Resenha: Avenged Sevenfold – The Stage

Lançamento: 28/10/2016
Gênero: Metal Progressivo, Heavy Metal, Thrash Metal
Gravadora: Capitol Records
Produtores: Avenged Sevenfold e Joe Barresi.

O Avenged Sevenfold, formado por M. Shadows, Zacky Vengeance, Synyster Gates, Johnny Christ e Brooks Wackerman, é particularmente uma das minhas bandas favoritas. Muitas vezes descrita como uma banda de heavy metal, Avenged Sevenfold teve ambição para se tornar isso. Seu último álbum, “The Stage”, por exemplo, engloba isso perfeitamente bem. Esse novo álbum está repleto de temas líricos sombrios, arenosos e ambiciosos, algo que funciona para a banda. É um disco que ainda tem clara influência do passado do A7X, com uma certa arrogância e partículas de hard-rock. O som é vagamente thrash em algumas faixas, mas com uma atmosfera e atitude completamente reformuladas. Musicalmente, é um dos lançamentos mais diversos da banda. Ainda existem baladas obrigatórias dentro do repertório, mas é através da instrumentação que a banda superou alguns limites. Em alguns momentos, A7X incorpora seções de trompas que trabalham em conjunto com as guitarras, a fim de criar uma grande natureza atmosférica.

Enquanto isso, alguns riffs quase flamenco foram usados em outros lugares ao lado de solos de guitarra. Isso tudo reforçou as amplas influências musicais que a banda não tem medo de explorar. Ademais, “The Stage” é uma declaração ousada que mostra um crescimento oportuno para o Avenged Sevenfold. Eu sempre considerei a banda uma das mais importantes do metal moderno, mesmo com todos os seus contratempos. Esse álbum, portanto, nada mais é do que uma declaração clara de que eles querem permanecer nesse cenário. A faixa-título, “The Stage”, com mais de 8 minutos de duração, possui uma introdução cinematográfica de órgãos sintetizados que se curva através de uma obscuridade. Enquanto isso, Synyster Gates entra em ação com uma melodia bem repetitiva. Essa música apresenta um gancho similar ao da faixa-título do álbum anterior, “Hail to the King”, mas essas semelhanças param por aqui. A segunda canção, “Paradigm”, é certamente mais rápida do que a faixa de abertura.

Aqui, temos quase um minuto de guitarra traçando seu caminho melodicamente e um refrão mais impetuoso. A ponte, sem dúvida, enfatiza todas as habilidades da guitarra sobre-humana de Gates. Em seguida, “Sunny Disposition” apresenta uma introdução sólida na guitarra, enquanto os tambores e baixo ancoram o ritmo perfeitamente. Com essa introdução agressiva, o ritmo certamente se recusa a vacilar. A inclusão de trompas é agradavelmente surpreendente, pois age como uma força extra. Da mesma forma, há um gravidade subjacente nos gritos e sussurros assustadores de M. Shadows, que diz: “Compramos paz através de guerras / Que condenaram nossas crianças a morte”. O início da próxima faixa, “God Damn”, nos impressiona de uma forma boa, uma vez que é mais orientada para a bateria. Isso acaba nos permitindo testemunhar a real extensão das habilidades de Brooks Wackerman. A canção ainda apresenta grandes contrastes entre as pausas mais silenciosas, pesados tambores e altos vocais.

Além disso, “God Damn” é uma verdadeira montanha-russa de thrash metal. Os versos arrepiantes competem lado a lado com o solo sintetizado e um pouco de guitarra flamenca. “Creating God”, a música mais pesada do álbum, fornece uma batida pulsante e uma mudança para o som que os fãs já estão acostumados. Contém um refrão chocante, além de uma ótima exibição vocal de Shadows. Liricamente, “The Stage” é, provavelmente, o disco mais grave do Avenged Sevenfold. É mais profundo do que qualquer coisa que ouvimos da banda antes. “Creating God”, em particular, é eficaz em mostrar o quão bons eles são. Musicalmente é menos impressionante do que a maioria das faixas do álbum, entretanto, é liricamente poderosa. Um ritmo mais lento segue com “Angels” e fornece uma pausa bem-vinda da agressão das faixas anteriores. Aqui, os vocais de Shadows e o trabalho de guitarra de Gates complementam-se muito bem. A elegância instrumental dessa canção é, sem dúvida, a sua graça salvadora.

“Simulation” é outro ponto alto do repertório, pois é um caldeirão de ritmos instrumentais. Apresenta um thrash metal feroz com violão e uma boa dose de bateria. “Simulation” assume um estilo completamente diferente das outras canções, com explosões momentâneas e uma combinação interessante de gêneros. Enquanto isso, “Higher” tem uma capacidade de crescer, mesmo não sendo um destaque óbvio. As letras e o piano de acompanhamento precedem versos chocantes, conduzidos pela guitarra e um refrão satisfatório. Algumas canções mais tarde e chegamos em uma balada usual, intitulada “Roman Sky”. Com referências a Nero brincando enquanto Roma queimava, essa faixa apresenta um backing de cordas e mostra todas habilidades vocais de M. Shadows. A combinação de sua voz com as cordas é nada menos do que impressionante. Esta canção é incrível, para se dizer o mínimo, e demonstra o verdadeiro talento musical da banda. Com 15 minutos e meio de duração, “Exist” é de fato a música mais longa do Avenged Sevenfold. É uma música que nos leva para uma viagem de duas partes.

Com uma explosiva abertura instrumental, os primeiros 10 minutos deixam os vocais de lado e apresenta alguns riffs orquestralmente pungentes. O seu final é, certamente, a qualidade redentora mostrada aqui. O propósito de todo o álbum é resumido aqui através de riffs edificantes e vocais melódicos. Com esse registro o A7X não perdeu o seu toque e ainda permanece como uma das bandas mais talentosas do metal. “The Stage” é possivelmente o mais consistente álbum que eles já lançaram até à data. Mesmo que ele não reúna clássicos como “Beast and the Harlot” ou “Bat Country”, agarra o ouvinte com facilidade. Sem dúvida, a banda criou esse álbum sob muita ambição, consequentemente, merecem ser louvados por isso. Como sugerido por seu repertório, “The Stage” possui uma escuridão definitiva e um senso de ironia. É menos emocionante do que, digamos, “City of Evil”, mas não de qualidade inferior ao mesmo. É um projeto que mostra o quanto o Avenged Sevenfold evoluiu durante os últimos anos. Com 73 minutos de duração, é o seu álbum mais longo até a presenta data. E, enquanto cada canção é de um padrão elevado, você envolve-se facilmente com cada uma delas.

Favorite Tracks: “Paradigm”, “Sunny Disposition” e “Creating God”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.