Resenha: Big Thief – Capacity

Lançamento: 09/06/2017
Gênero: Indie Rock, Folk Rock
Gravadora: Saddle Creek Records
Produtor: Big Thief.

No ano passado, o Big Thief lançou o seu primeiro disco e se solidificou como uma grande banda em ascensão. E, da mesma forma, o seu segundo álbum, intitulado “Capacity”, mostra que eles são mestres dos pequenos detalhes. Gravado em Nova York, o registro é extremamente bem produzido, calmante e mostra as forças dos membros do Big Thief. É um álbum muito vulnerável, emocional e sem qualquer comportamento ultrajante por trás. O suave trabalho de guitarra de Buck Meek, os nítidos tambores de James Krivchenia, o poderoso baixo de Max Oleartchik e a voz calmante de Adrianne Lenker, cuja narrativa é a qualidade mais forte da banda, são unidos perfeitamente. Muito parecido com o primeiro LP, “Capacity” é um material reflexivo sem qualquer mistura bizarra de gêneros. Big Thief não é o tipo de banda que irá encantá-lo de repente, tal sua sutileza e restrição. Mas “Capacity” é um disco impressionante que prova que eles podem ser poderosos e igualmente memoráveis. Liricamente, a voz emotiva de Adrianne Lenker conta histórias através de experiência totalmente pessoais. Com vocais silenciosos e um strum acústico de violão, a faixa “Pretty Things” inicia o álbum. É a primeira de muitas faixas devastadoras do álbum, que tentam desvendar as complexidades de um relacionamento. “Shark Smile”, uma das poucas canções animadas do repertório, conta a história angustiante de perder alguém num acidente de carro. A guitarra distorcida no início, fornecida por Buck Meek, acrescenta tons de rock clássico e um pouco de densidade à canção. A faixa-título, “Capacity”, apresenta uma perfeita reverberação sobre os vocais de Lenker. A guitarra distorcida e os chimbais tornam-se cada vez mais agressivos à medida que passa.

Inicialmente, os vocais flutuam acima de tudo, mas depois recuam atrás da guitarra, baixo e bateria. É incrível a forma como a voz de Lenker se curva em torno da guitarra elétrica. Como esperado, os seus vocais também estão absolutamente incríveis na faixa “Watering”. Tudo nesta faixa soa impressionante. Da mesma forma, a maravilhosa “Haley” apresenta vocais sonhadores entrelaçados com uma bela guitarra. O primeiro single do álbum, “Mythological Beauty”, é uma música reflexiva sobre a mãe da vocalista Adrianne Lenker, bem como a simpatia que ela sente como filha. Nas letras, Lenker imagina sua mãe como uma criança pequena e todas as suas lutas. Em alguns momentos, a cantora menciona um meio-irmão que nunca conheceu e, por fim, relembra um incidente que aconteceu quando ela caiu de uma árvore aos cinco anos de idade. Mais uma vez, o som da banda é encharcado pela honestidade e escuridão de suas letras. “Dezessete, você pegou o seu, venha / E você deu à luz pela primeira vida / Você deu a Andrew uma família que você achava que iria amar e cuidar melhor / Eu tenho um irmão mais velho que eu não conheço / Ele poderia estar em qualquer lugar”, Lenker canta aqui. “Mythological Beauty” começa com uma batida simples, seguida de guitarras e a fascinante voz de Lenker. Sua melodia é despretensiosa, mas inegavelmente atraente. Tudo nesta música flui com uma qualidade encantadora e hipnótica. Impulsionada pelas impressionantes guitarras, a melodia surge de forma muito sofisticada. A voz de Lenker é realmente linda e fascinante, tanto que me lembra um pouco a voz de Dolores O’Riordan da banda The Cranberries.

Juntamente com o som simplista e melancólica da banda, nós observamos um conto de uma relação entre mãe e filha. Com a voz incrivelmente elegante de Adrianne Lenker, Big Thief nos envolve com uma narrativa lírica cheia de traumas e confiança. E, além dos arpejos brilhantes do violão de Lenker, “Mythological Beauty” é composta pelos sutis toques da guitarra de Buck Meek, o ritmo acentuado da bateria de James Krivchenia e a simplista linha de baixo de Max Oleartchik. Não é uma música complexa, porém, preenche os nossos ouvidos com muita emoção ao falar sobre as dificuldades da maternidade. A balada de piano “Mary” é, certamente, uma das faixas mais devastadoras do repertório. Nesta canção, Lenker compartilha a lembrança de uma mulher que conheceu na universidade e o que a sua amizade significava para ela. Acentuada por um órgão, esta música funciona como uma mantra focalizada e extremamente elegante. Muito bem-aventurada, mas com remorso e exaltação, “Mary” é uma música definida por sua verbosidade. O álbum encerra com “Black Diamonds”, outra faixa fascinante coberta pelo canto sonhador de Adrianne Lenker. “Eu acordo com um suor frio no teto / Aterrorizado com o que o seu amor está revelando”, ela canta aqui. “Capacity” é um álbum realmente surpreendente. Às vezes, ele é delicado, mas, em outros momentos, áspero e doloroso. É um disco sobre as dificuldades da vida e as lutas que enfrentamos. Mesmo nos momentos mais alegres do álbum, a dor está sempre presente. É um registro magistral que combina a visão grandiosa de Lenker com a qualidade de toda a banda. O resultado é um registro surpreendente, que distingue-se de sua estreia igualmente poderosa.

Favorite Tracks: “Capacity”, “Watering” e “Mythological Beauty”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.