Resenha: BJ the Chicago Kid – In My Mind

Lançamento: 19/02/2016
Gênero: R&B
Gravadora: Motown
Produtores: Ethiopia Habtemariam, BJ the Chicago Kid, Mike & Keys, DJ Khalil, Cornelio “Corn” Austin, Sean Cooper, DJ Reflex, Matthew Edwards, District 9, Aaron Renner, Jarius Mozee, Joe Syring, Lamar Edwards, Da Internz, Aaron Michael Cox e David Haddon.

Bryan James Sledge nasceu em Chicago, começou a cantar no coral da igreja e, mais tarde, trilhou o seu caminho através da escrita para diferentes cantores, aparecendo em algumas músicas e, finalmente, liberando mixtapes entre 2009 e 2011. Ele é mais conhecido por seu nome artístico BJ the Chicago Kid, e lançou o seu primeiro álbum de estúdio em 2012. O fato de ter começado a cantar na igreja, lhe deu a oportunidade de desenvolver uma voz extremamente soulful que já enfeitou muitas canções de rap desde o início de sua carreira. Na indústria do hip-hop, por exemplo, ele é muito conhecido, pois já trabalhou com Kanye West, foi endossado por Dr. Dre e é um frequente colaborador de Kendrick Lamar e sua família Top Dawg Entertainment. Depois de toda a exposição ao lado de nomes de destaque, BJ the Chicago Kid lançou recentemente seu segundo LP, intitulado “In My Mind”.

O disco é uma versão suave dos seus sentimentos e lutas associadas à vida nas ruas de Chicago. É um material que olha para trás a fim de abordar o sucesso de um jovem negro. “In My Mind” é um projeto com letras cheias de maturidade e honestidade. Geralmente, o segundo álbum de estúdio é o mais importante da carreira de um artista. Porque é o momento onde eles podem crescer e florescer ainda mais o seu talento. O álbum possui várias canções fortes que, às vezes, são excessivamente sexuais e embaladas com sensuais vocais. As estruturas das batidas, que aparecem a cada nova faixa, são muito interessantes e originais. “In My Mind” pode ter sido a chance de BJ entrar de vez no mainstream, e tornar-se um conhecido artista por seu próprio direito.

Seu repertório apresenta 15 faixas e uma boa lista de convidados, que inclui Chance the Rapper, Big K.R.I.T. e Kendrick Lamar. É um LP incrivelmente confiante e coeso, com temas profundos e instrumentais muito exuberantes. As letras são significativas, sua voz notavelmente única e as músicas mergulhadas em sua raízes. Se você é um verdadeiro fã de R&B, com certeza deveria ouvir este álbum. O disco começa com uma breve introdução de 41 segundos, chamada de “Intro (Inside My Mind)”. Em seguida, surge a faixa “Man Down”, uma canção realmente interessante e muito bem produzida. “Church”, primeiro single e terceira faixa do LP, aborda questões de adultério, abuso de drogas e outras tentações entre os jovens cristãos. Em “Church”, BJ the Chicago Kid toma um rumo mais espiritual com ajuda de Chance the Rapper. Essa canção realmente define o tom para o registro.

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É engraçada e brincalhona, ao mesmo tempo que apresenta um tema milenar de crença e tentação. Ao longo das descontraídas guitarras, doces cordas, harmonias e batidas, Sledge canta: “Ela diz que quer beber, usar drogas e fazer sexo esta noite / Mas eu tenho igreja na manhã, igreja de manhã”. Uma das melhores coisas nesta canção, além da presença de Chance the Rapper, é a suave sensação que ela emite ao mergulhar no R&B e gospel. “Love Inside”, quarta faixa, é uma jam down-tempo explícita, onde a voz do cantor está ainda mais sensual. Igualmente agradável, a melodia é simples, porém, muito encantadora. “Love Inside” mostra a capacidade de BJ para fazer músicas de amor legítimas. É uma clara reminiscência de uma dessas canções de R&B dos anos 70. “The Resume” exerce a mesma tendência definida nas duas músicas anteriores, ou seja, é descaradamente sedutora e sexy.

As harmonias dessa música são, provavelmente, as melhores do LP. Apesar da letra cair num lado exagerado, sua produção musical compensa qualquer deficiência lírica. Aqui, Sledge tenta seduzir uma mulher usando uma metáfora. A dualidade de sensualidade e banalidade é pungente, assim como ele canta de uma forma abertamente sexual. “Shine” é outra faixa que merece uma atenção especial. Ela começa com um simples riff de piano que permite BJ trazer sua beleza vocal para fora. A textura da instrumentação engrossa com a adição de cordas e outros instrumentos acústicos. A ausência da bateria permite que a música seja ainda mais bonita. Aqui, temos basicamente apenas o piano, uma guitarra e os seus vocais. É uma canção edificante, profunda e emocional. As letras são cruas e possuem uma grande sensibilidade, tanto que “Shine” é uma balada que dá um toque mais romântico para o álbum.

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Outra canção poderosa é “Wait Til the Morning”, onde Sledge implora sua amante para não revelar seu caso à sua esposa, para que ele possa desfrutar de uma última noite de paz antes de sofrer as consequências. É outro número que permanece fiel ao projeto de apresentar uma experiência auditiva autêntica sobre o amor e suas dimensões. Aqui, BJ realmente rouba a cena com seus vocais elegantes sobre um acompanhamento de piano soulful. A falta de ritmo ainda permite a beleza das letras brilhar. Uma veia espiritual semelhante a de “Church” aparece na faixa “Jeremiah/World Needs More Love”, com Eric Ingram. É um belo hino soul e gospel, que celebra e prega o amor para o mundo. Os vocais estão inabaláveis nesta faixa e realmente conseguem inspirar o ouvinte. É uma música maravilhosamente soulful, com órgãos sútis e guitarras entrando e saindo.

“The New Cupid”, com Kendrick Lamar, é um número neo-soul misturado com a arrogância de um jovem-adulto. Possui um ritmo muito bom, conforme BJ coloca o ouvinte num turbilhão de emoções ao longo dos versos, refrões e variedade de tons. Kendrick Lamar brilha em faixas neo-soul como esta, pois é capaz de adequar-se facilmente a diferentes estilos. “The New Cupid”, sem dúvida, fez jus ao legado da parceria de ambos artistas, pois é tão boa quanto “Kush & Corinthians” e “His Pain 2”. A faixa seguinte, “Woman’s World”, é uma verdadeira ode às mulheres. É uma mudança de ritmo refrescante à história misógina que, às vezes, pode aparecer em gêneros como hip-hop. Em “Woman’s World”, BJ mostra que por trás de um grande homem, existe uma grande mulher. Ele mostra toda a sua apreciação pelo poder das mulheres e sua mágica capacidade de dar a vida.

“Falling On My Face”, em seguida, apresenta um piano e melodia vocal que criam um verdadeiro clímax emocional para o álbum. “In My Mind” é um emocionante álbum de R&B com elementos de soul e hip-hop. Ele tem um perfeito equilíbrio de sensualidade, crueza e confiança. Com letras simples, boas melodias e uma voz firme, BJ the Chicago Kid tornou este álbum em algo incrível. Não é um disco perfeito, pois possui um tempo de duração que poderia ter sido mais enxuto. Alguns dos instrumentais são um pouco semelhantes, mas cada um tem algo que destaca-se por conta própria. Com exceção dessas pequenas falhas, “In My Mind” é muito bom, principalmente pelo fato de ser o seu primeiro lançamento por uma grande gravadora. Preenchido por sons exuberantes e temas interessantes, o álbum é extremamente profundo, suave e prazeroso.

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Favorite Tracks: “Church (feat. Chance the Rapper)”, “Wait Til the Morning (feat. Isa)”, “Heart Crush”, “Jeremiah/World Needs More Love” (feat. Eric Ingram)”, “The New Cupid (feat. Kendrick Lamar)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.