Resenha: Brand New – Science Fiction

Lançamento: 17/08/2017
Gênero: Rock Alternativo, Indie Rock, Post-Hardcore, Rock Experimental
Gravadora: Procrastinate! Music Traitors
Produtor: Mike Sapone.

O novo álbum da Brand New foi divulgado sem qualquer buzz, marketing, single ou anúncio de uma possível turnê. Isto parece ser normal para uma banda que costuma desafiar as tendências da indústria. Essa foi a primeira vez em oito anos que a Brand New lançou um novo álbum. Quando surgiram, eles foram elogiados pela mistura de letras melodramáticas e potentes guitarras. Os fãs sempre foram apaixonados por uma boa razão, afinal a banda sempre criou músicas com grande potencial. O quinto e supostamente último álbum da banda chama-se “Science Fiction”. Uma oferta sólida com algumas das melhores faixas que o grupo já gravou. Em vez de tentar algo totalmente novo, Brand New juntou os melhores temas líricos dos seus discos anteriores, a fim de criar um registro que deve ter agradado todos os fãs de longa data. As canções possuem estruturas imprevisíveis, pouco tradicionais, dinâmicas e desafiadoras. “Science Fiction” vê a Brand New num estado muito mais melancólico do que no “Daisy” (2009). É um registro assombroso e solene com paisagens sonoras exuberantes e polidas. Neste disco, a banda continua fazendo o que faz de melhor, ou seja, composições sinceras que levam o ouvinte numa jornada através de uma mente cheia de dúvidas.

No decorrer de 61 minutos de duração, Brand New questiona a mortalidade, relevância e o significado da felicidade. Sem dúvida, este álbum faz jus às expectativas e demora para o seu lançamento. Embora ainda mantenha o seu estilo emo e indie-rock, Brand New conseguiu manter as coisas frescas e interessantes. A banda manteve a atmosfera sombria do “Daisy”, porém, adicionou um humor depressivo na mistura. “Science Fiction” possui o estilo sério dos outros álbuns, entretanto, de uma maneira diferente e mais restrita. Toda a produção do álbum é perfeita e meticulosamente sequenciada. Em muitos aspectos, é o disco mais variado da Brand New, com a banda explorando algumas novas influências. As letras são simples e diretas, mas ainda pulsam com um poder catártico. É uma coleção que fala sobre depressão e auto-aversão, além de ser extremamente escura e introspectiva. Completamente existencial, as letras de Jesse Lacey são, provavelmente, o elementos mais importante do álbum. O repertório varia entre o brilho acústico de “Could Never Be Heaven” e os sons discretos de “137”. Esta última fala sobre o medo da aniquilação nuclear e termina com um solo bastante emocional. O núcleo instrumental do registro é habilmente eclético e funciona muito bem como um pacote completo.

A banda começa o disco com uma mulher descrevendo o seu sonho na faixa “Lit Me Up”. Essa canção constrói uma atmosfera tensa e assombrosa que nos leva para a faixa “Can’t Get It Out”. Esta canção apresenta elementos inspirados pelo grunge e pode ser vista como um aceno para Pearl Jam e Nirvana. A música mais pesada do álbum, “Out of Mana”, e “In the Water” transcendem o gênero da Brand New, enquanto “No Control” é um número mid-tempo excepcionalmente sincero. Todo o álbum é excelente, porém, minha faixa favorita é particularmente “Same Logic/Teeth”. Uma música que fornece um espectro de emoções e instrumentação incrivelmente melódica. Sua interação entre acordes distorcidos e angústia silenciosa é realmente muito interessante. Há guitarras acústicas e elétricas misturadas com vocais pesados e bateria consistente. Uma faixa equilibrada que alterna entre gritos angustiados e belas harmonias vocais, sobre uma natureza acústica que recusa-se a desaparecer mesmo diante dos momentos mais pesados. “Same Logic/Teeth” mergulha numa estrutura pouco convencional e prova que Brand New é sempre boa quando acumula alguma complexidade e emoção. Certamente, essa canção apresenta alguns dos vocais mais apaixonados de Jesse Lacey até à data. Liricamente, “Same Logic/Teeth” explora temas alarmantes de auto-dano, auto-aversão e doenças mentais.

“Seus amigos são todos imaginários / Seu psiquiatra deixou de atender seu telefone / Então você decide fazer incisões em sua casa enquanto estiver sozinho, sozinho”, Lacey canta no primeiro verso. Aqui, Brand New combinou o seu estilo clássico com um som mais sombrio e maduro do que de costume. “Mas você não é um alfaiate, você não é um cirurgião, nenhum dos seus cortes é muito direto”, ele canta. É uma canção brutalmente honesta com alguns dos mais impecáveis jogos de guitarra da banda. “Same Logic/Teeth”, certamente, mostra a Brand New no seu melhor estado criativo. Ela atua como um ponto intermediário e mais introspectivo, principalmente quando termina com a seguinte frase: “Começamos com psicodrama”. Fechando o registro temos a faixa “Batter Up”, uma das melhores músicas que a banda já escreveu até à data. Uma canção solene que resume a carreira influente e inspiradora da Brand New. “Science Fiction” é um álbum muito bem realizado e lindamente gravado. Um retorno apropriado e um final perfeito para Lacey e companhia. A integridade e proeza artística da banda está em grande evidencia neste disco. Os membros possuem um grande senso de musicalidade e tocam seus instrumentos com a exatidão necessária. Se “Science Fiction” for verdadeiramente o fim da banda, podemos classificá-lo como uma conclusão imensamente gratificante.

Favorite Tracks: “Can’t Get It Out”, “Same Logic/Teeth” e “Out of Mana”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.