Resenha: Ashley Roberts – Butterfly Effect

Lançamento: 01/09/2014
Gênero: Pop, Eletropop
Gravadora: Metropolis London Music
Produtores: Red Triangle, The Elev3n, Charlie Holmes, The Invaders, Dan Vinci, Holter/Erixson, Frankmusik e Luke Armitage.

Ashley Roberts é conhecida por ter feito parte do grupo feminino Pussycat Dolls, grupo fundado pela coreógrafa Robin Antin que foi dissolvido em 2010. No Reino Unido, ela também é muito conhecida por suas participações em reality shows, como I’m a Celebrity… Get Me Out of Here! e Dancing On Ice. A cantora e dançarina, nascida em Phoenix, Arizona, começou a dançar muito cedo, desde os três anos de idade. Estudou no Shadow Mountain High School e começou a cantar aos oito. Seu pai era baterista da banda The Mamas & The Papas que, mais tarde, tornou-se um negociante de carro. Ela entrou para o grupo Pussycat Dolls em 2003, ainda na formação original da girband. Junto de Nicole Scherzinger, Melody Thornton, Carmit Bachar, Jessica Sutta e Kimberly Wyatt, Roberts assinou um contrato com a Interscope Records. As Pussycat Dolls fizeram um enorme sucesso e possuem grandes hits em seu currículo, tais como “Don’t Cha”, “Buttons”, “Stickwitu”, “When I Grow Up” e “I Hate This Part”.

No entanto, apesar de todo o sucesso comercial, o grupo foi atormentado por conflitos internos devido à ênfase exagerada na líder Nicole Scherzinger. Esses conflitos culminaram no fim do grupo, com Ashley Roberts anunciando a sua saída através de uma mensagem em seu site oficial: “Sim, eu deixei as Pussycat Dolls. Eu amo muito todos vocês! Eu sou tão grata por ter o amor e apoio de todos vocês. Foi um passeio incrível e eu aprendi muito! Vocês significam o mundo para mim e eu estou animada para levá-lo em uma nova aventura. Uma aventura cheia de criatividade, inspiração, aprendizado, crescimento e muita diversão”. Em 2010, sete anos após a formação do grupo, Roberts lançou o seu primeiro single solo, “A Summer Place”. Em 2012, ela lançou mais dois singles: a música promocional “Yesterday” e uma canção para download digital intitulada “All in a Day”. Em 2013, seguindo o grande impacto provocado sobre o público da Inglaterra, durante a sua participação no reality show I’m a Celebrity… Get Me Out of Here!, Roberts começou a trabalhar em seu álbum de estréia no Reino Unido.

“Butterfly Effect” é o título do seu primeiro trabalho solo, lançado através da gravadora Metropolis London em 01 de setembro de 2014. O álbum foi precedido pelo lançamento de dois singles oficiais: “Clockwork” e “Woman Up”. Sua criação foi realizada com ajuda de oito produtores, entre eles Red Triangle, que já trabalhou para diversos artistas britânicos, e Frankmusik, que já remixou canções de Amy Winehouse, Daft Punk, Lady Gaga, Pet Shop Boys e Nelly Furtado. Finalizado em junho de 2014 e composto de 10 faixas, “Butterfly Effect” é um material eclético que serviu como uma boa introdução para sua carreira como solista. A faixa de abertura e single de estreia, “Clockwork”, por exemplo, é uma canção que prova de uma vez por todas que Ashley Roberts pode cantar e oferecer uma música pop com um significado sincero. Mas, embora seja uma boa música e tenha um refrão cativante, pecou pela posição na tracklist, pois é lenta demais para ser a faixa de abertura de um registro totalmente pop.

Ashley Roberts

“Woman Up”, faixa que apresenta uma mensagem de empoderamento feminino por trás, é a melhor coisa encontrada por aqui. Uma canção pop decente o suficiente, que fornece uma cativante batida movida à base de trombetas. “Lonely Nights”, faixa seguinte, é outra canção pop cativante. Aparentemente, foi inspirada em trabalhos de Gwen Stefani, porém, também parece uma reminiscência de “Stars Are Blind” de Paris Hilton. Sua letra é quase uma carta aberta para um amante em potencial. Em “All In a Day”, quarta faixa, ela tentou algo mais experimental e atmosférico, entretanto, não funcionou como o esperado. Pisa no território grunge, mas, pode-se dizer, que é a faixa mais descartável do álbum. A áspera “Ride or Die” também traz algo mais experimental, porém, melhor elaborado e juntamente de um refrão restaurador e insanamente empolgante. Enquanto isso, “My Song” muda o ritmo e abre a segunda metade do registro. Uma faixa poderosa que consegue alcançar um clímax interessante e trazer uma clara influência musical dos anos 1990. É aquele tipo de música que grita para ser single, mais do que qualquer outra coisa no álbum.

“Midas Touch”, por sua vez, é uma faixa dance de influência trap, que fornece um ritmo suave, cadenciado e que consegue demonstrar uma certa versatilidade de Ashley Roberts. Por outro lado, em “Wild Heart”, a cantora desliza ao apresentar uma faixa mid-tempo bem decepcionante. Essa pista poderia até se encaixar melhor se tivesse sido colocada em outro lugar na tracklist, visto que seu tema é parecido com o das primeiras faixas. Felizmente, logo em seguida, temos a eufórica “Standing In the Rain”, uma exuberante balada onde você realmente pode notar que Roberts é uma cantora talentosa. “Face of Love”, faixa de encerramento, é uma canção suave e bem crua que mostra mais dos seus vocais. No entanto, não possui um clímax poderoso que a faça ser realmente considerada uma ótima música. Por causa disso, a mesma chega a soar como uma cópia de “Clockwork”. No decorrer do álbum você encontra Ashley Roberts ecoando sobre letras que são muito relacionáveis, especialmente, para as mulheres. Porém, em sua maior parte, o álbum é construído sobre a ideia de relacionamentos e, infelizmente, muitas das canções de amor abusa de um lirismo clichê.

Considerando que a maior parte do álbum é composto por baladas, canções mais lentas, não podemos dizer que é um trabalho demasiadamente ruim para um material de estreia. “Butterfly Effect” consegue ser cativante em certos pontos, porém, as músicas não aparentam ser fortes o suficiente para fazer o álbum obter um grande alcance e bom êxito comercial. Ao ouvir o disco várias vezes, você fica com a impressão de que ele não tem um ápice ou algo realmente impactante. As baladas, que são mais como canções tristes de amor, não são realmente algo que provoca um grande interesse no ouvinte a ponto de deixá-lo conectado com a cantora. Roberts possui um charme único, mas, provavelmente, o estigma de ter se separado das Pussycat Dolls vai sempre perseguir sua carreira musical. Algo que definitivamente não é bom, pois, de certa forma, atrapalha o seu brilho em carreira solo. Porque, afinal, ela não teve uma chance real de mostrar o seu talento como vocalista quando trabalhava em grupo. Em última análise, digo que o álbum é divertido, mas que, dificilmente, irá abrir portas para Ashley Roberts crescer como artista.

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Favorite Tracks: “Clockwork”, “Woman Up”, “Ride Or Die”, “My Song” e “Standing In the Rain”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.