Resenha: Barry Gibb – In the Now

Lançamento: 07/10/2016
Gênero: Rock, Country
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Barry Gibb e John Merchant.

No final de junho de 2016, a Columbia Records anunciou que havia assinado com o lendário cantor, compositor e produtor Grammy-Winner Barry Gibb. Em 19 de agosto, a gravadora confirmou que ele lançaria um novo álbum solo, intitulado “In the Now”. O membro sobrevivente de um dos grupos mais bem sucedidos da história, os Bee Gees (formados com seus irmãos Robin e Maurice), Barry Gibb escreveu todas as músicas do álbum com seus filhos Stephen e Ashley. “Este é um sonho que se tornou realidade para mim. É um novo capítulo na minha vida”, disse Gibb sobre o álbum. “Eu sempre esperava um dia trabalhar com a Columbia ou Sony, então é uma grande alegria para mim começar novamente com pessoas tão grandes”. Apesar de ser o segundo álbum solo, o primeiro foi “Now Voyager” de 1984, é o primeiro com novos materiais desde o último álbum de estúdio dos Bee Gee, “This Is Where I Came In” (2001). Apesar do catálogo dos Bee Gees oferecerem muitas batidas disco, as canções solo de Barry exploram mais o rock e country.

A produção é segura e muito sólida, embora ele entregue ocasionais clichês. Os filhos de Gibb reproduzem harmonias de marca registrada em torno de seus vocais. O cantor ainda tem um grande senso para melodias marcantes, tais como a de “How Deep Is Your Love”. As melodias do álbum soam bastante familiares, faltando apenas a harmonia das vozes de seus falecidos irmãos. “In the Now” marca um novo capítulo para a grande carreira de Barry Gibb, mostrando sua versatilidade e vocais emocionais. Ele consegue apresentar boas performances e sugestões ao seu icônico falsete. Claro, ele cava com um vibrato mais enfraquecido do que o apresentado há 40 anos, mas isso é de se esperar com o passar do tempo. O registro abre com a faixa-título, “In the Now”, onde um piano elétrico abre caminho para uma das vozes mais facilmente identificáveis da música. “Grand Illusion” é outra faixa vigorosa que exibe o poder puro de sua elasticidade vocal. “Star Crossed Lovers”, terceira faixa, paga uma linda homenagem à sua esposa, com letras cheias de ternura.

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Essa canção oferece um dos momentos mais frágeis explorados no álbum. “Blowin’ a Fuse” e “Home Truth Song”, reminiscente de Bruce Springsteen, poderiam ter sido melhores exploradas. Felizmente, seu domínio de melodia continua impressionante como sempre. Um rock suave e gentil toma forma durante a faixa “Cross to Bear”, um destaque vocal e lírico. Começando com uma linha de baixo suave e camadas de guitarras acústicas, exibe alguns dos seus trabalhos mais confiantes. Um número delicado, onde sua entrega vocal coincide com a complexidade das letras. Surpreendentemente, “In the Now” oferece algumas das composições mais introspectivas e emotivas de Barry Gibb. Além de “Cross to Bear”, canções como “Meaning of the Word”, “Shadows”, “The Long Goodbye” e “End of the Rainbow” evocam sentimentos dos próprios Bee Gees. Poucas músicas de Barry Gibb são tão lindamente tristes como essas quatro. A música country e a generosidade do rock clássico, juntamente com a sutileza das guitarras e melodias, são demonstradas principalmente em “End of the Rainbow”.

“Amy in Colour” é uma trilha muito energética e sensual, que fala da beleza que as noites podem trazer. Enquanto isso, outro impressionante trabalho é exposto na penúltima faixa do álbum, “Diamonds”. Outro grande exemplo do talento musical de Barry Gibb. O produtor John Merchant, indicado ao Grammy, que trabalhou em muitos lançamentos dos Bee Gees, desde o início dos anos 90, produziu o álbum junto com o próprio Gibb. Apesar disso, os ouvintes ainda podem apreciar a diversidade estilística das canções de Gibb. Cada faixa do “In the Now” aborda um gênero diferente, do country ao rock contemporâneo e rock & roll clássico. Isso acabou gerando uma falta de coesão, embora Barry tem demonstrado o quanto é um músico multifacetado que sente-se confortável em muitos gêneros. Composto inteiramente de material recém-escrito, “In the Now” é um desvio da sua música dance/disco, que definiu a maior parte de sua carreira. O álbum traz uma sensação de rejuvenescimento e determinação, e sugere um capítulo mais emocionante de sua vida.

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Favorite Tracks: “In the Now”, “Grand Illusion” e “Cross to Bear”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.