Resenha: Banda do Mar – Banda do Mar

Lançamento: 05/08/2014
Gênero: Indie Rock, MPB
Gravadora: Sony Music
Produtores: Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e Fred Ferreira.

A Banda do Mar, formada em 2014, é um projeto paralelo do casal Marcelo Camelo e Mallu Magalhães em parceria com o português Fred Ferreira. O álbum de estréia da banda é o homônimo, formado por doze faixas e lançado dia 05 de agosto de 2014. O disco criou algumas expectativas em torno do seu lançamento e, embora não possua grandes pretensões, apresenta canções que celebram o lado doce da vida através de temas como o amor e a amizade. Banda do Mar foi fruto da relação entre Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, que já dura seis anos, e da longa amizade entre Camelo e Fred Ferreira. O álbum foi realmente construído para soar simples e popular, evitando outras direções: “O mais difícil foi ter essa primeira ideia do que os três queriam para a banda”, conta Camelo. “Depois era um trabalho diário para manter a linha, a gente conversava bastante, ajudava um ao outro para ter o melhor resultado”. Mallu Magalhães deixou claro que para chegar no resultado final do disco, a participação de Fred Ferreira foi essencial: “A bagagem que ele tem, como músico e produtor, foi importantíssima. O repertório foi escolhido pelos três, o Fred trouxe muitas sugestões”.

O disco também ganhou uma prensagem em vinil azul pela Revista NOIZE, primeiro serviço de assinatura de discos de vinil da América Latina, e segunda fabricante de vinil do Brasil atrás somente da Polysom. Junto com o vinil, o cliente recebe uma revista que fala sobre o álbum de estréia da banda. Se quiser adquirir o disco, há duas maneiras: você pode assinar o Noize Record Club, e assim garantir também os dois próximos lançamentos do serviço, ou comprar apenas essa edição, mas com o valor um pouco mais alto que o da assinatura. A meta é propiciar a experiência de ouvir um disco em vinil folheando páginas que revelem a sua essência. Marcelo Camelo, ex-vocalista da banda Los Hermanos, tenta recuperar o grande prestígio que já teve e estava perdido. O ânimo que encontrávamos nos três primeiros discos dos Los Hermanos, por exemplo, está de volta às composições de Camelo. Junto de Mallu Magalhães, agora com 22 anos e mais madura, e do baterista português Fred Ferreira, ele criou um divertido projeto sobre otimismo e simplicidade, mas sem parecer, na maioria das vezes, banal ou pedante.

As doze canções do álbum estão ligeiramente distribuídas em 45 minutos, e mostra uma certa evolução dos artistas envolvidos. A Banda do Mar aparece com muita naturalidade, oferece melodias fáceis e encantadoras, letras inteligentes, com uma pequena dose de cinismo, e uma produção bem enxuta. O nome Banda do Mar não teve uma explicação concisa por parte dos integrantes. No entanto, segundo Mallu, a sugestão foi de Marcelo e o “mar” abre um leque de interpretações, pois pode significar muitas coisas: desde tranquilidade à bravura. Apesar do grande êxtase para os fãs ser o fato da união entre Marcelo Camelo e Mallu Magalhães em um mesmo projeto, Fred Ferreira é uma ferramenta indispensável no álbum. Através de sua bateria, Fred consegue alimentar a sonoridade animada e as melodias dançantes que envolvem-se com as letras. No geral, o disco faz uma boa transição entre o rock, pop e a MPB. “Eu só trago o mar de algum lugar comigo”, diz Camelo na faixa de abertura, “Cidade Nova”, que é irradiante e possui bons arranjos.

Banda do Mar

“Mais Ninguém”, entre declarações de amor, foi a escolhida para ser o primeiro single do álbum. É o número mais pop do disco, enquanto é sustentada pela doce voz de Mallu, acordes caricatos e batidas que transmitem uma atmosfera ensolarada e ingênua. O clipe da música chamou a atenção por causa de suas coreografias. Foi gravado nas ruas de Lisboa e mostra os três integrantes da banda dançando em frente a cenários urbanos, com calçadas mal cuidadas e pichações. A terceira faixa, “Hey Nana”, foi liberada antes do lançamento oficial do álbum e apresenta alguns conceitos já utilizados por Marcelo Camelo. Possui um solo de guitarra bem feito e agradável, e uma sonoridade pautada na união de surf-pop, rock e algumas influências brasileiras. “Muitos Chocolates” se arrisca em uma nostalgia ao pisar no território musical dos anos 60 e oferecer bons solos de guitarra. A voz de Mallu combinou com o ritmo um pouco mais acelerado da música.

A letra de “Pode Ser” soa como uma promessa feita por alguém que nem sempre poderá estar por perto. Através de poucos versos, a música reflete perspectivas em cima de possibilidades. Sonoramente, possui uma linha de violão num clima praiano, bem como Fred Ferreira e Mallu Magalhães auxiliando nos vocais de apoio. “Mia”, embora seja um pouco repetitiva, possui interessantes sons latinos, toques de MPB, uma percussão mais marcada e Mallu como vocal principal. O clima ensolarado do álbum está presente até nas canções mais melodiosas, tal como “Dia Clarear”, faixa que possui vocais principais à cargo de Marcelo Camelo. Sua melodia é demasiadamente suave e lenta, algo que acaba deixando a escuta um pouco entediante. “Me Sinto Ótima” possui uma letra divertida e arranjos bem alinhados, onde Mallu flerta com o blues e se equilibra entre o MPB e o estilo do começo de sua carreira. Na cativante “Faz Tempo” Marcelo Camelo se declara para Mallu Magalhães com versos como: “Olha, menininha, tudo que eu faço é pelo seu amor”. Ao seu final, a cantora ainda enfeita a canção com um vocal que a deixa ainda mais bonita.

A balada “Seja Como For” também é bem confessional e possui um toque de ingenuidade e doçura típicas de Mallu, que também aparenta estar fazendo uma declaração de amor. “Solar” é a canção mais diferente do álbum, uma música inofensiva que apresenta elementos de MPB em seu arranjo e conta com um dos melhores refrões. Fechando o álbum temos a faixa “Vamo Embora”, uma linda e singela canção que também é a de maior duração, com pouco mais de 5 minutos. Sua interpretação ficou por conta de Marcelo, além de uma breve participação de Mallu na melodia. Em Portugal há cerca de 1 ano, Marcelo Camelo e Mallu Magalhães finalmente gravaram um disco em conjunto. Com o apoio de Fred Ferreira, podemos concluir que o disco é bom, possui uma sonoridade mais tranquila e oferece vocais divididos entre o casal. Mas não é um trabalho inovador, o trio preferiu optar por um repertório mais seguro. Com dois discos solos já lançados, Marcelo Camelo não se mostrou disposto a arriscar-se em uma sonoridade mais ousada. O que não culminou em algo ruim, porque o álbum, como um todo, soa agradável e vale a pena escutar.

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Favorite Tracks: “Mais Ninguém”, “Hey Nana”, “Pode Ser”, “Faz Tempo” e “Solar”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.