Resenha: Bastille – Wild World

Lançamento: 09/09/2016
Gênero: Indie Pop, Eletropop
Gravadora: Virgin EMI
Produtores: Dan Smith e Mark Crew.

Bastille estourou na cena musical com seu álbum de estréia “Bad Blood” em 2013, conforme o hit “Pompeii” exibiu uma mistura única de música eletrônica e cordas orquestrais. Essa canção fez um enorme sucesso, graças ao seu refrão incrivelmente cativante e melódico. Bastille é frequentemente citado como um grupo alternativo, mas seu despojado som eletropop é decididamente mainstream. Nesse momento, a banda britânica está enfrentando um momento crucial de sua carreira, ou seja, o lançamento do seu segundo álbum. O disco “Bad Blood” vendeu quase 1 milhão de cópias no Reino Unido e, consequentemente, os colocou em evidência nos principais festivais de música. Dan Smith, Kyle Simmons, Will Farquarson e Chris Wood agarraram a atenção do público há três anos com uma mistura agradável de sintetizadores, teclados e um som indie-pop.

Portanto, eles tentam repetir essa dosagem no seu mais novo LP. Intitulado “Wild World”, o segundo disco da banda foi lançado em 09 de setembro de 2016. Este álbum transmite sentimentos universais, como preocupações e medos. As músicas olham para um cenário político e também como isso afeta nossas vidas. As 14 faixas da versão padrão apresentam temas como amor, política, ansiedade, raiva, mágoa, medo e demônios interiores. Dan Smith se esforçou para mostrar o seu talento como escritor, tanto que escreveu todas as faixas. O disco abre de forma promissora com a envolvente “Good Grief”, primeiro single do álbum. É uma versão mais brilhante e talvez mais cativante de “Pompeii”. Ela começa com um som nostálgico retirado de uma comédia dos anos 80 e letras piegas sobre a falta de alguém.

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É um número indie-pop otimista que incorpora aplausos habituais, ritmo funky e disco, baixo e uma vibrante melodia. Há também espaço para alguns comentários sociais na faixa “The Currents”, sobre pessoas intolerantes com discursos de ódio. “Oh meu Deus, meu Deus / Eu não consigo acreditar nos meus ouvidos”, Smith canta aqui. Musicalmente, é uma canção up-tempo conduzida por maravilhosas cordas staccato. “An Act of Kindness” é uma experiência eletronicamente construída, que mantém a mesma emoção crua das faixas anteriores. Aqui, a banda expressa seus sentimentos de culpa por não ser capaz de retornar um gesto de bondade. Ela começa com uma introdução no piano e alguns lamentos líricos de Smith, antes de apresentar um envolvente som em camadas.

As letras de “Warmth” expressam o desejo de estar nos braços de alguém e não no mundo exterior. É uma música que tenta abordar a natureza fria da sociedade de hoje. “Abraça-me neste selvagem, selvagem, mundo / Porque no seu calor eu esqueço / O quanto frio ele pode ser”, Dan Smith canta. Sonoramente, “Warmth” é um número synthpop dancefloor, alimentado por um baixo ondulado, linhas de sintetizadores e elementos electroclash. Na dançante “Glory”, quinta faixa, Bastille aprimora aquilo que faz de melhor, misturando componentes eletrônicos com fundos orquestrais brilhantes. Todos os elementos, desde a batida dance, até o piano, arranjo de cordas e vocais, trabalham juntos a fim de construir um clímax apaixonante. “Power” tem algo atraente sobre ela, principalmente pela estrutura à base de guitarra, baixo pulsante e bateria.

Mas, um dos mais belos momentos do LP é a faixa seguinte, “Two Evils”. Essa canção expressa o conflito sobre o lado bom e mau da natureza humana, questionando se estamos sendo melhores que o resto do mundo. É uma balada blues-folk acusticamente orientada, onde Dan Smith canta apenas sobre uma guitarra. Aqui, ele mistura apropriadamente seu vocal mais rouco com falsetes ocasionais. Com seus elementos cinematográficos, “Send Them Off!” é uma música digna de qualquer trilha sonora, enquanto “Blame” é um dos momentos mais agitados do registro. “Lethargy”, por sua vez, tem uma sensação muito interessante, graças às marchantes batidas de tambor que lhe dão uma vibração única. É outro mergulho no território eletropop, cujo melodias oferecem momentos fascinantes.

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“Four Walls (The Ballad of Perry Smith)” é uma bela balada sintetizada que imediatamente agarra a atenção do ouvinte. Sua natureza atmosférica é contemplativa e possui alguns inspirações de R&B. O segundo single, “Fake It”, é a melhor oferta da segunda metade do álbum. É uma canção eletropop/synthpop que envolve o ouvinte imediatamente com sua caminhada reluzente e etérea pelo território dance-alternativo. Liricamente, é uma música que mostra a vontade do vocalista em reatar um relacionamento. “Snakes”, por outro lado, é uma canção sobre como lutar contra os seus medos e demônios interiores, independentemente de tudo. Em seguida, Bastille termina o LP com a nostálgica e soulful “Winter of Our Youth”. Essa música fala, resumidamente, sobre o desejo de voltar para os dias mais simples de sua vida. Em suma, digo que Bastille não decepcionou com esse álbum. 

Seus refrões incríveis, harmonias e musicalidade geral, estão no ponto. Muitas vezes, os artistas lutam para manter uma boa direção sonora em seu segundo álbum. Felizmente, os caras do Bastille permaneceram fiéis ao seu som, enquanto o aperfeiçoou. O álbum poderia ter sido mais compacto e utilizar menos amostras de filmes ou programas de TV. Mas, sem dúvida, “Wild World” vai pavimentar ainda mais sua posição no cenário musical. Liricamente, esse disco é mais profundo do que o “Bad Blood”, com Dan Smith mostrando suas inseguranças de uma forma eficaz. Ele melhorou drasticamente suas letras nos últimos anos. Bastille possui um senso de familiaridade, devido a consistente marca vocal de Smith. “Wild World” é envolvente assim como o “Bad Blood”, sem precisar sacrificar seu senso de diversão e musicalidade.

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Favorite Tracks: “Good Grief”, “The Currents”, “Glory, “Four Walls (The Ballad of Perry Smith)” e “Fake It”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Não Gostou Tô Nem Aí!!!

    Oi. Por favor faca as resenhas do álbuns da Carly Rae Jepsen: Tug of War, Curiosity EP e Kiss. Para o público ter uma noção da evolução sonora dele até o Emotion Side B.

    • Leo

      Olá! Colocaremos esses álbuns na nossa lista de próximas resenhas. 🙂

      • Não Gostou Tô Nem Aí!!!

        Ok. Amo suas resenhas e vc escreve muito bem.

        • Leo

          Obrigado! 😀

  • Emerson

    Tava muito ansioso pra essa resenha! <3

    • Leo

      😀