Resenha: Azealia Banks – Broke with Expensive Taste

Lançamento: 06/11/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap, House
Gravadora: Prospect Park
Produtores: Azealia Banks, Apple Juice Kid, Araabmuzik, Ariel Pink, Boddika, Enon, Lazy Jay, Lil Internet, Lone, Machinedrum, M. J. Cole, Oskar Cartaya, Pearson Sound, Pop Wansel, SCNTST, Sup Doddle e Yung Skeeter.

A rapper e cantora Azealia Banks, de Nova York, lançou em 2014 o seu tão aguardado álbum de estreia. O título do disco é “Broke with Expensive Taste” e foi lançado pela gravadora Prospect Park e por ela mesma no dia 06 de novembro de 2014, após dois anos de espera e sem qualquer anúncio prévio. O álbum foi alvo de vários atrasos, sendo que originalmente foi previsto para ser lançado em 2012. Estreou em #30 na parada de álbuns da Billboard, ao vender pouco mais de 11 mil cópias nos Estados Unidos. Azealia Banks aumentou sua notoriedade ao lançar o single “212”, com Lazy Jay, em dezembro de 2011. A música fez sucesso em alguns países europeus e foi lançada como o primeiro single do seu EP “1991”. O EP foi lançado pela gravadora Interscope Records, entretanto, Banks quebrou o contrato com a mesma após sentir-se insatisfeita com seus representantes. “Broke with Expensive Taste” foi precedio por três singles: “Yung Rapunxel”, “Heavy Metal and Reflective” e “Chasing Time”.

A canção “ATM Jam” foi lançada como single e programada para ser incluída no álbum, no entanto, foi descartada devido sua recepção negativa. Banks costuma utilizar frequentemente o uso de palavrões em suas canções e, nesse álbum composto por 16 faixas, não foi diferente. O disco também apresenta uma boa diversidade musical, com elementos de uma grande variedade de gêneros, que inclui R&B, trance e trap. A faixa de abertura, “Idle Delilah”, possui elementos de house, uma vibe caribenha e o fluxo característico de Banks: furioso e venenoso. Em “Gimme a Chance” ela mostra o quanto é versátil, indo habilmente do inglês para o espanhol, enquanto a música sai da sua sonoridade hip hop para a salsa e o merengue. “Desperado” inclui um aceno para o UK garage, gênero eletrônico surgido na Inglaterra na década de 1990, através da produção e batida estridente de M. J. Cole. Banks realmente tem uma voz doce e surpreendente, destacando-se, por exemplo, na fantástica “Jfk”, canção em parceria com o rapper Theophilus Musa London.

A quinta faixa é a já conhecida “212”, música que contém sample de “Float My Boat” de Lazy Jay, que também é creditada no título da música. A canção leva o título do código da área 212, que abrange o espaço de Harlem, Nova York, onde Banks cresceu. Aqui o seu rap está mais versátil do que nunca, além da boa composição apresentada. É, sem dúvida, a melhor música do disco, uma mistura maravilhosa de hip hop e house, onde Banks demonstra uma atitude incrível e um bom alcance vocal. “212” é o melhor exemplo de sua entrega lírica, pois aqui ela está extremamente ágil e com um rápido raciocínio. “Wallace” é outro destaque onde a rapper flutua no R&B, ao utilizar várias batidas obscuras e uma postura mais agressiva. A boa intitulada “Heavy Metal and Reflective”, lançada como segundo single, é uma faixa bem confeccionada e, sonoramente, repleta de batidas frenéticas. Um número absolutamente aterrorizante, no bom sentido da palavra, com linhas industriais implacavelmente obscuras apresentadas embaixo de um impressionante fluxo da rapper.

Azealia Banks

Ela também chega rasgando na explosiva “BBD”, uma fusão de boas batidas e um jogo de palavras obsessivo. “Ice Princess” é uma das melhores, porque além de possuir elementos de trap, ainda têm uma batida agressiva e uma malignidade pesada veiculada por Banks. Nesta faixa, a rapper desencadeia todos os seus sentimentos negativos. A impetuosa “Young Rapunxel”, primeiro single do álbuim, possui uma interpolação da canção “No More Drama” de Mary J. Blige. Ela serviu como uma reinvenção para Azealia Banks e é outra excelente mistura de hip hop e house. Nesta faixa, a sua língua está ainda mais afiada, bem como exala vários gritos abafados. Banks revelou para a revista Rolling Stone que “Young Rapunxel” é um alter-ego adaptado, onde ela refere a si mesma como Rapunzel, devida a uma longa trança que usava enquanto trabalhava na Starbucks durante a adolescência. “Yung Rapunxel é aquela garota que irrita as pessoas por fora, mas realmente não quer. Ela é realmente um amor, mas as pessoas estão tão surpresas que ela é tão sozinha. Ela não está mesmo tentando ser original ou diferente ela, literalmente, vive apenas na cabeça dela. Ela faz o que ela quer fazer”, disse a rapper. 

“Soda” é uma música sobre a solidão, é mais introspectiva e possui uma batida cheia de vozes cortadas de um robô. “Chasing Time”, um ótimo dance-pop, também explora o seu lado mais emocional. Banks muda um pouco as coisas ao também cantar. O seu refrão crescente é brilhante e, como um todo, a canção é uma das melhores produções do álbum. “Luxury” joga com a mesma sedução suave do seu EP, “1991”, e mostra Azealia explorando todos os seus timbres de forma bem experimental. “Luxury”, inclusive, já havia sido apresentada como faixa do “Fantasea”, uma mixtape lançada em 2012. A colaboração com Ariel Pink, na faixa “Nude Beach a Go-Go”, é a surpresa mais agradável do álbum. Um surf-pop super chiclete que contribuiu positivamente para a grande variedade de sabores e personalidades do “Broke with Expensive Taste”. Foi produzida e co-escrita por Ariel Pink e também está presente no álbum “Pom Pom” do californiano, também lançado em novembro de 2014.

Para fechar o repertório, Banks utiliza duas faixas produzidas por Lone, produtor britânico de música eletrônica: “Miss Amor” e “Miss Camaraderie”. Essa última é um número inspirado nos anos noventa, um banger house que fala sobre um relacionamento perfeito, que Banks descreve como sendo a música mais significativa dela. A descomprometida voz de Banks é tão versátil e forte, que é difícil escolher uma faixa preferida no álbum. Demorou, mas Azealia Banks nos entregou a sua tão esperada estreia. Ela estabeleceu-se como uma personalidade impetuosa e bruta, tanto dentro como fora do álbum e complementou com um competente material de uma visão artística ousada. “Broke with Expensive Taste” utiliza valores de produção elevados, a fim de misturar gêneros e mantê-los com qualidade sem tropeçar em suas próprias expectativas. Um brilhante trabalho, plenamente realizado, confiante e corajoso o suficiente para oferecer UK garage, calypso, jazz, disco, ritmos latinos e até surf-pop. Banks possui um talento promissor, seu completo domínio sobre o espaço sonoro do disco só reforça esse pensamento, ela é uma artista com uma visão singular e formidável.

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Favorite Tracks: “Gimme a Chance”, “212 (feat. Lazy Jay)”, “Ice Princess”, “Yung Rapunxel” e “Chasing Time”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.