Resenha: BANKS – The Altar

Lançamento: 30/09/2016
Gênero: R&B Alternativo
Gravadora: Harvest Records
Produtores: Tim Anderson, The Anmls, Ben Billions, Danny Boy Styles, DJ Dahi, Aron Forbes, John Hill, Al Shux, Sohn e Chris Spilfogel.

Jillian Rose Banks se apresentou ao mundo apenas como BANKS em 2013 ao publicar uma faixa no Soundcloud. Rapidamente, ela foi introduzida ao centro das atenções, com o lançamento de dois EPs. Conhecida por sua vulnerabilidade, sons intricados e tons macios, BANKS produz uma atmosfera intensamente escura em suas músicas. “The Altar”, seu segundo álbum de estúdio, foi lançado em 30 de setembro de 2016. Ele é composto por alegorias vocais mais expostas, desconcertantes e evocativas. É um disco muito semelhante a sua estreia, “Goddess” (2014), com um tom assombroso e lirismo obscuro. Em comparação com o LP anterior, “The Altar” é mais ambicioso e segregado, com suas tentativas de combinar elementos pop com uma atmosfera sombria de R&B. O segundo álbum, geralmente, é a chave para a estabilidade de alguns artistas nos dias de hoje.

Isso, certamente, está acontecendo com BANKS, cujo álbum de estreia tropeçou um pouco no peso dos seus EPs. Ela é um artista que consegue transformar o R&B em uma escuridão incomum e emocional. Embora sua música às vezes pareça estereotipada e demasiada suave, sua força reside nas letras. Suas ranhuras de R&B sofisticado e intricado servem como o complemento ideal para seu conteúdo lírico escuro. “The Altar” é caracterizado como um disco confessional, com as novas músicas soando cada vez mais ambíguas e irônicas. O ato de abertura, “Gemini Feed”, é facilmente a música mais pop orientada da carreira de BANKS. É uma faixa ridiculamente infecciosa, que mantém o toque distinto da cantora, através de um lirismo depressivo focado no fracasso. Apesar da letra, possui um estilo alegre com seu instrumental contrastando com os vocais editados.

“Gemini Feed” é borbulhante, escura, alternativa e uma introdução adequada para o álbum. É uma fatia de R&B esfumaçado mais cativante do que qualquer coisa em sua estreia. O primeiro single, “Fuck with Myself”, mostra BANKS menos contida, mais confiante e disposta a correr riscos. É uma peça poderosa, porque mostra como a cantora lida com suas emoções. Uma canção gelada e com vocais sussurrados, que vê BANKS nocauteando o ouvinte sob batidas incrivelmente hipnóticas. Aqui, ela apresenta um conceito de amor próprio, mas de uma forma quase ameaçadora. A cantora explicou que é uma música aberta à interpretações e, com isso em mente, ela gravou um vídeo tão perturbador quanto erótico. “Porque o meu amor é tão bom / Então eu fodo comigo mesma, mais do que qualquer outra pessoa”, ela canta. A próxima faixa, “Lovesick”, é uma mistura perfeita de estrutura e melodia, e uma das canções mais adoráveis do LP.

banks

Dessa vez, BANKS foca muito mais num arranjo a la rock alternativo, do que no próprio R&B. Aqui temos um bassline, uma batida minimalista e camadas vocais praticamente competindo umas contra as outras. Uma das peças centrais do álbum é “Trainwreck”, canção onde BANKS mergulha mais uma vez na sensibilidade pop sugerida por “Gemini Feed”. Enquanto “Fuck with Myself” é arrepiante e estranha, “Trainwreck” é mais penetrante, rítmica e rigorosa. É uma música incrivelmente rápida, tanto sonoramente quanto liricamente, com BANKS falando sobre um relacionamento tóxico por toda a sua duração. Enquanto o seu humor permanece melancólico em “Mind Games”, “Weaker Girl” combina elementos orquestrais com fortes batidas. Liricamente, a faixa revela a confiança que a cantora ganhou nos últimos três anos. É uma faixa que foca no R&B, mas fornecendo toques de violinos, baixo e riffs de guitarra.

Outras músicas mostram uma BANKS mais suave e menos feroz, lidando com uma maior carga de vulnerabilidade. O melhor exemplo disso é “Mother Earth”, uma canção discreta e devastadora. Um coro de vozes angelicais nadam sobre violões e violinos que, lentamente, ganham força na canção. É uma faixa que percorre seu cursor de forma natural e fornece letras sobre depressão. É um grande contraste para o estilo escuro de R&B que BANKS é mais conhecida. Apesar do estilo previsível de R&B, “Judas” é uma faixa temperamental e assustadora, com letras dolorosamente cruas. “Insensível demais para sentir a faca nas minhas costas”, BANKS canta aqui. A música dela, geralmente, nasce da dor e lida com relacionamentos depressivos e tóxicos. A cativante “This Is Not About Us”, “Haunt” e “Poltergeist” são pesadas e eletronicamente dirigidas, com letras bem cortantes.

Em cada uma delas, a dor está profundamente enraizada, embora seja confrontada por uma convicção vigorosa de BANKS. Quando ela não está tentando curar a si mesma através da música, simplesmente coloca seus sentimentos para fora, como na faixa “To the Hilt”. Aqui, um clássico piano acompanha sua voz, enquanto ela lamenta a perda de uma pessoa. Com “The Altar”, BANKS não abandonou seu estilo antigo e, mesmo assim, tentou buscar algo novo. Mais uma vez, ela põe tudo de si mesma em sua música, falando abertamente sobre depressão, saúde mental e outros temas dolorosos. A autoconsciência de sua estética sonora desapareceu, mas ela ainda mergulha sem medo em letras e temas obscuros. Em suma, “The Altar” mostra um lado mais variado da cantora, além das características sonoras que já conhecemos dela.

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Favorite Tracks: “Gemini Feed”, “Trainwreck” e “This Is Not About Us”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.