Resenha: Bob Weir – Blue Mountain

Lançamento: 30/09/2016
Gênero: Rock, Country, Folk
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Josh Kaufman e Bob Weir.

Robert Hall “Bob” Weir é um músico americano, mais conhecido como um dos membros fundadores da banda Grateful Dead. Ano passado fez vinte anos desde a morte de Jerry Garcia e o trágico fim do grupo. Como guitarrista, Weir é conhecido por seu estilo único e complexo, com inovadoras abordagens na guitarra rítmica. Durante sua carreira no Grateful Dead, Weir tocou guitarra na maior parte e cantou muitas das músicas de rock & roll da banda. No final de setembro de 2016, ele lançou o álbum “Blue Mountain” pela gravadora Columbia Records. O disco, com um total de 12 faixas, foi inspirado por seu tempo de trabalho em um rancho do estado de Wyoming. Ele mencionou que este álbum lhe recorda os tempo em que cowboys sentavam ao redor da fogueira à noite, para cantar músicas e contar histórias. Suas composições vão fundo no coração do clássico country, enquanto o disco como um todo é um novo capítulo para si.

Apesar dele ter tocado guitarra para uma banda de rock tão notória, a música country sempre fez parte de sua vida. Se você estiver esperando um som reminiscente do Grateful Dead, o “Blue Mountain” vai ter algo diferente para oferecer. Como um bom contador de histórias, Weir trabalha sobre letras das quais os ouvintes podem se relacionar. Com melodias simples, ritmo calmos e relaxantes, bons licks de guitarra e linhas de baixo, Weir criou um álbum que não depende apenas da nostalgia para se destacar. O ar auto-consciente e experimentação do álbum, atada com letras melancólicas, adiciona uma espécie de aspecto hipnotizante para o registro. Nem todas as músicas possuem um som country enraizado ou esse tipo de ranhura. Isso é bom, pois dá um maior ar de variedade para o repertório. “Blue Mountain” abre com o country-rock de “Only a River”, uma balada sonhadora sobre desejos românticos.

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Ela começa com uma suave percussão, em conjunto com um hábil jogo na guitarra e vocais cheios de profundidade lírica. “Cottonwood Lullaby” continua com o mesmo estilo vintage apresentado por “Only a River”. Aqui, Weir menciona que durante a sua juventude, aventurou-se por Wyoming a fim de trabalhar em um rancho. O tom de “Gonesville” é um pouco mais otimista, embora ainda carregue um estilo acústico vintage. “Lay My Lily Down” oferece uma batida poderosa, misturada com um estilo mais alternativo na guitarra. É uma música folk mais escura e melancólica, em que Weir ritualiza o ciclo de nascimento e morte. Da mesma forma, “Ghost Towns” compartilha um tema semelhante ao explorar o abandono com letras como: “Eu sei o que as cidades-fantasma sabem / Amor vai e vem”. Na faixa “Whatever Happened to Rose” você encontra a beleza dos romances de Bob Weir, enquanto as preocupações e amarguras de sua vida são expostas sob um acordeão em “Darkest Hour”.

O cantor vê o desespero como forma de proporcionar um conforto. Ele transforma a música em uma verdadeira declaração de amor e companheirismo. É seguro dizer que Weir é um dos músicos mais experientes do rock & roll. Seus dons musicais são fortes em todo o álbum. Isso torna-se ainda mais evidente na estática faixa-título, “Blue Mountain”. O tom geral do registro é bastante melancólico. Aqui, o cantor mergulha profundamente dentro de si mesmo, a fim de trazer à tona o seu passado em Wyoming. Josh Kaufman adicionou elementos subjacentes à música de Bob Weir. Ambos conseguiram transformar esse disco em algo que realmente soa orgânico. Além disso, “Blue Mountain” destaca-se pela vulnerabilidade e profundidade, muitas vezes ausentes nos trabalhos anteriores de Weir. Esse álbum marca o seu primeiro material solo em mais de uma década, e o primeiro com todas as faixas originais em mais de 30 anos.

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Favorite Tracks: “Only a River”, “Cottonwood Lullaby”, “Gonesville”, “Whatever Happened to Rose” e “Blue Mountain”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.