Resenha: Blink-182 – California

Lançamento: 01/07/2016
Gênero: Pop Punk, Rock Alternativo, Punk Rock
Gravadora: BMG Rights Management
Produtor: John Feldmann.

É uma surpreendente pensar que “Cheshire Cat”, primeiro álbum do Blink-182, foi lançado há 21 anos. Desde então, eles tornaram-se uma das bandas de pop-punk mais amadas do mundo. Eles sempre misturaram a energia do punk, com melodias cativantes e letras equilibradas entre o cômico e o comovente. Após seu auge no final dos anos 90 e início dos anos 2000, o trio entrou em um hiato, por causa das tensões entre os membros. Em 2015, o Blink-182 estava à beira de um futuro incerto, após notícias de um novo produtor, um novo vocalista e o adeus a um dos membros fundadores. Ano passado, Tom DeLonge deixou a banda definitivamente para focar em outros projetos. Para continuar como um trio, Mark Hoppus e Travis Barker recrutaram Matt Skiba para o lugar de Tom DeLonge. Skiba é mais conhecido por ser o vocalista e guitarrista principal da banda Alkaline Trio. Em 01 de julho de 2016, a banda lançou o seu sétimo álbum de estúdio.

Intitulado “California”, o disco vê o trio voltar para um estilo vistoso de pop-punk, que fez deles quem são. Enquanto aqui não há nada do calibre de “What’s My Age Again?”, “All The Small Things” e “I Miss You”, pode-se dizer que é algo melhor que o último álbum (“Neighborhoods”). Não é um disco inovador, por qualquer meio, mas é certamente preenchido com todos os elementos pop-punk que os fãs conhecem. A bateria de Travis Barker permanece rápida e impressionante, enquanto a voz de Mark Hoppus continua intacta. Sua voz parece não envelhecer, pois continua imediatamente reconhecível e poderosa como 20 anos atrás. Em “California” também encontramos um par de faixas mais lentas, para satisfazer aqueles que preferem esse lado da banda. Não é um registro clássico ou impressionante, porém, é muito melhor do que eu esperava. Hoppus, Barker e Skiba estão determinados a preservar a alma do antigo Blink-182, com ajuda do produtor John Feldmann.

Hoppus e Skiba harmonizam como se estivesse juntos há anos, ao passo que a bateria de Barker equilibra-se perfeitamente. As harmonias vocais podem ser a maior diferença encontrada nesse novo álbum. A substituição de Skiba por DeLonge é claramente perceptível, ambos possuem sua própria entrega vocal. Mark Hoppus assume a liderança em quase todas as faixas, enquanto Skiba fornece harmonias bem complexas. Os vocais são nítidos, polidos e perfeitamente equilibrados. Como uma homenagem ao estado da Califórnia, o disco possui canções dedicadas às cidades de San Diego e Los Angeles. De alguma forma, é um álbum que soa mais maduro, embora nostálgico e complexo. As guitarras são cruas e pesadas, enquanto a bateria fica melhor a cada nova faixa. O disco abre com “Cynical”, uma canção com tudo que Blink-182 costuma oferecer: punk-rock furioso, ritmo rápido e percussão acelerada.

Blink-182

É uma introdução muito animada que dita o tom para o restante do álbum. As letras são confessionais e falam sobre ansiedade, porém, a música acaba antes das coisas ficarem sérias. Imediatamente após “Cynical”, surge “Bored to Death”, primeiro single do álbum. Esta é, sem dúvida, uma das melhores músicas do disco. O riff de guitarra presente em toda música é fortemente influenciado por “Adam’s Song”. Skiba não tenta copiar o estilo de DeLonge, tanto que faz uma exibição decente. Hoppus e Skiba alternam nos vocais entre os versos, à medida que cordas permanecem crescentes. No refrão ouvimos letras como: “Poupe seu fôlego, estou quase / Entediado até a morte e desaparecendo rapidamente / A vida é curta demais para durar tanto”. O segundo single, “She’s Out of Her Mind”, é um cativante lembrete de que você deve ser você mesmo e não se preocupar com o que os outros pensam. É um pop-punk enganosamente simples, que faz referência à banda de post-punk Bauhaus no refrão.

Embora não seja uma das minhas favoritas, é uma faixa divertida, alegre e uma forte afirmação de que Blink pode inspirar-se no seu passado. A próxima faixa, “Los Angeles”, sinaliza o início da parte mais experimental do registro. Ela não possui aquele som pop divertido que esperamos do Blink. “Los Angeles quando você vai me salvar?”, Skiba se pergunta no refrão. É uma pista que soa mais como alguma coisa que a banda Alkaline Trio faria. “Sober”, que surge na sequência, é outra grande canção. É mais lenta do que a maioria do repertório e soa como algo do Good Charlotte. É um número mais realista que carrega um grande nível de honestidade. Os tambores crescentes, palmas e os gritos de “na na na na” são bem cativantes. A sexta faixa, “Built This Pool”, e a soberbamente intitulada “Brohemian Rhapsody”, são esquetes que remetem a velha escola do Blink-182. Ambas são ideias cômicas que servem para tranquilizar um pouco as coisas. Eu, sinceramente, esperava até mais humor no álbum do que apenas isso.

Blink182

“Built This Pool” é uma canção sem sentido sobre caras nus, enquanto “Brohemian Rhapsody” apresenta um riff de guitarra familiar, letras vulgares e uma rápida bateria. Em seguida, temos “No Future”, outra faixa onde Hoppus divide os vocais com Skiba. É um punk-rock com fortes tambores e linhas como: “Eles não se preocupam com você”. Apesar da boa interação entre os vocalistas, Skiba fornece alguns vocais bem ruins. Os “na na na na”, em determinados momentos, também começam a ficar irritantes, em vez de cativantes. Levando o ritmo um pouco para baixo, “Home Is Such a Lonely Place” é uma peça muito bem interpretada. Ela possui uma estrutura simplista, energia crua e uma melancolia sem precedentes. É a balada mais descontraída do repertório e ainda apresenta violão, cordas, sinos e assobios. As duas faixas seguintes, “Kings of the Weekend” e “Teenage Satellites”, retornam à fórmula pop-punk já conhecida do Blink. Ambas são canções divertidas, dançantes, com poderosos refrões e rápidos tambores.

“Obrigado Deus pelas bandas de punk rock”, Mark canta em “Kings of the Weekend”. É uma recordação de glórias do passado. “Teenage Satellites” possui uma maior suavidade lírica, em grande parte, devido a produção e escrita de John Feldman. “Left Alone” possui uma dose do clássico Blink, porém, uma grande influência da banda Angels & Airwaves. Se isso é algo bom, eu vou deixar você tirar suas próprias conclusões. Um rápido, excêntrico e irreverente punk-rock também vem à tona durante a faixa “Rabbit Hole”. É uma peça convidativa e imprevisível, que mistura um conteúdo adulto com um toque juvenil encantador. “San Diego” lida com a saída de Tom DeLonge e as memórias que um lugar pode proporcionar. É uma música triste e doce, definida pelo baixo introdutório de Mark Hoppus. Ele define o ritmo rápido para esta música, que permanece atraente em sua totalidade. “Não é possível voltar para San Diego”, Hoppus canta emocionalmente.

Mais tarde, os vocais de Matt e Mark são muito bem sobrepostos na divertida e extremamente rápida “The Only Thing That Matters”. Com o repertório chegando ao fim, é natural que a faixa-título, “California”, seja apresentada. É, obviamente, uma homenagem para o estado de origem do Blink-182. “California” leva o ouvinte para uma lenta e melancólica viagem na Costa Oeste dos Estados Unidos. Há algo sobre esta canção que soa verdadeiro e honesto, enquanto alguns violinos são inclusos na composição. É uma balada realmente linda. “California” é definitivamente um álbum com a cara do Blink-182. Apesar de Tom DeLonge não está mais na banda, este é verdadeiramente um disco do Blink. Matt Skiba se encaixou bem ao som e estilo do grupo, mesmo trazendo coisas novas. Blink já influenciou muitas outras bandas desde que surgiram, por isso merecem créditos por mais um ótimo trabalho. “California” não é nenhuma obra-prima, mas provavelmente, muitos fãs foram agradavelmente surpreendidos com este disco.

68

Favorite Tracks: “Cynical”, “Bored to Death”, “Rabbit Hole”, “San Diego” e “California”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.