Resenha: Blake Shelton – Bringing Back the Sunshine

Lançamento: 30/09/2014
Gênero: Country
Gravadora: Warner Bros.
Produtores: Scott Hendricks.

Desde que começou a trabalhar como jurado no The Voice, o cantor country, Blake Shelton, tem desfrutado de uma enorme fama nos Estados Unidos. O seu oitavo álbum de estúdio, “Bringing Back the Sunshine”, foi lançado em 30 de setembro de 2014 e produzido por seu produtor de longa da data, Scott Hendricks. Estreou em #1 na parada de álbuns da Billboard, ao vender 110 mil cópias na primeira semana. O astro é, atualmente, um dos maiores nomes da música country dos Estados Unidos, enquanto o seu sucesso vai muito além de Nashville. Nesse novo disco há um excesso de canções apaixonadas, músicas up-tempo divertidas e baladas, que estabelecem a maior parte do repertório. É um trabalho competente, mas, a sua enorme falta de variedade, deixa muito a desejar. Ao longo de 12 faixas, temos um artista excessivamente confiante e interpretando canções que testam os seus limites vocais. Shelton tem uma boa voz, é talentoso e já provou anteriormente que pode fazer belas músicas.

Mas também tem provado que pode fazer algumas das piores músicas do gênero. Ao descrever o álbum, Blake Shelton disse que vai conter “coisas que eu não tenha abordado na minha música tanto quanto eu costumava fazer, quer se trate de beber canções, canções de desgosto ou canções sobre como as pessoas te tratam”. A otimista faixa-título, “Bringing Back the Sunshine”, é um número energético que apresenta uma guitarra muito bacana. Os vocais do cantor estão bons nessa música, enquanto o jogo de guitarra elétrica é sólido e fornece uma boa sensação de country-rock. As letras sobre ele são um pouco chatas, mas, em um contexto geral, é uma música decente. O primeiro single foi a canção “Neon Light”, uma música divertida com vocais confiantes e uma atitude ousada. Uma canção que flui bem, é radiofônica e, embora não tenha um ótimo conteúdo lírico, possui um jogo de palavras interessante. Há também um loop de bateria programada, que é muito comum no meio country, um banjo e algumas guitarras.

A terceira faixa, “Lonely Tonight”, é uma canção de amor apaixonada e realizada em dueto com a ótima Ashley Monroe. É, sem dúvida, a canção mais cativante do disco, aqui Shelton mostra o seu alcance vocal de forma honesta e emocionante. Em “Gonna” o cantor assume um papel de um cara muito mais novo em uma performance que soa meio desajeitada. Tanto que, inicialmente, a canção começa como um número de R&B e algumas batidas de hip-hop. A melhor maneira de descrever-la, seria chamá-la de uma outra versão de “Play It Again” de Luke Bryan, porém, muito pior e com um refrão bastante irritante. Os sintetizadores, o auto-tune e os loops de bateria estão em abundância nessa faixa. “A Girl”, quinta faixa, é uma das mais fracas do álbum, uma canção com uma abordagem lírica simples e ruim. É aquele tipo de música banal que dificilmente prenderá a sua atenção. O mesmo pode ser dito para “Sangria”, outra canção que não encanta e passa despercebida. Inicialmente, a música aparenta ser temperamental e contém uma sensação de profundidade, que é ao mesmo tempo romântica e dramática.

Blake Shelton

No entanto, é apenas mais uma música sobre Blake Shelton tentando ter relações sexuais com alguma garota, que o cantor faz questão de detalhar por demais. Em seguida, temos a pior canção do álbum em colaboração com a recém-chegada RaeLynn: “Buzzin'”. Uma música que parece totalmente fora do lugar e contém um conteúdo lírico sem seriedade. Se há uma faixa que deveria ter ficado de fora do álbum, é essa. Em contrapartida, a faixa “Just South of Heaven” é uma balada saudosa que prova o quão Blake Shelton pode entregar uma música bem escrita. A faixa seguinte, “I Need My Girl”, é outro desempenho de destaque no álbum. Uma canção forte e poderosa, que apresenta, especialmente no refrão, vocais bem energéticos de Shelton. É também uma das músicas mais vulneráveis do disco, pois fala sobre a negociação de vícios como álcool e cigarro, com coisas que são realmente importantes em sua vida.

“Good Country Song” é um momento mais sério, onde o cantor canta sobre o poderoso impacto que uma grande canção pode ter sobre uma pessoa: “Eu estou falando sobre uma boa música country / Faz você sorrir, faz você se machucar / Te abandona, pendurado em cada palavra”. Com este título, Blake Shelton não só canta sobre uma boa música country, como também nos proporciona uma grande canção que, provavelmente, vai ser uma das favoritas dos seus fãs. Em “Anyone Else”, o astro retarda ao cantar sobre temas como o amor jovem e a dor de cabeça de dedicar-se a alguém que está vivendo de forma egoísta. A música é boa e conta uma história que aparenta ter alguma emoção por trás. O álbum começou com um número divertido e, portanto, o cantor optou em encerrá-lo com outra canção animada. “Just Gettin’ Started” fecha o repertório com uma boa sensação festeira, em uma nota cativante e de fácil memorização.

A persona pública de Blake Shelton é uma junção de esperteza e sensibilidade, que o tornou no mais ubíquo artista masculino da música country do momento. É impossível fugir do fato de que a percepção da sua música, mudou significativamente desde que começou a trabalhar como jurado no The Voice. Ele é um homem adulto com uma simpatia enorme, um bom apresentador, um juiz de alto perfil de reality show e uma personalidade com constante presença em anúncios e comerciais. Seus álbuns mais recentes desenham os lados da sua personalidade, mas nem sempre funcionam tão bem. No “Bringing Back the Sunshine” ele soa como um adulto ocupado tentando equilibrar o amor com sua carreira. Ele tem um toque fácil em baladas e canções mid-tempo, porque sua voz é quente e ressonante, entretanto, esse registro é apenas simpático e confortável dentro do seu gênero, nada mais que isso. Nada aqui realiza alguma incrível façanha, só consegue ser um pouco divertido e traz de volta a sua sonoridade de costume.

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Favorite Tracks: “Bringing Back the Sunshine”, “Neon Light”, “Lonely Tonight (feat. Ashley Monroe)”, “Just South of Heaven” e “Good Country Song”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.