Resenha: Birdy – Beautiful Lies

Lançamento: 25/03/2016
Gênero: Indie Folk, Indie Pop, Pop Barroco
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Sara Law, Jim Abbiss, Steve Mac, Birdy, Tim Bran, Roy Kerr, TMS, Felix Joseph, Al Shux e Sam Romans.

Jasmine Bogaerde, mais conhecida pelo nome artístico Birdy, é uma cantora inglesa que estreou na música com um cover de “Skinny Love” de Bon Iver. É difícil negar que Birdy mostrou ter um grande potencial com o seu auto-intitulado álbum em 2011. Ela tinha apenas 15 anos e uma voz surpreendente para a sua idade. Com esse disco de covers ela mostrou um som mais maduro do que poderíamos esperar. O seu segundo álbum, “Fire Within”, era totalmente original e outra forte coleção para alguém tão jovem. Ela escreveu ou co-escreveu todas as onze canções do disco, e foi muito bem recebida pela crítica. O mesmo serve para “Beautiful Lies”, o seu mais recente projeto. Lançado em 25 de março de 2016, o disco é musicalmente incrível e liricamente maduro para alguém que acabou de sair da adolescência. Embora Birdy certamente teve ajuda na escrita, alguma das faixas foram escritas inteiramente por ela. O seu apelo não está necessariamente no conteúdo lírico, entretanto, suas letras não podem ser ignoradas. Através de uma análise minuciosa, você percebe que cada palavra serve como um perfeito acompanhamento musical. Sua voz combina um som mais tradicional com uma enorme vulnerabilidade. A produção neste novo álbum é um pouco mais dinâmica do que o habitual, ela oferece arranjos brilhantes e uma instrumentação de alto nível. O álbum começa com “Growing Pains“, canção com algumas influências orientais em sua composição. A partir daqui, fica evidente que ela cresceu e está explorando novos sons.

A faixa equilibra letras sinceras, com um alto valor de produção e experimentação musical. É uma mudança sonora bem-vinda, se comparada ao seu último disco. Birdy é capaz de adaptar a sua voz com facilidade a qualquer tipo de música. Em “Shadow”, uma balada de piano, ela mostra ainda mais o seu amadurecimento como cantora e compositora. É uma faixa temperamental, onde Birdy canta, muitas vezes, em seu registro mais baixo. Sua melodia é adorável, assim como a guitarra e o tambor são muito bem alinhados. Possui uma vibe barroco e indie muito poderosa, enquanto Birdy atinge grandes notas altas. O primeiro single do álbum, “Keep Your Head Up”, é incrivelmente cativante e um dos destaques do registro. É uma canção indie-pop muito radio-friendly e impactante. Em sua instrumentação temos harpa, boas harmonias, um forte piano e uma batida de tambor pegajosa durante o refrão. É realmente uma música edificante. Por outro lado, “Deep End” é muito mais crua e dramática. Sua produção é mais simples, porém, não deixa de ser adequada e emocional. Liricamente, a música fala sobre as incertezas do amor: “Eu não sei se você significa tudo pra mim / E eu me pergunto se posso te dar tudo que você precisa”. A faixa seguinte, “Wild Horses”, foi lançada como segundo single e é outra canção radio-friendly brilhante. Aqui, Birdy combina sua maturidade e juventude da melhor maneira possível. É uma pista evocativa, desafiadora, muito bem escrita e com um refrão poderoso. É possível notar que a sua voz cresceu forte durante os anos, conforme consegue atingir notas mais altas.

Nesta canção, os backing vocals fazem um papel interessante, pois complementam de forma eficaz a doce voz de Birdy. A quebra no final é muito interessante, pois os tambores juntam-se à sua voz e elevem o ritmo da música. Em “Lost It All” ela canta com uma enorme fragilidade acompanhada por letras sinceras e angustiantes. É um número mais suave, conduzido pelo piano e com uma produção mais simples. Há uma qualidade arejada na voz de Birdy, além de uma entrega triste e sutil. Na sétima faixa, “Silhouette”, ela está bastante vulnerável e canta sobre encontrar forças para superar um desgosto. É uma canção mais obscura, com letras como: “Deixe que todos os meus arrependimentos / Afundem como os restos de um navio / Através da escuridão do oceano”. A melodia e voz de Birdy, particularmente, se destacam nesta canção, pois são colocadas no topo de uma matriz de instrumentos e vocais de apoio. Esperança é um tema comum neste disco, consequentemente, é apresentado novamente em “Lifted”. Aqui, a cantora mostra sua perspectiva a respeito de sua maturidade e experiências da vida. A sua produção é intrigante, despojada e apresenta um refrão muito atraente. Não chega a ser uma música memorável, porém, cresce em você após algumas repetidas escutas. “Take My Heart” foi uma surpresa agradável, pois é sensual, poderosa e um pouco assustadora liricamente e sonoramente. É um momento que mostra mais da capacidade artística de Birdy. Ela tem uma vibe R&B, um fluxo rebuscado e uma atmosfera incrivelmente sedutora.

A décima faixa, “Hear You Calling”, é sem dúvida uma das músicas mais cativantes do registro. Ela aventura-se no som de assinatura da cantora, no entanto, incorporando fortes elementos pop. A canção fornece um novo território para Birdy, enquanto acrescenta uma maior variedade sonora ao álbum. Sua produção é muito criativa, assim como o refrão é um dos melhores do disco. “Words” é outra música profundamente emotiva que merece atenção. É triste, dolorosa e pungente, conforme ela lamenta sua relutância dentro de um relacionamento. Para mim, é uma das baladas mais sólidas do álbum, especialmente por causa da ótima melodia. A constatação de que mais nada pode ser feito e a única opção é seguir em frente, é outro tema recorrente em “Beautiful Lies”. Isso é novamente explorado na faixa “Save Yourself”, uma canção poderosa, com um ritmo suave e letras intensas. Birdy interpreta essa música com uma voz assombrosa, e mostra mais do seu alcance vocal. Os backing vocals também possuem uma participação fascinante aqui, bem como as despojadas batidas e o piano. “Muitas luas iluminarão nossos caminhos / Tão certo como a noite se segue ao dia / E tudo que você ama permanece / Intacto”, Birdy declara em “Unbroken”. É outra balada triste no piano, que combina o desgosto amoroso com a esperança de um futuro brilhante. É tão suave e simples que chega a parecer uma canção de ninar. É verdadeiramente uma música clássica da Birdy. A última canção da versão padrão do álbum é a faixa-título “Beautiful Lies”. Esta é Birdy por excelência, onde seus discretos vocais amplificam a emoção das letras.

É outro número suave que define perfeitamente os principais temas do álbum. É uma música que faz bem o seu papel, ao manter a narrativa e estética de todo repertório. Sua produção despojada, o piano e violino, são suportes exemplares para a voz soulful de Birdy. O terceiro álbum da britânica mostra um crescimento artístico, sem afastar-se radicalmente do som que fez dela uma cantora conhecida. “Beautiful Lies” é um disco mais diversificado do que seus trabalhos anteriores. Ele é enfatizado por um som mais maduro, onde Birdy pisa fora de sua zona de conforto e num território mais pop. Espelhando-se em Florence + the Machine e Lana Del Rey, ela tentou seguir uma dimensão mais otimista com esse projeto. Ainda assim, foi capaz de incorporar, em diversos momentos, letras emotivas e frágeis vocais. A narrativa do registro é cativante, embora atrofiado por uma certa falta de variedade. Para o seu próximo projeto seria interessante ela experimentar e arriscar-se um pouco mais. Porque, apesar de ser uma impressionante coleção, “Beautiful Lies” possui alguns momentos monótomos. Um ponto que chama atenção é o agradável contraste adquirido pela adição de faixas emotivas, como “Words” e “Unbroken”, ao lado de canções mais otimistas como “Keeping Your Head Up” e “Wild Horses”. Isso provou que ela tem capacidade de oferecer uma produção mais variada. Em última análise, ressalto que o álbum é inteiramente Birdy, uma vez que ela permaneceu fiel a si mesma.

71

Favorite Tracks: “Keeping Your Head Up”, “Wild Horses”, “Silhouette”, “Hear You Calling”, “Unbroken”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.