Resenha: Beck – Colors

Lançamento: 13/10/2017
Gênero: Rock Alternativo, Synthpop, Dance-Rock, Pop Rock
Gravadora: Capitol Records
Produtores: Beck, Cole M.G.N. e Greg Kurstin.

Após o lançamento do aclamado “Morning Phase” (2014), Beck estava pronto para voltar ao estúdio. Seu último disco apresentou um tom sombrio, exuberante, auto-reflexivo e soulful, e foi muitas vezes descrito como um acompanhamento para o “Sea Change” (2002). Um álbum mais adulto que foi recompensado com três Grammy Awards, incluindo o cobiçado “Album of the Year”. Sem dúvida, “Morning Phase” marcou uma mudança dramática e temperamental na carreira do cantor. Em contrapartida, o seu décimo quarto álbum, intitulado “Colors”, é alegre, acessível, otimista e incrivelmente polido. Beck sempre se reinventou, portanto, a qualquer momento ele poderia lançar um disco descaradamente pop. Por ser o sucessor do “Morning Phase”, um álbum dominado por guitarras acústicas, percussão esparsa e natureza melancólica, “Colors” pode ser considerado uma grande surpresa. O cantor está tentando redefinir a música pop com seu toque esperançoso, combinando elementos de rock, pop-rock, hip-hop e synthpop. Brilhantemente funky e cheio de energia, este álbum já é um dos mais divertidos de sua carreira. Produzido por ele e Greg Kurstin, que este ano já trabalhou com Foo Fighters e Liam Gallagher, as onze faixas fornecem nítidas guitarras, fortes tambores, linhas de baixo funky e letras profundamente poéticas. “Colors”, a primeira faixa do álbum, é completamente caleidoscópica, pois Beck mistura grandes batidas eletrônicas com um refrão synthpop brilhante.

Polvilhada com flautas panorâmicas, sintetizadores e graves linhas oitentistas, ela dita o tom para o restante do álbum. A próxima faixa, chamada “Seventh Heaven”, continua com um som synthpop banhado por brilhantes teclados, contundentes tambores e eficientes guitarras. Esta canção parece que foi retirada de algum filme dos anos 80. Com seu conteúdo lírico rico, ela encaixa-se perfeitamente em qualquer romance adolescente. Existe uma maturidade aparente nas composições do Beck, com letras que exploram questões existenciais e auto-conscientes. A terceira faixa, “I’m So Free”, é provavelmente o melhor exemplo dessa complexidade lírica. Com vocais adicionais de Feist, ela é extremamente energética e dominada por poderosos acordes de guitarra elétrica. “Dear Life” é inundada pelo piano e guitarras eletrificadas, e foi supostamente escrita durante as sessões do álbum “Morning Phase”. “Querida vida, estou segurando / Por quanto tempo devo aguardar / Antes que a emoção tenha desaparecido”, ele reflete sobre o seu sucesso. Embora não seja tão otimista e positiva como as primeiras faixas do registro, “Dear Life” é uma canção brilhante. Aqui, Beck canaliza os Beatles e nos leva instantaneamente de volta a década de 60. Ao passo que “No Distraction” fornece cativantes tambores, handclaps, guitarras descaradamente funky e interessantes sintetizadores, o primeiro single, “Dreams”, contém uma impressionante carga de energia. Esta canção aparece duas vezes no álbum, primeiro como “colors mix” e depois como “single version”.

Lançada em junho de 2015, é uma música de garage-rock e dance-rock incrivelmente cativante e infecciosa. “Wow”, lançada como segundo single, fornece um fluxo trap e elementos de hip-hop e pop-rock. Instrumentalmente, possui uma sensação muito diferente do restante do repertório. Conduzida por linhas de baixo simples, é uma canção funk com algumas batidas eletrônicas. Liricamente, pode ser considerado um ponto baixo do álbum, visto que certas letras não fazem o menor sentido. O quarto single, “Up All Night”, é um número de dance-rock com teclados funky, sólidas linhas de baixo, rápidos acordes e um refrão bombástico que evoca o melhor do Fatboy Slim. “Colors” fecha com um par de faixas mais introspectivas, embora também sejam divertidas. “Square One”, por exemplo, combina outra batida funky com teclados, pesadas guitarras e alguns sintetizadores. As seções cheias de teclado vê Beck usando o seu registro superior, enquanto as partes preenchidas pela guitarra mostram sua voz num tom mais profundo. A última faixa, intitulada “Fix Me”, pisa num território reminiscente da banda Coldplay. Com letras arejadas e sons de synthpop, ela parece que foi retirada diretamente do álbum “X&Y” (2005). No geral, “Colors” é um disco pop quase psicodélico que definitivamente vale a pena conferir. Ele possui uma paisagem emocional, ao mesmo tempo que é incrivelmente divertido e sonicamente otimista. Embora não esteja a altura do “Midnite Vultures” (1999) ou “Morning Phase” (2014), é um ótimo álbum pop que, de alguma maneira, evita o clichê sem sentido.

Favorite Tracks: “Colors”, “Dear Life” e “Dreams (Colors Mix)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.