Resenha: Bon Jovi – This House Is Not for Sale

Lançamento: 04/11/2016
Gênero: Rock, Hard Rock, Pop Rock
Gravadora: Island Records
Produtores: Jon Bon Jovi e John Shanks.

Trinta anos depois de “Livin’ on a Prayer” dominar os charts, Bon Jovi retorna com pouco a dizer e alguns truques de produção no álbum “This House Is Not for Sale”. A banda, formada por Jon Bon Jovi, David Bryan, Tico Torres, Phil X e Hugh McDonald, possui uma carreira para além de três décadas. Seu décimo terceiro álbum de estúdio não é sólido e muito menos uma obra-prima. Enquanto a faixa-título possui um som que acena para o seu auge, a maior parte do repertório é composto por números pop. Aparentemente, nessa altura de sua carreira, Bon Jovi não se preocupa em apresentar novos sons. O principal charme do álbum deve-se ao próprio Jon, graças a sua atitude positiva e grande liderança nos vocais. No início do século, a banda trabalhou com o produtor John Shanks e lançou o álbum “Crush”. Anos depois, Shanks está de volta no controle produtivo e faz a banda soar como se estivesse procurando um hit como “It’s My Life”.

O resultado da nova parceria com Shanks resultou num material pop-rock bem polido, com alguns sugestões de hard-rock e country contemporâneo. O início do álbum é agradável. Três boas canções introduzem o disco com suas vibrações rock. “This House Is Not for Sale”, por exemplo, é uma canção que fornece bons riffs de guitarra e uma batida de tambor forte o suficiente. A banda canta sobre manter a casa que construiu e não deixar espaço para alguém comprá-la. “Living With the Ghost” continua com o mesmo impulso definido pela faixa-título, porém, de forma restrita e instrumentação mais leve. Em vez de altas guitarras, alguns acordes de piano dão outra atmosfera para a música. A terceira faixa, “Knockout”, traz um som mais alternativo e moderno para o jogo. Os vocais de Jon estão no ponto, enquanto a percussão bate poderosamente ao lado do baixo. A introdução apresenta ótimas vibrações, assim como os vocais em falsete e nervosa guitarra sugerem algo poderoso. Infelizmente, o resto do álbum não se mantém no mesmo padrão estabelecido pelas primeiras faixas.

Grande parte do álbum não tem a mesma força e o restante do repertório acaba por não alcançar a mesma altura. Ainda há alguns números interessantes, entretanto, nenhum deles contém algum efeito duradouro. Momentos mais leves do registro, como “Labor of Love”, não oferece qualquer impulso. Menos interessante que as músicas em si, são as letras de Jon Bon Jovi. Após ouvir todo o álbum, você notará que a sua escrita não tem qualquer profundidade substancial. Em “Born Again Tomorrow”, Jon nos lembra que “você aprende com seus erros” e “você tem que ser forte”. É esse tipo de lirismo batido e clichê que preenche maior parte do disco. O único ponto positivo de “Born Again Tomorrow” é o eletrizante solo de guitarra. O restante das músicas, infelizmente, não suportam a energia que os solos podem oferecer. Algumas faixas do repertório também não oferecem muita coisa. Canções como “Roller Coaster” e “God Bless This Mess” dão algum aceno para o country, no entanto, são muito esquecíveis. “New Year’s Day” invoca um título que caberia na discografia do U2, mas sem muito a dizer.

“The Devil’s in the Temple” consegue preencher algum espaço porque soa mais escura do que o restante das canções. O álbum termina de forma decepcionante com a faixa “Come On Up to Our House”. É um número doce, mas parece uma música incompleta do U2, em vez de uma grande canção de encerramento. Ao longo dos anos, Bon Jovi não perdeu a sua energia. Entretanto, eles não possuem mais o impacto que um dia já tiveram. Nada nesse álbum consegue soar completamente satisfatório, embora boas vibrações estejam por toda parte. Depois de “Knockout”, o álbum rapidamente transforma-se em algo boring e desinteressante. Quase todas as faixas são guiadas por fracas guitarras, lentos tambores e fórmulas desgastadas. Esperar que a banda arrisque-se neste momento de sua carreira é exagero. Mas, com “This House Is Not for Sale”, eles ficaram muito aquém do esperado para uma banda de sua magnitude. Esse álbum nada mais é que demasiado fraco para realmente transmitir alguma emoção ou profundidade real.

Favorite Tracks: “This House Is Not For Sale”, “Living with the Ghost” e “Knockout”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.