Review: Black Rebel Motorcycle Club – Wrong Creatures

Lançamento: 12/01/2018
Gênero: Rock Alternativo, Noise Rock, Garage Rock
Gravadora: Vagrant Records
Produtores: Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro.

Black Rebel Motorcycle Club é uma banda americana composta por Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro. O ex-baterista Nick Jago deixou a banda em 2008 para se concentrar em seu projeto solo. Como uma banda que explorou o garage-rock no início dos anos 2000, BRMC está mais aprimorada e com alguns novos truques em seu oitavo álbum. Intitulado “Wrong Creatures”, o seu novo disco fornece respostas enfáticas e, ao contrário de registros experimentais, como “Howl” (2005) e “The Effects of 333” (2008), é muito mais familiar. Dezessete anos atrás, a banda lançou o seu LP de estreia e chegou a ser chamada de revolucionária por alguns críticos. Tudo isso porque eles estavam transformando o garage-rock em algo psicodélico e relevante mais uma vez. Este título, sem dúvida, era exagerado e aplicado de forma injusta, mas estava claro que BRMC era uma banda revivalista. “Wrong Creatures não é um registro inovador, excelente ou coeso por qualquer meio. Além disso, ele não transforma necessariamente o garage-rock em rock-psicodélico, embora seja um retorno à antiga forma da banda. 

Apesar de possui apenas 2 minutos em grande parte instrumental, “DFF” fornece uma sugestão do que podemos esperar do álbum. Linhas de baixo, tambores, teclados e cantos tribais rugem sobre esta canção, enquanto mantém uma certa tensão e som obscuro. Em seguida, “Spook” salta diretamente para os sulcos pop que tornou a banda conhecida. Eles mergulham diretamente nesse tom ambiental, ao mesmo tempo que explodem em êxtase. O quarto single, “King of Bones” abraça estranhas melodias, porém, apresentando um baixo e guitarra igualmente ameaçadores. Brincando com tons eletrônicos mais ambiciosos, a banda criou uma certa vantagem para a música. “Haunt”, lançada como segundo single, e “Echo” estão no extremo oposto do repertório, pois comprovam que Black Rebel Motorcycle Club ainda pode oferecer algo tentador e refrescante. Um ar de mistério vagueia através dos versos de “Haunt”, que depois transforma-se numa canção pesada com harmonias refrigeradas. As influências de blues são nítidas, uma vez que ecoam sob os sujos arranjos de cordas. 

“Echo”, por sua vez, combina diferentes influências da banda a fim de criar um refrão calmo e sedutor. O teclado proeminente, guitarra sutil e letras sinceras transformam a escuta numa experiência verdadeiramente etérea. Mais tarde, o senso de humor da banda aparece excessivamente em “Ninth Configuration”, uma vez que eles parecem ter pouco a oferecer. Inicialmente, parece uma boa música, porém, à medida que progride proporciona uma escuta entediante por conta da longa duração. “Question of Faith”, por outro lado, retorna aos momentos iniciais do álbum, enquanto fornece um baixo poderoso, refrão ardente e canto essencial. Embora seja um pouco monótona e repetitiva, “Calling Them All Away” contém uma grande carga de energia e torna sua escuta gratificante.  Enquanto isso, o primeiro single, “Little Thing Gone Wild”, é um número quase industrial que fornece violentas guitarras, linhas graves e bateria cheia de adrenalina. Conduzindo o álbum para a sua conclusão, “Carried from the Start” possui um ritmo mais lento, enquanto sons energéticos a impedem de ficar realmente maçante. 

A última faixa, “All Rise”, parece inicialmente uma balada de piano, porém, as cordas posteriores conseguem capturar mais da nossa atenção. É um número acústico que não parece em concordância com as músicas mais sujas do álbum. Entretanto, a capacidade da banda em tecer sobre canções emocionalmente carregadas, retira esta má impressão. Certamente, Black Rebel Motorcycle Club evoluiu ao longo dos anos conforme foi ganhando mais experiência. Consequentemente, o garage-rock da banda mudou para algo mais sofisticado e evocativo. No entanto, mesmo com os seus esforços, “Wrong Creatures” exala uma complexidade pouco convincente e acessível, além de possuir um repertório de difícil compreensão. Para um grupo de veteranos que ainda luta para ser reconhecido como uma grande banda de rock-psicodélico, “Wrong Creatures” soa um pouco decepcionante. Sem dúvida, os melhores momentos do álbum são aqueles conduzidos por guitarras ardentes, poderosas linhas de baixo, ritmos envolventes e boas histórias.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.