Resenha: Brad Paisley – Love and War

Lançamento: 21/04/2017
Gênero: Country
Gravadora: Arista Nashville
Produtores: John Carter Cash, Brad Paisley, Timbaland e Luke Wooten.

Brad Paisley tem sido um dos principais artistas masculinos na música country, desde que lançou o seu disco de estreia em 1999. Com quase 20 anos na indústria, ele acumulou uma grande fã base. Seu mais novo álbum, “Love and War”, foi lançado em abril e feito diretamente para essa base de fãs. Você sempre sabe o que esperar de um álbum de Brad Paisley. Solos de guitarras, melodias radio-friendly e letras clichês fazem parte do repertório do cantor. Seu último LP, “Moonshine in the Track” (2014), recebeu uma recepção mista de críticos e fãs. Um disco que ostentou um country-pop em excesso e músicas superficiais que sugeriram que ele estava no piloto automático. “Without a Fight”, lançada em maio de 2016, estava destinada a ser o primeiro single do “Love and War”, o 11º álbum de Brad Paisley. Esta música, um dueto entre Paisley e a cantora Demi Lovato, é incrivelmente crua e possui uma maravilhosa linha de guitarra. Entretanto, “Without a Fight” não conseguiu ir bem nas paradas para justificar sua inclusão no álbum. Consequentemente, “Today” foi a escolhida para ser o primeiro single oficial do “Love and War”. O uso de “Today” como primeiro single pode ser visto como um reflexo de todo o álbum. É uma canção feita sob medida para as rádios country, pois é genérica, clichê e romântica. A melhor maneira de descrever “Love and War” é jogar pelo lado seguro. O que seria mais genérico do que um título chamado “amor e guerra”?

É um disco que serve Brad Paisley da forma mais familiar possível. Apesar do potencial de algumas músicas, não há nada no álbum que não seja familiar. É um registro sólido e consistente, mas muito seguro e direto. Ao lado de seus co-escritores, Paisley criou músicas similares com tópicos usuais sobre amor, festas e romance. Existem quatro grandes convidados em “Love and War”. Assim como LL Cool J em “Wheelhouse” (2013), Brad Paisley junta, surpreendentemente, forças com Timbaland em duas faixas. O álbum abre e fecha com “Heaven South”, uma canção onde ele pode mostrar suas várias costeletas na guitarra. É uma canção que traz um otimismo bem-vindo, descrevendo algumas das vantagens de se morar no sul dos Estados Unidos. A próxima faixa, “Last Time for Everything”, possui um conteúdo lírico clássico do country, enquanto o som é progressivo e moderno. Aqui, Brad Paisley faz uma combinação de nostalgia e hilaridade. Enquanto isso, a pungente balada “Contact High” consegue ser eficaz vocalmente, mostra um lado R&B e mais de suas habilidades na guitarra. Muito melhor é o energético country-rock de “Drive of Shame”, com o líder dos Rolling Stones, o cantor Mick Jagger. É um dos destaques do álbum e o melhor exemplo do talento de Brad Paisley. A canção atinge sua marca e a colaboração traz o melhor de ambos vocalistas.

Outras colaborações incluem “Love and War”, com John Fogerty, e “Dying to See Her”, com Bill Anderson. “Love and War” é outro country-rock onde Paisley e Fogerty se juntam nos vocais e guitarras. Em contraste, “Dying to See Her” nos remete a um passado distante. Bill Anderson, um dos maiores vocalistas e compositores country dos anos 60, contribuiu de forma muito eficaz. É uma música emocional que fala sobre um homem lutando pela morte de sua esposa. Na metade do álbum, Brad mostra as obsessões do mundo com as redes sociais numa faixa intitulada “selfie#theinternetisforever”. Ironicamente, o cantor fala sobre os narcisistas que postam fotos inapropriadas. Ele estreou essa canção durante seu desempenho no Country to Country Festival 2017 e, enquanto é um momento divertido, não garante muitas repetições. Como já mencionado, inesperadamente, Brad Paisley colaborou com Timbaland em duas faixas do álbum, “Grey Goose Chase” e “Solar Power Girl”. A primeira é um número musicalmente interessante e principalmente instrumental. É uma canção bem sucedida porque traz um som country mais tradicional com violões, e distingue-se do som atual das outras faixas. Ademais, é uma das canções mais aconchegantes, principalmente por causa dos bons elementos de bluegrass. Enquanto isso, “Solar Power Girl” possui uma sensação mais progressiva, com banjos e habilidades rítmicas de Timbaland.

Além dos cantos de fundo, Timbaland consegue trazer um ritmo ligeiramente contemporâneo. Sutilmente, ele complementa e eleva a espinha dorsal da música. Outra canção interessante é a sentimental “Gold All Over the Ground”, que Brad adaptou de um poema de Johnny Cash. É um dos momentos mais impressionantes do disco, pois ele consegue demonstrar seus pontos fortes como artista. A instrumentação é linda e sensível, e a letra fala sobre o amor de sua vida. Em contrapartida, “The Devil Is Alive and Well” rumina sobre o lado mais sombrio da humanidade. Uma faixa country e gospel que fala sobre as atuais divisões sociais e políticas dos Estados Unidos. Músicas como a introspectiva “Meaning Again” oferece uma perspectiva pensativa e duradoura. “Se há uma coisa que eu aprendi nesta vida / Essa respiração não faz você viver / Você precisa de um motivo / Algum esquema maior por você estar aqui”, Brad canta. “Love and War” pode ser o álbum que Brad Paisley precisava fazer para provar que ainda tem alguma relevância. Dito isto, o cantor precisa abandonar certas fórmulas e procurar ser mais criativo. Porém, deixando suas falhas de lado, “Love and War” é o seu melhor trabalho em anos. As colaborações do álbum merecem muito destaque, porque elas proporcionam uma verdadeira montanha russa de emoções. No geral, “Love and War” é um disco que rivaliza com os seus melhores álbuns do passado, apesar de ser um material muito seguro.

Favorite Tracks: “Drive of Shame (feat. Mick Jagger)”, “Love and War (feat. John Fogerty)” e “Dying to See Her (feat. Bill Anderson)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.