Resenha: Ariana Grande – My Everything

Lançamento: 22/08/2014
Gênero: Pop, R&B
Gravadora: Republic Records
Produtores: Scott “Scooter” Braun, Wendy Goldstein, Ariana Grande, Max Martin, Tommy Brown, Ilya Salmanzadeh, Shellback, Peter Carlsson, Rami Yacoub, Girogio Tuinfort, Savan Kotecha, Ryan Tedder, Benny Blanco, Noel Zancanella, Zedd, Key Wane, Cashmere Cat, Andrew “Pop” Wansel, Warren “Oak” Felder, Ali Payami, Peter Svensson, J. Carlsson, Darkchild, Paul “Hotsauce” Dawson e McCants.

A cantora e atriz Ariana Grande lançou em agosto de 2014 o seu segundo álbum de estúdio, “My Everything”, exatamente um ano depois de lançar o “Yours Truly” (2013). A atriz da série Victorious, da Nicklodeon, é bastante comparada a Mariah Carey por causa do amplo alcance vocal e de seu repertório musical. A versão deluxe conta com quinze faixas e produções de Max Martin, Shellback, Benny Blanco, Darkchild, Tommy Brown e Zedd. O álbum contém participações de Iggy Azalea, Big Sean, Cashmere Cat, Childish Gambino, The Weeknd e A$AP Ferg. Após o seu lançamento, o álbum estreou no topo da Billboard 200, ao vender 169 mil cópias na primeira semana. Ariana Grande descreveu o “My Everything” como “uma evolução” se comparado ao seu álbum de estréia, por explorar outros temas e gêneros mais maduros. Ela realmente expandiu a sua uma marca como artista e inseriu outros gêneros em seu repertório, mas mantendo a sua maior arma: o forte e notável vocal. “My Everything” é um projeto menos coeso que o “Yours Truly”, entretanto, contém canções tão fortes quanto. É um registro que trata de assuntos do coração, tudo por aqui é sobre o amor e confiança. Musicalmente, o som é menos inspirado no R&B da década de 90 e com mais elementos de outros gêneros, como o eletropop e dance-pop.

Parece que sua música está tomando um rumo potencialmente questionável, mas não há dúvidas que Grande tem uma equipe inteligente por trás. Ela poderia ter jogado pelo lado seguro e confortável, mas em vez disso optou por experimentar outras sonoridades. O seu principal cartão de visitas, a sua voz, funcionou como uma verdadeira arma no álbum. Em meio a produção de todas as baladas, sua bela voz ainda consegue ser uma peça central. Ou seja, o que mostra a credibilidade do “My Everything”, de forma imediata, é o seu talento vocal. Ela consegue atingir, sem problemas, notas que vão além do falsete, fazendo muitos a batizarem como a herdeira do trono de Mariah Carey. Mesmo que em menor proporção, ela ainda permaneceu ancorada em ritmos noventista. Portanto, é difícil negar sua inspiração em Carey, embora raramente se entregue aos melismas, uma especialidade de sua ídola. Atualmente com 21 anos, Grande mostra que cresceu de forma confiante e inteligente o suficiente para bater de frente com várias divas pop da atualidade. Talvez Ariana Grande não incorpore em suas interpretações um aspecto de diva, mas sem dúvida funciona fazendo música pop.

O disco abre com uma “Intro” de 80 segundos, onde todos já podem perceber o quanto sua voz é maravilhosa. Logo depois, temos a faixa “Problem”, com a rapper Iggy Azalea, que foi lançada como primeiro single do álbum. Uma canção dance-pop e R&B extremamente cativante, que mistura um som dos anos 90, com tendências urbanas atuais e uma dose perfeita de saxofone. Foi um verdadeiro hit, atingiu a #2 posição da Billboard Hot 100 e vendeu mais de 3 milhões de cópias digitais nos Estados Unidos. Produzida por Max Martin e Shellback, a música traz versos dinâmicos e ainda apresenta um pré-refrão que permite Grande mostrar o seu ótimo alcance vocal. “One Last Time”, por sua vez, é um dance-pop onde a cantora consegue transmitir sua maturidade e ambição recém-descoberta. “Eu sei que não mereço / Mas fique comigo por um minuto / Eu juro que farei valer a pena”, ela demonstra sentimentos de culpa, mas o refrão deixa isso de lado e traz esperança com auxílio da bateria e uma linha de sintetizador. A terceira faixa, “Why Try”, foi co-escrita e co-produzida por Ryan Tedder, uma balada ousada e emocionante, que mostra o grande vocal da cantora em um tom mais adulto. Ela consegue introduzir elementos credíveis ao repertório, com versos melancólicos, um ótimo refrão e várias ganchos emotivos.

O segundo single, “Break Free”, teve produção do DJ alemão Zedd e mostra, mais uma vez, ótimos vocais de Ariana Grande numa música EDM e eletro-house perfeita para o verão. Está entre as melhores faixas do registro, uma apaixonada música dançante feita com estilo e classe. No refrão, Ariana Grande canta: “Essa é a parte em que me liberto”, enquanto Zedd acumula e joga sintetizadores abaixo de sua voz. O rapper Big Sean, que já havia trabalhado com Ariana em “Right There”, colabora novamente com ela em “Best Mistake”. É uma balada de R&B temperamental que passa um pouco despercebida, mesmo possuindo uma boa produção, acordes hesitantes de piano e batidas minimalistas. “Be My Baby”, em colaboração com Cashmere Cat, é uma faixa sólida com um início muito atraente, mas que parece não decolar. É cravada com ritmos complicados de soul e hip-hop, que adicionam uma boa textura e complementa o vocal de Ariana Grande. “Break Your Heart Right Back”, com participação de Childish Gambino, é uma das minhas favoritas do disco e traz um cativante refrão. Ariana Grande soa bem confortável nessa canção, onde ela disse ser sobre um ex-namorado que ela acredita que a traiu com um homem.

“Love Me Harder” é uma sensual colaboração com The Weeknd, onde mostra a voz de Ariana Grande numa configuração muito eficaz. É um número synthpop e R&B mais escuro com muitos duplos sentidos e insinuações em sua letra. O riff de guitarra que conduz o refrão é incrível e a presença de The Weeknd funcionou muito bem, encaixando-se perfeitamente ao clima da música. A próxima faixa é “Just a Little Bit of Your Heart”, uma linda balada de coração partido que demonstra a capacidade da cantora para emocionar. Foi co-escrita por Harry Styles do One Direction e, além do bom refrão, contém algumas notas espetacularmente altas. Produzida por Darkchild, “Hands on Me” é uma das músicas mais sexy, mesmo possuindo um verso chato de A$AP Ferg. Na letra encontramos a cantora clamando por atenção sexual, enquanto o rapper faz o seu caminho através de versos pervertidos. A faixa-título, “My Everything”, por sua vez, é uma balada no piano com um tom mais sombrio. A versão deluxe ainda possui mais três faixas: “Bang Bang”, em colaboração com Jessie J e Nicki Minaj, “Only 1” e “You Don’t Know Me”. Essa última é maravilhosa, cheia de versos em falsete e, certamente, merecia estar na versão padrão.

Em um contexto geral, o álbum é bem agradável e traz um excelente repertório de R&B e pop. Ariana Grande possui uma grande e distinta voz e, apesar de algumas deficiências, o álbum é provocante, crescido e prazeroso de se ouvir. A única coisa que sua voz ainda carece, em certos momentos, é de um pouco mais de profundidade e variedade, mas isso pode vir com o tempo. Algo curioso sobre o “My Everything” é que todas as músicas possuem mais de um produtor, “One Last Time”, por exemplo, tem cinco. E nenhuma delas tem menos de três compositores, com “Break Your Heart Right Back” possuindo seis no total. Esse excesso de pessoas por trás da criação do registro pode ser bom para conquistar uma maior quota no mercado e outras plataformas, entretanto, também pode causar uma falta de coesão entre as músicas. Enfim, podemos classificar Ariana Grande como algo entre Mariah Carey e Christina Aguilera, ela já é um ídolo teen de grande força e, graças ao lançamento desse novo trabalho, esteve em bastante evidência durante 2014. Parece que não há limites para onde ela pode ir a partir daqui, portante, vamos aguardar ansiosamente pelo seu próximo material.

Favorite Tracks: “Problem (feat. Iggy Azalea)”, “One Last Time” e “Break Free (feat. Zedd)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Thalles Cerqueira

    Ariana não me desperta qualquer curiosidade. Não gosto do timbre trilha sonora de filmes disney e nem da atitude de diva da menina (que ainda esta longe de ser uma). Mais uma artista teen comum e irritante que se muniu de um bom time em um mercado necessitado de novidades.
    Precisa procurar um fonoaudiólogo urgentemente. Com exceção das versões em estúdio, aqueles que não sabem as letras de suas músicas de cor (como eu) só conseguem entender a pronúncia de palavrar gritadas, quando a menina estica o pescoço e olha pro alto na tentativa de soar menos fanha. De resto só ouço gemidos e pra isso existem os pornos.

    • Leo

      No início ela não me despertava interesse, só depois de ‘Problem’ que eu comecei a dar atenção à ela.

      haha é estranho ver ela usando essa atitude de diva, porque ela parece uma adolescente! (tem rosto e corpo de uma garotinha).

      Eu gostei do ‘My Everything’, mas pra ser sincero não gosto das performances live dela! Ela é afinada e tals, mas realmente o seu timbre não é tão bonito.

  • Luiz

    esqueceu de falar sobre a musica My Everything feita para o avô dela

    • Leo

      Oi Luiz! Eu mencionei ela brevemente, logo depois que falei sobre a música “Hands on Me”. 🙂