Review: Avicii – Stories (2015)

O “Stories” tem clássicas faixas do Avicii, além de números mais suaves e algumas surpresas agradáveis – ele é realmente um produtor versátil.

Em 2015, os fanáticos por EDM esperavam ansiosamente pelo retorno do Avicii, após o grande sucesso do “TRUE” (2013). O disco de estreia do sueco lhe transformou em um dos DJs mais requisitados da atualidade, graças aos hits “Wake Me Up”, “Hey Brother” e “You Make Me”. Lançado em 02 de outubro de 2015, “Stories” é o título do seu segundo álbum de estúdio. Ele foi produzido pelo próprio DJ com auxílio adicional de nomes como Carl Falk e Martin Garrix. Quatro singles já foram lançados até o momento, “Waiting for Love”, “For a Better Day”, “Pure Grinding” e “Broken Arrows”. Em julho de 2014, Avicii disse à revista Rolling Stones que tinha trabalhado em cerca de setenta canções para seu próximo álbum, das quais incluíam colaborações com Jon Bon Jovi, Billie Joe Armstrong, Chris Martin, Wyclef Jean, Serj Tankian e Matisyahu. Se o “TRUE” (2013) tornou Avicii em um ícone do EDM, “Stories” pode ser considerado uma oferta muito mais crossover. É um trabalho mais lúdico, decididamente otimista e animado, e ao mesmo tempo expande o alcance sonoro do “TRUE” (2013). Tal como acontece com “Wake Me Up”, aqui também há uma forte presença de country. Além disso, Avicii mergulha de cabeça no house, reggae, rock, folk e hip-hop, enquanto o gênero dominante ainda é o dance-pop. É interessante ver a tamanha capacidade do DJ em caracterizar diferentes gêneros dentro do âmbito EDM. A variedade de vocalistas creditados às músicas é certamente apreciado.

Também devo salientar que se você procura um álbum que contém uma grande variedade de batidas, o “Stories” seria uma ótima opção. No entanto, ele não é tão forte liricamente como poderíamos imaginar. Um álbum que pretende contar histórias, não é tão inspirador quanto se pensa. De qualquer maneira, a julgar pelas letras, Avicii não deve estar tentando ramificar-se como um grande escritor. A diversidade e destreza do Tim Bergling resultou em um material que, embora não seja inovador, é agradável e divertido de se ouvir. O primeiro single, “Waiting for Love”, foi produzido em colaboração com o holandês Martin Garrix. Ela traz vocais sem créditos de Simon Aldred, vocalista da Cherry Ghost. Antes de seu lançamento, muitos pensavam que era uma colaboração com John Legend. Mas é tecnicamente uma faixa solo do Avicii, visto que Martin Garrix só possui créditos na produção. O vídeo lyric transporta a sensação positiva da canção, mostrando um cachorro atravessando campos de batalha em busca de seu proprietário que tinha ido lutar. Do mesmo modo, o vídeo oficial apresenta um senhor, que foi deixado por sua esposa, saindo atormentado de casa à sua procura. Ambos vídeos possuem contos emocionais sobre o amor – bastante apropriado para a música como um todo. Desde o início, “Waiting for Love” apresenta riffs de piano e melodias otimistas, antes de introduzir melódicos vocais sob pulsantes batidas de tambor. Pouco tempo depois, o refrão é apresentado antes do primeiro interlúdio acumular-se.

Simon Aldred estabelece uma mensagem de esperança: “E se há amor nesta vida, não há obstáculos / Que não podem ser superados”Enquanto isso, o refrão injeta uma sensação de vazio que anseia por ser preenchido: “A segunda-feira me deixou quebrado / Na terça, cansei de esperar / Na quarta, meus braços vazios se abriram”. Gozando de melodias contagiantes e acordes infecciosos, “Waiting for Love” soa muito semelhante ao “TRUE” (2013). Também é uma canção comercial que anda em uma linha tênue entre o pop e o house progressivo. Ademais, deixa qualquer pessoa em estado de euforia – Avicii parece ter um talento especial para isso. “Talk to Myself” é, particularmente, uma das canções mais fortes do álbum – ela expande ainda mais sua paleta sonora. Uma homenagem clara para Jellybean Benitez e seu trabalho na década de 80 em algumas canções da Madonna. Nesta faixa, há uma fusão interessantíssima de violinos, cordas funky, linha de baixo, sintetizadores e xilofone. Seu ritmo e instrumentação acenam diretamente para a disco-music da década de 80, mas incorporando elementos contemporâneos o suficiente para manter-se refrescante. “Touche Me” aparece em uma versão diferente do que Avicii vinha apresentando em suas performances. Uma canção EDM suave que apresenta uma incrível progressão de piano, das quais o DJ já vinha mostrando em seus trabalhos anteriores. Além disso, temos a presença de uma doce linha de baixo, um forte sintetizador e batidas midtempo.

Mas talvez a verdadeira alma da música é o vocal feminino de influência gospel. As próximas faixas saltam de gênero para gênero, a começar pela balada folk “Ten More Days”. Uma inesperada canção delicada e um tanto quanto vulnerável: “Mais dez dias debaixo d’água / E eu já sei que vou ficar bem / Mais dez dias até tudo acabar / Até a escuridão ir embora / E eu vou ver a luz”. As guitarras folk de “Wake Me Up” reaparecem juntamente com teclado, loops de bateria e dubstep. “For a Better Day” é uma balada exuberante e contemporânea baseada em um som conhecido pelos fãs. Uma canção house e dance-pop com pandeiro, piano e vocais de Alex Ebert. Algumas palmas e pontapés programados também aparecem, enquanto a melodia é sua maior força. Ela possui uma leve sensação soulful e a escrita é melhor do que eu esperaria que fosse. “Broken Arrows” combina os vocais de Zac Brown – vocalista da banda Zac Brown Band – com um grande baixo e cintilantes linhas de sintetizador. Assim como “Hey Brother”, é uma canção EDM e dance-pop com fortes elementos de música country. A introdução apresenta um sintetizador analógico que imita perfeitamente o que uma guitarra country faria. A batida programada e o pandeiro soam como perfeitos tambores, enquanto os vocais robustos do Zac Brown lembram Kenny Rogers. Aqueles que acompanham Avicii desde o início de sua carreira, certamente irão sentir uma nostalgia quando ouvirem a introdução de “True Believer”. 

Uma canção onde Bergling se atreve a cantar, antes de Chris Martin entrar em cena e oferecer um suporte harmônico. Uma batida e um atmosférico sintetizador conduzem a música, antes do vocalista do Coldplay colocar uma distorcida voz para fora. Mas enquanto o pré-refrão é muito bom, a queda de texturas do sintetizador ofuscam os vocais. “True Believer” apresenta uma sonoridade dance tradicional e o sintetizador, por muitas vezes, lembra algo que o Prince & the Revolution utilizaram na década de 80. Uma construção lenta e longa demais, formada por amostras vocais picadas e tambores crocantes, abrem “City Lights”. Uma canção de house progressivo que estende-se por mais de 6 minutos de duração e incorpora agradáveis sintetizadores e vocais celestiais. Aqui, também há uma linha de baixo techno ressonante que muda através de acordes e remove o senso de urgência que sentimos na maioria das outras faixas. Em seguida, temos uma orquestra cheia de sintetizador, percussão, piano, bateria e vozes robóticas fazendo o serviço – uma compilação de sons revigorantes, embora estenda-se por uma longa duração. A estranhamente intitulada “Pure Grinding” foi lançada como terceiro single do álbum. Uma canção de funktronica com grande influência de trap que me surpreendeu da melhor forma possível. Os sintetizadores analógicos são excelentes, assim como as progressões de acordes parecem surpreendentes. Ela cai no território trap em grande parte do tempo, em vez de fazer um típico drop com sintetizadores pesados.

Isso dá um toque muito especial e distinto à ela. “Sunset Jesus” é definida por uma guitarra elétrica e conta com Gavin DeGraw nos vocais. Seu som é diferenciado, mas ainda é um house progressivo que não trai as raízes do Avicii. Basicamente, as letras descrevem uma figura de Jesus como um desabrigado em Los Angeles: “Pôr do sol Jesus, veio a mim / Ele já foi garçom, agora ele é um salvador / ganhando dinheiro na rua”. Musicalmente, tem alguns elementos jazzísticos complementados por uma harmônica melodia. Além disso, possui uma combinação poderosa de sintetizador, piano, guitarra elétrica e percussão acústica. É uma canção construída através de múltiplos instrumentos, em vez de apenas um mísero sintetizador ou linha de piano. “Can’t Catch Me”, por sua vez, contém um ritmo caribenho com a participação de Wyclef Jean. Uma pista com vibrações reggae que, apesar de divertida, carece de uma identidade musical consistente. Ela é guiada por uma guitarra acústica desajeitada e letras que conseguem, até certo ponto, impressionar. Mas uma canção que realmente chama atenção liricamente falando é “Somewhere in Stockholm”. Ela dá um retrato bastante desolado a respeito da terra natal do Avicii. Os tambores marchantes e o canto expandindo-se por cima funcionam adequadamente em conjunto. Não é uma canção inovadora, mas cumpre totalmente o seu objetivo. “Trouble” depende quase que exclusivamente de um som acústico – uma pausa bem-vinda após dez canções de domínio eletrônico.

Honestamente, ela me lembra um pouco “Wake Me Up”, graças a introdução e progressão de acordes familiar. Os tambores não são tão pulsantes quando a repartição de house progressivo de “Wake Me Up”, mas possuem uma sensação semelhante o suficiente para permitir comparações. Mas de qualquer maneira, mesmo que seja uma reminiscência, é uma música que se revela de forma distinta. “Me perdendo apenas para me encontrar novamente”, algumas linhas são inspiradores e atingem um núcleo bem sensível. A última faixa, “Gonna Love Ya”, é um emocionante tropical house com vocais filtrados em sua extremidade inferior. Além da variedade de técnicas vocais, ela possui tambores de aço e sintetizadores proeminentes. Resumidamente, “Stories” é um álbum cativante – um pouco básico, mas muito cativante. Embora explore outros gêneros, é um material muito fiel ao mercado EDM. Suas composições são um pouco estereotipadas e preguiçosas, para ser honesto. Se você estiver esperando encontrar um som totalmente novo e uma engenharia sonora inovadora, provavelmente irá se decepcionar. Por outro lado, se estiver a fim de ouvir algo dinâmico, divertido, estimulante e convidativo, “Stories” vai suprir suas expectativas. De modo geral, as histórias e produções do Avicii resultaram em um esforço artístico genuíno. Em suma, “Stories” tem clássicas faixas do DJ, como “Waiting for Love” e “Trouble”, canções soulful e mais suaves, como “Touch Me” e “For a Better Day”, e surpresas agradáveis, como “Talk to Myself” e “Ten More Days”.

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Favorite Tracks:

“Waiting for Love” / “Ten More Days” / “For a Better Day”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.