Resenha: Blondie – Pollinator

Lançamento: 05/05/2017
Gênero: New Wave
Gravadora: BMG Rights Management / Infectious Music
Produtor: John Congleton.

Depois de comemorar o seu 40º aniversário, a banda americana Blondie lançou o seu 11º álbum de estúdio, intitulado “Pollinator”. Esse novo disco traz o som punk da década de 70 para os dias modernos. Embora eles não sejam mais os jovens dos anos 70, “Pollinator” sugere que eles ainda têm muito a dar para os fãs. O maior contraste entre o som aqui e o auge da banda, é a produção que tem um brilho mais moderno. Estilos antigos e novos se chocam e se complementam na tentativa de inovar algo tradicional. Os membros fundadores Debbie Harry e Chris Stein tomaram a decisão de ingerir sangue fresco na produção, tais como Johnny Marr, Dev Hynes, Charli XCX, Sia Furler e John Roberts. O disco foi gravado no The Magic Shop, Nova York, estúdio onde David Bowie gravou seus dois últimos álbuns.

Enquanto isso, a produção de John Congleton emprega tratamentos vocais ocasionais, oferece coesão e definição ao som da Blondie, com a inclusão de sintetizadores pulsantes, guitarras e melodias cativantes. A banda merece elogios pela capacidade de modernizar o seu som, depois de uma carreira tão bem sucedida. Temas como amor, sexo e desgosto dominam o repertório e faz ele ser refrescante e atrevido. O álbum funciona com um tema recorrente de nostalgia, e um anseio por momentos inocentes e felizes. Lembrando o famoso álbum “Parallel Lines”, faixas como “Doom or Destiny” e “Long Time” começam o “Pollinator”. “Doom or Destiny” não está longe das músicas que a banda criou no início dos anos 70, uma vez que possui uma clássica combinação de melodias assassinadas, fortes guitarras e baterias crocantes.

O que a distingue de ser um clássico instantâneo é o seu polimento super produzido, algo feito com a intenção de modernizar o som da banda. O single “Long Time” é um pop-rock que surge com sintetizadores brilhantes e uma percussão de condução. Harry entrega um refrão infeccioso com a mesma cadência que fez Blondie se tornar atraente. Inundando mais profundamente os ouvintes, a música também entra numa erupção com um riff viciante e familiar. Assim como 40 anos atrás, Debbie Harry ainda é capaz de emitir os mesmos vocais baixos e dominantes de “One Way or Another” e os vocais mais atuais da clássica “Heart of Glass”. Através dessas primeiras faixas, a banda pisa no mesmo território que a tornou um nome familiar nas últimas quatro décadas. A sua discografia inteira é uma aula de como se divertir, ao mesmo tempo que não é tratada como uma mera brincadeira.

Em seguida, temos um ótimo contraste entre o dance-pop “Fun”, uma música que faz jus ao seu nome, e a quinta faixa “My Monster”. Escrita por Johnny Marr, essa última revigora com sucesso o som definido pelo punk setentista da Blondie, através de arranjos vocais e riffs refrigerados. “Best Day Ever”, por outro lado, deixa muito a desejar. Suas letras simplistas e repetitivas, escritas por Sia Furler e Nick Valensi, a deixaram muito morna. Ela começa de forma promissora, mas depois culmina num som desordenado e discordante. A faixa seguinte, “Gravity”, é uma canção eletrônica de amor escrita por Charlie XCX e Dimitri Tikovoï. Um número chiclete, angustiado e rápido com uma quebra de sintetizador. Sua estética é sedutora e revestidamente doce, encomendada pela assertividade vocal radiante de Harry.

Em contrapartida, algumas músicas do álbum só enfatizam a deterioração da habilidade vocal de Harry, tal como “When I Gave Up on You”. Uma balada sentimental que tenta empurrar os seus limites vocais, mas desvia-se estranhamente para um território pop. A tensão em sua voz é evidente, mas o uso de algumas distorções foi desnecessário. Da mesma forma, “Love Level” é uma experiência incrivelmente estranha e dissonante, com a participação do ator John Roberts. “Too Much”, uma das poucas músicas escritas pelo membros da Blondie, é entusiástica e melancólica. Empurrada por letras simples e um refrão triste, Blondie é reconhecidamente eles mesmos. O álbum termina com “Fragments”, uma canção de quase 7 minutos de duração.

É um número lento que empurra a voz de Harry para o seu registro mais baixo. Depois de abrir lentamente, ela se torna um rock otimizado que qualquer devoto da Blondie reconheceria facilmente. Conforme a música avança, Harry fica mais insistente nas palavras, juntamente com as guitarras crocantes. “Pollinator” tornou-se involuntariamente um tributo criativo para a carreira da Blondie. Embora não tenha grandes faixas em termos de profundidade lírica e polimento, a essência geral de nostalgia ainda é bastante evidente. A produção pode não ser excelente, mas as melodias estão lá e Harry apresenta um trabalho vocal respeitável. Portanto, apesar do “Pollinator” estar muito longe de ser perfeito, é um dos mais divertidos trabalhos que a banda fez em anos.

Favorite Tracks: “Long Time”, “My Monster” e “Gravity”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.