Resenha: Betty Who – Take Me When We Go

Lançamento: 03/10/2014
Gênero: Synthpop, Indie Pop
Gravadora: RCA Records
Produtores: David Ryan Harris, Martin Johnson, Mag, Kyle Moorman, Vaughn Oliver, Brandon Paddock, Starsmith e Peter Thomas.

A cantora e compositora australiana Betty Who lançou em 03 de outubro de 2014 o seu primeiro álbum de estúdio. Intitulado “Take Me When You Go”, o disco foi lançado através da gravadora RCA Records e precedido pelos EPs “The Movement” (2013) e “Slow Dancing” (2014). Nesse trabalho, Jessica Anne Newham, verdadeiro nome da cantora, aposta em inspirações dos anos 1980, como Whitney Houston, bem como em artistas mais contemporâneos, como Robyn e Katy Perry. Betty Who, inclusive, foi a artista de abertura (juntamente com Tove Lo) da turnê Prismatic World Tour de Katy Perry na Oceânia. O disco é composto por treze faixas, das quais quatro já foram apresentadas anteriormente nos seus EPs. Com ajuda de seu produtor de longa data, Peter Thomas, a australiana conseguiu oferecer um ótimo álbum de estreia para o público.

Betty Who descreveu o disco a partir de uma perspectiva de aprendizado milenar, chegando em um acordo com a sua própria maturidade e crescimento. Isso contribui positivamente para a cantora lançar um álbum de synthpop moderno que, por muitas vezes, é eufórico, sombrio e com momentos de reflexão. O registro abre com a natureza synthpop de “Just Like Me”, uma faixa mid-tempo que permite que o foco seja nos vocais da cantora. Em uma vibe oitentista e em cima de sintetizadores ocasionais, Newham canta sobre o amor: “Eu sei que você quer me beijar / E de alguma maneira, isso é bom / Eu sei que isso vai terminar em outro triste adeus”. A segunda faixa, “High Society” (retirada do seu EP The Movement), é extremamente cativante e possui uma ótima batida encomendada por Peter Thomas. Liricamente, segue a mesma linha da canção anterior, bombeada por uma energia amorosa que ela caracteriza muito bem com o seu charme vocal.

“Você não vai me levar embora / Depois de sonhos de salão intermináveis / Com você quero começar todos os dias / Nós estaremos na alta sociedade”, ela canta ao mesmo tempo que faz o ouvinte transbordar de volta para a década de 1980. A eufórica “Glory Days” continua a diversão pop e de alta energia de “High Society”, com fortes tambores, sintetizadores cristalinos e, novamente, influências pop dos anos 80, que transmitem uma sensação nostálgica maravilhosa. A vibrante “Somebody Loves You”, primeiro single do disco, é o grande destaque do “Take Me When You Go”. Uma canção de amor incondicional que tornou-se um viral na internet após ser utilizada em uma proposta de casamento de um casal homossexual. Um pop perfeito e com um refrão viciante, que chegou a atingir a primeira posição da parada Dance/Club Play Songs da Billboard.

Betty Who

No topo de batidas pop cobertas por sintetizadores e um poderoso vocal, Betty deixa o seu amante saber exatamente como ela se sente: “Alguém sente sua falta quando você está longe / Eles querem acordar com você todos os dias / Alguém quer ouvir você dizer / Ooh alguém te ama”. O eletropop de “Missing You” nos faz perceber o quanto Betty Who é uma compositora versátil. Uma faixa mais lenta, que incorpora uma alteração vocal no refrão e cria um enfeite eletrônico peculiar. A canção descreve as desvantagens de dar-lhe o coração para o cara que sempre sonha. Há um sentimento de tristeza nos vocais da cantora que, realmente, leva a música. Em seguida, temos outra balada, “Better”, uma canção onde Betty aborda os versos com uma entrega inocente e suave. A sua produção é brilhante, uma verdadeira joia eletropop com um inesperado refrão celestial.

A sétima faixa, a efervescente “All of You”, se destaca graças a sua batida inabalável e a interessante produção de inspiração EDM. O som otimista das primeira faixas volta em “Runaways”, um surpreendente destaque que possui uma borda de música rock. “Runaways” é graciosa e conta a história de um casal desajustado que está em fuga. Momento glorioso e um grito rebelde de Betty Who, que tem uma vibe meio “Teenage Dream” de Katy Perry. Uma faixa muito pegajosa, com uma narrativa cativante sobre o amor proibido: “Nós fugimos depois da meia noite / Roubamos o carro do seu pai / Você é meu cafajeste / Eu sou sua estrela de cinema no banco traseiro”“A Night to Remember”, por sua vez, possui uma entrada particularmente emocionante, é suave, doce e não oscila.

Betty Who

“Heartbreak Dream”, uma das faixas remasterizadas do seu trabalho anterior, é uma canção de multi-camadas e otimista, que oferece um momento de ternura no álbum ao lidar com as complicações de um relacionamento. “Alone Again”, também presente no EP “Slow Dancing”, encanta com sua melodia agridoce, enquanto exala uma simplicidade na produção e oferece um lento e retalhado solo de guitarra. “Dreaming About You” é um ode explosivo e açucarado que detalha os lembretes constantes de uma antiga paixão, da qual ela está tentando esquecer completamente. Os seus sintetizadores, o dinâmico refrão e a boa estrutura, são típicos dessas músicas que fazem sucesso no mainstream. “Eu estou sonhando com você / Eu ainda estou te amando na minha mente”, confessa Betty Who.

A última canção, “California Rain”, possui uma melodia incisiva e angustiante obtida através de uma entrega vocal afetuosa de Betty Who. Nessa faixa, temos apenas uma mensagem simples e verdadeira, de uma cantora que não tem nada a provar. Aqui, ela deixa um lamento de piano sombrio falar mais alto do que as palavras em si. É uma canção que não vai para as contundentes notas altas ou batidas infecciosas, é apenas uma ode sincera e melancólica, com a presença de uma Betty Who bastante vulnerável. Dois EP’s, um contrato com a gravadora RCA Records e uma abertura na turnê de Katy Perry, abriram caminho para a estreia da cantora australiana de 23 anos. Combinando isto ao seu romantismo, coragem e capricho, Betty Who teve a oportunidade de lançar o álbum “Take Me When You Go”.

Embora não seja um disco pop perfeito, é um trabalho que expões suas falhas, mas as corrigindo, quando necessário. “Take Me When You Go” consegue agradar com muita facilidade, pois é bem trabalhado e Betty Who é muita talentosa. O projeto soa bastante comercial, mas consegue realizar muito mais em termo de entrega vocal, produção e composição. Ela, definitivamente, tem o que é preciso para ter sucesso na indústria. As treze faixas nos leva em uma jornada emocional, com o divertimento dos anos 80 e uma produção que soa atemporal. Betty Who aparenta ser uma artista sustentável, suas músicas são relacionáveis e muito cativantes, portanto, ela só precisa de uma chance. Tudo aqui soa tão bom, que vale a pena repetir sua escuta em loop.

70

Favorite Tracks: “High Society”, “Glory Days”, “Somebody Loves You”, “Runaways” e “Dreaming About You”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.