Resenha: Bob Dylan – Fallen Angels

Lançamento: 20/05/2016
Gênero: Pop Tradicional
Gravadora: Columbia Records
Produtor: Jack Frost.

“Fallen Angels” é o trigésimo sétimo álbum de estúdio do lendário Bob Dylan, lançado pela Columbia Records em 20 de maio de 2016. O seu repertório conta com covers de doze clássicas canções americanas escolhidas pelo próprio astro. Igualmente ao seu antecessor “Shadows in the Night”, todas as músicas do álbum, com exceção de “Skylark”, já foram gravadas por Frank Sinatra. Obviamente, uma dúzia de canções do disco foram escritas por grandes nomes, tais como Sammy Cahn, Johnny Mercer e Jimmy Van Heusen. Fazem quatro anos que Bob Dylan não lança uma música original. Em vez disso, o cantor optou por prestar homenagens a padrões americanos que ficaram famosos na voz de Sinatra.

Embora essa canções sejam exuberantes e imponentes, “Fallen Angels” parece mais uma sequela do “Shadows in the Night”. Consequentemente, ele não atraiu tanto a atenção dos ouvintes, uma vez que todos já saciaram sua curiosaidade durante o último álbum. Apesar da boa produção, bom desempenho vocal e excelente banda, o ritmo de algumas músicas são cansativas e arrastadas. Poucas possuem uma beleza silenciosa como metade do “Shadows in the Night”. Bob Dylan ainda está vocalmente em forma, porém, sua vontade em lançar outro disco de covers é bem questionável. Outro ponto curioso e irônico é um músico como ele, que já foi diversas vezes criticado por suas habilidades vocais, lançar um álbum de covers, cujo sucessos baseiam-se na força da voz de Frank Sinatra.

Claro que nesta fase de sua carreira, ninguém pode dizer o que ele pode ou não fazer. “Shadows in the Night” foi uma bela homenagem à canções conceituais na voz de Sinatra. Entretanto, embora seja agradável de se ouvir, “Fallen Angels” não contém a mesma carga emocional do disco citado. Aqui, os arranjos foram a chave para dar alguma exuberância para as canções. O ritmo é lento e o clima bastante solitário, no sentido mais romântico da palavra. Dylan assume performances sensíveis, enquanto permanece fiel às melodias originais. Sob uma instrumentação tradicional e fraseado vocal, ele tenta impulsioná-las. A faixa de abertura, “Young at Heart” realmente dita o tom para todo o disco. Sua guitarra e os vocais emocionais de Dylan encaixaram-se perfeitamente.

Bob Dylan

Sinatra lançou um retorno comercial com a sua versão de 1953, anunciando um novo capítulo de sua vida musical e período mais criativo. “Young Heart” é, talvez, o maior destaque do álbum. Outra versão interessante é a de “Skylark”, única música que nunca foi gravada por Sinatra. Ela representa uma ruptura no conceito do disco, porém, dá uma sensação de maior liberdade para o mesmo. Dylan também consegue brilhar em números mais melancólicos, tais como “Maybe You’ll Be There”, “Melancholy Mood” e “On a Little Street in Singapore”. Por outro lado, faixas como “Nevertheless” e “Polka Dots and Moonbeams” são puro enchimento. Também há momentos em que sua áspera voz e alcance vocal limitado causam problemas.

Isso é mais nítido durante a sétima faixa, intitulada “All or Nothing at All”. Outras vezes, como em “That Old Black Magic”, sua voz simplesmente não engata. Felizmente, em outras canções, como “All the Way” e “Come Rain or Come Shine”, temos vocais robustos e performances mais competentes. Um canto mais delicado acaba por ser necessário durante a interpretação de “It Had to Be You”. A produção de Jack Frost (também conhecido como Robert Allen Zimmerman e Bob Dylan, risos) evita o máximo de enfeites. Os arranjos são discretos, porém, excelentes e muito apropriados. As peculiaridades e deficiências vocais de Bob Dylan são colocadas como vantagens durante o “Fallen Angels”.

Sua voz é áspera, mas seu fraseado, como sempre, é incrível, pois é dessa forma que ele coloca emoção sob as letras. As faixas mais lentas do disco acabaram sendo as mais fortes, uma vez que destacam sua voz. Longe de suas próprias letras, Dylan utiliza sua voz como principal instrumento. Vocalmente, ele pode estar menos expressivo, mais áspero e nasal, porém, a falta de preocupação em alcançar notas altas permitiu-lhe emocionar. Dylan pode não ser um grande cantor, mas seus pontos fortes de composição são extraordinários. Ele provou ao longo das últimas décadas que ainda pode escrever muito bem. Não há nada de errado com álbuns de covers, entretanto, depois de dois discos nesse formato, eu estou ansioso para ouvir um registro de canções originais.

71

Favorite Tracks: “Young at Heart”, “Maybe You’ll Be There”, “All the Way”, “Skylark” e “”Melancholy Mood”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.