Resenha: Brantley Gilbert – The Devil Don’t Sleep

Lançamento: 27/01/2017
Gênero: Country
Gravadora: Valory Music Group
Produtores: Dann Huff e Scott Borchetta.

Ao longo dos últimos anos, a música country mudou de um estilo tradicional para algo mais pop, chamado de bro-country. Artistas como Luke Bryan, Florida Georgia Line e Sam Hunt foram os percursores desse movimento. Entretanto, há outros artistas que ainda exploram um pouco do estilo mais tradicional, enquanto acrescenta um pouco de rock a ele. O nome desse cantor é Brantley Gilbert, um rosto tecnicamente novo para o mundo country, mas que já lançou alguns álbuns de estúdio. O seu último disco, “Just as I Am”, foi platina nos Estados Unidos e lançou o hit country “Bottoms Up”. Em 27 de janeiro de 2017, Gilbert lançou o seu quarto álbum de estúdio, intitulado “The Devil Don’t Sleep”. Através desse registro ele tentou provar que é um dos mais dinâmicos compositores country da atualidade. Através de 16 canções em uma versão padrão maciça e cansativa, Gilbert canta sobre amor, encontro com mulheres, fé e amigos. Durante os três anos que separaram esse disco do anterior, o cantor conseguiu se fortalecer como compositor.

Como podemos notar, ele possui créditos de escrita em todas as 16 faixas do repertório. O título, aparentemente, é sobre um homem tentando fugir de possíveis tentações. Composto por um conjunto faixas radio-rockers, ao lado de alguns números mais domésticos e tradicionais, “The Devil Don’t Sleep” é sincero e direto ao ponto. Uma das coisas mais atraentes sobre Brantley Gilbert é a de não existir pré-tempos em sua escrita. Enquanto esse registro inclui várias canções que condizem com a sua imagem, ele nada mais é do que Gilbert tentando ser fiel às suas raízes. O álbum abre com “Rockin’ Chairs”, uma canção que fala sobre viver a vida enquanto pode, para você ter histórias para contar quando ficar mais velho. Musicalmente, essa faixa é uma mistura de country e rock. Inicialmente começa com uma vibração country, enquanto uma guitarra mais forte aparecem durante o refrão. O primeiro single, “The Weekend”, é uma canção country com elementos de rock incrivelmente aventureira.

Embora seja cativante, esse single é liricamente reciclado, uma vez que seu tema é bastante familiar. Felizmente, possui uma boa produção e, vocalmente, o registro mais baixo de Gilbert. “It’s About to Get Dirty” é a típica música country divertida, que você poderia escutar enquanto toma uma cerveja gelada. “Tried to Tell Ya”, por sua vez, é outro número cativante com uma vibração rock ao longo dele. A faixa seguinte, “In My Head”, é provavelmente uma das faixas favoritas dos fãs do cantor. Possui melodias sedutoras e uma pesada guitarra acústica em sua composição. “Outlaw in Me”, uma das faixas de destaque, merece mais do que apenas uma escuta casual. Aparentemente, ela pode ser considerada uma outra ode para alguma mulher, no entanto, as letras possuem algo mais profundo. A faixa-título, “The Devil Don’t Sleep”, é sobre lutar contra algum vício, segundo o próprio Brantley Gilbert. Aqui, o cantor exibe um desempenho apaixonado sobre um arranjo comum.

Sonicamente, esse álbum não é tão ousado quanto os anteriores, mas a melodia dessa música consegue entreter com facilidade. Liricamente, uma das minhas canções favoritas é “We’re Gonna Ride Again”, um sincero tributo de Gilbert para um amigo que faleceu. “Three Feet of Water”, por sua vez, é uma balada inspirada pelo piano que fala sobre quão grato Gilbert é por ser batizado e perdoado. Nessa música, nós encontramos o cantor em um dos seus momentos mais vulneráveis. Aqui, ele fala sobre experiências na igreja, e como ele acredita que Jesus morreu por nós. Através dessa canção, ele parece tentar se livrar dos pecados do passado e seguir em frente com o batismo. Através de tudo isso, Brantley Gilbert tenta impressionar por sua honestidade como artista. Suas letras realmente possuem uma dose de sinceridade, entretanto, a produção peca em alguns pontos. Ademais, o enorme comprimento do álbum não é algo muito adequado para uma versão padrão. Isso acaba tornando sua escuta um tanto quanto exaustiva.

Favorite Tracks: “Rockin’ Chairs”, “Outlaw In Me” e “The Devil Don’t Sleep”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.