Resenha: Blake Shelton – Texoma Shore

Lançamento: 03/11/2017
Gênero: Country
Gravadora: Warner Bros. Records
Produtor: Scott Hendricks.

Blake Shelton nomeou o seu novo álbum, “Texoma Shore”, depois de grava-lo nas margens do lago Texoma, em Oklahoma. Localizado na fronteira entre o Texas e Oklahoma, o lago fica a uma hora de distância da cidade natal do cantor, Ada. Blake Shelton iniciou sua carreira country em 2001 com o disco homônimo. Nos próximos quinze anos, o cantor lançaria mais nove álbuns de estúdio (incluindo uma compilação natalina). Depois de suas contribuições para o The Voice da NBC, Shelton foi muito mais abraçado pelos meios de comunicação. Desde 2001, ele estabeleceu-se como um tradicionalista, embora seus últimos álbuns tenham ampliado seu escopo sonoro. Felizmente, em “Texoma Shore” ele retornou às suas raízes. O álbum não possui qualquer superprodução ou a postura vazia de “Bringing Back the Sunshine” (2014) e “If I’m Honest” (2016). Pode não ter nada de espetacularmente incrível neste registro, mas é um dos melhores lançamentos do cantor nos últimos anos. Inegavelmente, Shelton possui uma voz perfeitamente adequada para a música country. E este novo álbum o mostra num ótimo momento de sua carreira. Ele não reinventou a música country, mas conseguiu entregar um álbum respeitável do começo ao fim.

Produzido pelo colaborador de longa data Scott Hendricks, “Texoma Shore” fornece onze faixas e mostra um cantor feliz olhando para o futuro ao lado de sua atual namorada, Gwen Stefani. Dito isto, é um salto distante do seu último registro, “If I’m Honest” (2016), que foi inteiramente influenciado pelo divórcio com Miranda Lambert. No primeiro single, “I’ll Name the Dogs”, Shelton mergulha diretamente no country tradicionalista de suas raízes. Uma música doce que concentra-se na construção de um relacionamento duradouro. Em “At the House”, ele nos fornece um som mais crossover que vai além do country. O refrão é acelerado e igualmente cativante e infeccioso. Na maior parte, “At the House” abraça o country, mas existem algumas truques na sua produção que são diferenciados. “Beside You Babe” é um pouco mais experimental devido às batidas eletrônicas e sintetizadores. Felizmente, tudo mistura-se bem com as guitarras rítmicas e não interfere no estilo country do álbum. Escrita para Gwen Stefani, “Why Me” vê Blake Shelton perguntando por que ela o escolheu como parceiro. É uma música country romântica com um balanço enfático e pesados toques de banjo. O pseudo-rap da bem-humorada “Money” acrescenta um pouco de bro-country ao registro, enquanto o cantor celebra a vitória do amor sobre a pobreza.

A cativante “Turnin’ Me On” evoca inesperadamente a banda Fleetwood Mac e suas influências oitentistas. Aproximando-se da marca de cinco minutos de duração, é a música mais longa do repertório. Surpreendentemente co-escrita por Shelton, é outra canção inspirada por Gwen Stefani. Sonoramente, possui melodias lisas e um refrão repetitivo calibrado por fortes solos de guitarra. “The Wave”, por sua vez, é embalada por uma natureza emocional ainda maior. Uma balada atrativa e ideal para qualquer fã apaixonado por country tradicional. Igualmente lenta e tradicional, “Hangover Due” é um número divertido que antecede a nostálgica balada “I Lived It”. Um olhar emocional para os velhos tempos, onde Shelton retorna definitivamente às suas raízes. Esta música conta a história de vida do cantor, mencionando várias coisas pelas quais ele já passou. Imprevisivelmente, Blake Shelton conseguiu criar um esforço agradável e atraente. “Texoma Shore” possui grandes vocais, muito charme e várias canções respeitáveis. Certamente, não é um álbum inovador e não vai transformar a carreira de Blake Shelton. Porém, não deixa de ser uma sólida adição à sua discografia. Em suma, é o seu melhor disco desde o “Based on a True Story…” (2013).

Favorite Tracks: “I’ll Name the Dogs”, “Turnin’ Me On” e “The Wave”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.