenimento. O álbum foi ao ponto de combinar vários gêneros e criar algo bem cativante, especialmente, nas suas quatro primeiras faixas.

58

Favorite Tracks: “Bury Me”, “Bang It Out (feat. Karmin)”, “Sellouts (feat. Danny Worsnop)” e “Shots Fired”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.