Resenha: Barbra Streisand – Partners

Lançamento: 16/09/2014
Gênero: Pop Tradicional
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Jay Landers, Barbra Streisand, Walter Afanasieff, Kenneth “Babyface” Edmonds e Bernie Herms.

A famosa cantora e atriz Barbra Streisand, vencedora de 2 Óscars, 8 Grammy Awards, 5 Emmy Awards, 4 Golden Globes e 1 Tony Award, lançou em 2014 o seu trigésimo quarto álbum de estúdio, através da gravadora Columbia Records. O disco, intitulado “Partners”, estreou na primeira posição da Billboard 200, graças a 196 mil cópias vendidas nos Estados Unidos no decorrer de uma semana. Ela tornou-se, dessa forma, a única artista a ter um álbum número #1 em seis décadas diferentes: 1960, 1970, 1980, 1990, 2000 e 2010. Ela é uma das artistas que mais venderam álbuns em território norte-americano na história da música. Segundo a RIAA (Recording Industry Association of America), ela já vendeu cerca de 72 milhões de discos apenas nos Estados Unidos. Ela está entre os 17 artistas que já foram premiados com Óscar, Emmy, Grammy e Tony Award, os quatro prêmios mais importantes do mundo do entretenimento, pela sua excelência na música, cinema, televisão e teatro.

Através dessa breve introdução, já podemos perceber o nível de artista que se trata Barbra Streisand. “Partners” traz ela performando duetos apenas com colaboradores masculinos, tais como Stevie Wonder, Michael Bublé, Billy Joel, John Legend, John Mayer, Josh Groban, Blake Shelton, Andrea Bocelli, Lionel Richie e o falecido rei do rock, Elvis Presley. Além disso, ela também apresenta o primeiro dueto gravado em estúdio com seu filho de 47 anos de idade, Jason Gould. As gravações são novas e a maioria já possui uma grande história por trás. Dois duetos clássicos foram atualizados com novos parceiros: “What Kind of Fool”, recém-realizado com John Legend (originalmente com Barry Gibb) e “Lost Inside of You”, recém-realizado com Babyface (originalmente com Kris Kristofferson). A edição deluxe ainda apresenta um dueto adicional com Babyface, além do material lançado anteriormente com Frank Sinatra, Bryan Adams, Barry Manilow e Barry Gibb.

Todas as faixas foram produzidas por Babyface e Walter Afanasieff, exceto “I Still Can See Your Face”, produzida por Bernie Herms, e “How Deep Is the Ocean”, produzida pela própria Barbra Streisand. Michael Bublé flerta com a cantora durante a faixa de abertura, “It Had to Be You”, enquanto Stevie Wonder traz sua bela e calorosa alma para a segunda faixa, intitulada “People”. Em “Come Rain or Come Shine” Streisand acabou ofuscando seu convidado John Mayer, após usar suas incríveis notas alongadas. “Evergreen”, a maravilhosa canção vencedora do Óscar, é um dos pontos altos do repertório, graças aos novos adereços e orquestrações de luxo fornecidas por Kenny “Babyface” Edmonds. “New York State of Mind”, dueto com o lendário compositor Billy Joel, possui uma abertura incrível e ficou verdadeiramente emocionante.

Barbra Streisand

“I’d Want It to Be You”, com a estrela do country Blake Shelton, soa muito desconfortável e definitivamente não funcionou. É uma das poucas canções que passa despercebida e não empolga. Por outro lado, o novo arranjo de “The Way We Were” ficou bastante agradável, algo que auxiliou para deixar sua colaboração com Lionel Richie ainda mais fabulosa. A ricamente romântica “I Still Can See Your Face”, por sua vez, é uma canção arrebatadora. Aqui, tanto a voz de Barbra Streisand quanto a de Andrea Bocelli, soam magníficas. Talvez, desde o seu dueto com Donna Summer em “No More Tears (Enough Is Enough)”, no final dos anos 1970, que Streisand não tinha um parceiro que poderia igualar o seu poder e intensidade vocal. Em seguida, temos o dueto com Jason Gould, filho do seu casamento com Elliot Gould. Eles cantam juntos a canção “How Deep Is the Ocean”, um número comovente que ilustra muito bem o amor e carinho que ambos sentem um pelo outro.

A versão de “What Kind of Fool”, com Barry Gibb, é ótima, mas acho que a nova versão com John Legend ficou ainda melhor que a original. Esse dueto ficou absolutamente exuberante, belo e soando totalmente fresco. As sutis alterações feitas na melodia de “Somewhere”, com Josh Groban, também ficaram bastante agradáveis. A bela versão original dessa faixa está presente no “The Broadway Album” de 1985 e, felizmente, sua nova interpretação ficou igualmente mágica. Ressuscitando a voz de ouro de Elvis Presley e fechando o álbum, temos “Love Me Tender” mesclada com os belos vocais de Streisand. Entretanto, infelizmente, esse dueto póstumo não ficou tão bom quanto o esperado. Provavelmente, teria sido melhor a cantora ter performado a canção sozinha em um outro projeto. A música acabou soando muito artificial, embora ainda seja incrível ver o que a tecnologia moderna pode fazer.

Alguns dos maiores compositores do século XX estão representados neste álbum: Bob Merrill, Jule Styne, Paul Williams, Marvin Hamlish e Stephen Sondheim. Apesar de não ser nada extremamente espetacular, o álbum está em um tom casual muito bom e, no geral, funcionou perfeitamente. Mesmo com 72 anos de idade, Barbra Streisand foi capaz de nos presentear com uma nova e ótima coleção de duetos. “Partners” é um acompanhamento para o seu álbum de 2002, mas com 12 novas vozes masculinas distintas e, criteriosamente, divididas entre estrelas lendárias, como Stevie Wonder, Lionel Richie, Billy Joel, Andre Bocelli, Babyface e Elvis Presley, e outros fiéis jovens da música atual, que inclui John Legend, Blake Shelton, Michael Bublé e Josh Groban. O disco só reafirma o que todos sabemos: Barbra Streisand ainda continua sendo a lendária imperatriz da história musical da Broadway, mesmo após 51 anos do lançamento do seu primeiro álbum de estúdio.

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Favorite Tracks: “It Had to Be You (with Michael Bublé)”, “Evergreen (with Babyface)”, “New York State of Mind (with Billy Joel)”, “The Way We Were (with Lionel Richie)” e “What Kind of Fool (with John Legend)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.