Resenha: Brad Paisley – Moonshine in the Trunk

Lançamento: 26/08/2014
Gênero: Country
Gravadora: Arista Nashville
Produtores: Brad Paisley e Luke Wooten.

“Moonshine In the Trunk”, lançado em 26 de agosto de 2014 pela gravadora Arista Nashville, é o décimo álbum de estúdio de Brad Paisley. O disco foi anunciado pela primeira vez em 8 de maio de 2014 e apresenta duetos com Emmylou Harris e Carrie Underwood. O álbum “Wheelhouse” de 2013 foi um projeto finamente trabalhado que explorou temas pesados como racismo, violência doméstica e desgosto amoroso. Ele chegou a causar polêmica quando fez um dueto com LL Cool J na faixa “Accidental Racist” e, no geral, foi um álbum demasiadamente ambicioso para o formato country. Mas, desta vez, Brad Paisley fez tudo em favor da diversão e do entretenimento. “Moonshine In the Trunk” é um álbum clássico, divertido, com alguns licks de guitarra e vocais cheios de personalidade. A faixa de abertura, “Crushin’ It”, foi lançada como single promocional dias antes do lançamento oficial do registro. É uma canção sobre diversão e bebidas, onde o cantor afirma: “bem, as coisas não são perfeitas, mas é sexta-feira”. O som de uma lata de cerveja, logo no começo da música, já sinaliza o tom de todo o álbum. É um número de alta energia, que permite o ouvinte sentir que ele realmente está em um bom momento.

“River Bank” é uma canção onde o narrador e sua namorada compram alguns bilhetes de loteria, a fim de tornarem-se milionários. Quando o sonho deles tornar-se realidade, ambos pretendem se divertir na margem de um rio. Brad Paisley disse que a inspiração para essa música veio das lembranças de seu avô, o pai e ele mesmo perto do rio Ohio. Foi o primeiro single do álbum, um número divertido, com uma produção nervosa e uma vibe agradável. A faixa “Perfect Storm”, lançada como o segundo single, recebeu muitas críticas positivas de críticos internacionais. É uma balada sobre a garota que todo homem procura, onde Paisley fala sobre o que as mulheres querem ouvir e o que os homens desejam dizer. Suas camadas de sintetizadores, acordes abertos e os tambores, foram eficazes ao oferecer um número muito bacana. “High Life” apresenta vocais de apoio de Carrie Underwood e conta a história de uma família faminta por dinheiro. A canção se refere a uma batalha legal da vida real, que envolve a compositora Lizza Connor e os co-autores de Paisley, Kelley Lovelace e Chris DuBois. Connor afirma que Lovelace e DuBois que partes da música “Remind Me” de Brad Paisley com Carrie Underwood, eram originalmente da canção, também chamada “Remind Me”, que ela havia escrito.

Brad Paisley

A faixa-título, “Moonshine in the Trunk”, é uma canção de country-rock up-tempo, impulsionada principalmente pela guitarra elétrica e um violino. Aqui, Paisley pede a sua amante para se juntar a ele em um passeio de alta velocidade através do seu Camaro. No refrão de “Shattered Glass”, Paisley canta: “Busto esse teto para fora / O céu é o limite agora / O mundo está mudando rapidamente / Traseira de sua cabeça para trás e rugido / Como se você não é feito nunca antes / É a sua hora finalmente / Tudo que você passou não é em vão / Vamos lá, baby, faça chover vidro quebrado”. É raro ouvir uma canção sobre o empoderamento feminino a partir da perspectiva de um homem. Quando perguntado sobre a música, o cantor disse que a ela é, supostamente, uma conversa estimulante entre ele e sua esposa ou para qualquer mulher que deseja realizar algum sonho. “Limes”, por sua vez, é uma canção otimista sobre a tomada de coisas que a vida lhe dá oportunidade de fazer. Uma canção divertida, que usa metáforas como forma de festejar: “Quando a vida lhe der limões / Você faz margaritas”.

Em seguida, “You Shouldn’t Have to” é introduzida por um solo de guitarra e letras que são, praticamente, uma lista de todas as coisas que as mulheres podem fazer por conta própria. A canção “4WP” zomba da tendência country, reconhecendo-a como persistente em alguns de seus elementos recorrentes. Uma amostra de “Mud on the Tires”, um dos seus hits de 2004, também é um destaque na música. “Cover Girl”, décima faixa, é sobre uma bela garota que posa para capa de revistas. “Não há outra garota / Em qualquer lugar do mundo / Tão bonita como você / O único problema, menina / É isso que você tem que ir / E estragar seu disfarce, menina”, ele canta aqui. O instrumental é atado por um violino e uma melodia suave, que servem como um adequado acompanhamento para a letra. “Gone Green” foi escrita pelo baixista de Brad Paisley, Kenny Lewis, e apresenta Emmylou Harris como vocal de apoio. É um conto sobre um caipira de idade, que fornece uma produção country discreta e decididamente tradicional. Em seguida, temos um pequeno interlúdio de 54 segundos, que possui amostras de um famoso discurso de John F. Kennedy sobre a escolha de ir para a lua.

Brad Paisley

A balada “American Flag On the Moon” é sobre como os Estados Unidos é capaz de tantos grandes feitos, especialmente depois de colocar um homem na lua. Foi uma jogada interessante de Paisley ao fazer essa música, pois consegue ser tanto poderosa quanto comovente. Foi inspirada por seu filho de cinco anos de idade, Jasper, que, ao olhar para a lua, disse que achava que podia ver a bandeira americana plantada lá. Aqui, Brad Paisley canta: “Hoje à noite eu te desafio a sonhar / Vá em acreditar em coisas impossíveis / Sempre que alguém diz / Há qualquer coisa que não podemos fazer / Quero dizer, afinal / Há uma bandeira americana na Lua”. A penúltima canção, “Country Nation”, descreve todos os diferentes tipos de pessoas que compõe os Estados Unidos, uma homenagem à classe trabalhadora do país. Possui uma alta melodia e uma letra que os fãs de country irão se relacionar com facilidade. O cantor, geralmente, inclui uma canção gospel nos seus álbuns, ás vezes um hino antigo, outras originais. A faixa “Me and Jesus”, canção de encerramento, foi incluída como uma bônus especial do álbum. Paisley gravou a música e a dedicou ao médico Kent Brantly, um cristão infectado pelo vírus Ebola.

Brantly contraiu o vírus durante o seu trabalho com pacientes doentes. Sem egoísmo, o médico deu o soro para seu amigo, em vez de usá-lo em si mesmo. Aqui, é apenas a voz de Paisley e uma envolvente guitarra, que foi o suficiente para ele compartilhar esta simples mensagem de fé e solidariedade. Pode parecer uma escolha improvável para o fechamento de um álbum, mas resultou em um bom complemento. Quinze anos de carreira e Brad Paisley ainda está entre os grandes superstars da atual música country. O cantor construiu uma fã base dedicada e fanática por seu catálogo de músicas tradicionais e contemporâneas, por sua sagacidade inteligente e sua hábil forma de tocar guitarra. Acima de tudo, ele é experiente o suficiente para saber quando jogar pelo lado mais seguro e não deixar a sua zona de conforto. Embora o “Moonshine In the Trunk” seja um pouco confuso e possua melodias e arranjos esquecíveis, ele ainda fornece alguns hits em potencial, a maioria enraizadas pelo country. Claro que não havia nenhum maior compromisso com este trabalho e houve a inclusão de alguns apetrechos eletrônicos nas músicas, porém, Paisley ainda conseguiu manter-se firmemente dentro do seu próprio estilo.

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Favorite Tracks: “Crushin’ It”, “River Bank”, “Perfect Storm”, “American Flag On the Moon” e “Country Nation”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.