Resenha: Ariana Grande – Dangerous Woman

Lançamento: 20/05/2016
Gênero: Pop, R&B
Gravadora: Republic Records
Produtores: Ariana Grande, Max Martin, Savan Kotecha, Tommy Brown, Ilya Salmanzadeh, Johan Carlsson, Twice as Nice, Steven Franks, Peter Svensson e Billboard.

Em 2013, com o disco “Yours Truly”, Ariana Grande fez uma transição bem sucedida de estrela de comédia teen para uma cantora respeitável. Musicalmente, nesta fase de sua carreira, ela está no seu melhor momento. Dois anos depois de “My Everything”, disco que lhe colocou nos holofotes da música mainstream, Grande sentiu-se confortável para lançar seu terceiro álbum de estúdio. Intitulado “Dangerous Woman”, o disco foi divulgado em 20 de maio de 2016 pela Republic Records. Ele conta com 11 faixas na versão padrão e participações de Nicki Minaj, Lil Wayne, Macy Gray e Future. Originalmente intitulado “Moonlight”, é um álbum pop e R&B, com influências de dance-pop e house. Liricamente, a cantora fala sobre amor, sexo, arrependimentos e relacionamentos, de uma forma mais madura que nos álbuns anteriores. Grande serviu como produtora executiva do álbum, ao lado de nomes como Max Martin, Ilya Salmanzadeh, Savan Kotecha e Peter Svensson.

Ariana Grande pode ter sido prematuramente comparada com Mariah Carey, entretanto, não dá para negar que ela é muito talentosa. Seu grande alcance vocal, frequente uso do registro mais superior, como os apitos e notas agudas, e o excesso de confiança nos melismas, permitiram essas comparações. “Dangerous Woman” é outra forte evidência do seu talento como vocalista, pois é embalado por um som refinado, uma produção inteligente e vocais perfeitos. Esse álbum, apesar de não focar em um úncio gênero, lançou bases para Grande crescer como artista. Agora, com 23 anos, ela é uma mulher madura e, como o título sugere, também perigosa. Após a ligeira falha de promoção com “Focus”, Grande trouxe um álbum que substitui sua inocente imagem por algo mais sensual e confiante. É um disco que mostra sua capacidade para tecer sobre diferentes gêneros musicais, sem perder qualquer coesão.

A primeira canção do álbum é “Moonlight”, a antiga faixa-título. Instantaneamente, ela nos faz lembrar de “Honeymoon Avenue” do álbum “Yours Truly”, graças ao seu tom delicado e encantador. É uma das faixas mais suaves, elegantes e românticas do repertório. Possui uma vibração doo-wop, cordas delicadas, seção de violinos, harpas e belíssimos vocais. Essa canção encaixa-se no álbum como uma ponte entre os discos “My Everything” e o “Dangerous Woman”. Liricamente, define alguns sentimentos que vêm com o primeiro amor. A produção proporciona o cenário ideal para a performance vocal apaixonada de Ariana Grande. A faixa-título, “Dangerous Woman”, foi lançada como primeiro single do álbum em março de 2016. Essa música define o tom para o restante do registro, conforme apresenta a nova imagem de Ariana Grande. Produzida por Max Martin, é uma canção mid-tempo pop e R&B, com um sensual solo de guitarra na ponte. Em sua letra, a cantora mostra emponderamento, honestidade e confiança, sobre não ter medo de ser ela mesma. 

“Algo em você / Faz eu me sentir uma mulher perigosa / Algo em você, algo em você, algo em você / Me leva a fazer coisas que eu não deveria”, ela canta no refrão. É uma música louvável, guiada por um desempenho vocal sedutor e uma agradável linha de guitarra elétrica. Lançada como single promocional, “Be Alright” é uma canção deep-house bem descontraída e contagiante. Também mantém influências no R&B, dance-pop e house, sob uma produção minimalista, notas de xilofone, batidas saltitantes e vocais sussurrados. É uma música bem sutil e aprazível, onde Ariana Grande mostra um estado mais amadurecido de sua euforia. Em seu conteúdo lírico, encontramos a cantora despreocupada e otimista. Durante o primeiro verso ela canta: “Mas a luz do dia está tão perto / Portanto, não se preocupe com nada”. Ela está bastante confiante sobre um relacionamento e tenta tranquilizar seu amante durante o refrão: “Querido, você só precisa se decidir / Que tudo vai ficar bem”.

Ariana Grande

A quarta faixa do álbum é “Into You”, canção produzida por Max Martin e Ilya Salmanzadeh. Uma música dance-pop, com fortes elementos EDM, que salta em cima de poderosas batidas e pulsantes sintetizadores. É um número vintage, sensual e com letras bem sugestivas. Ariana Grande atinge outro nível com esta faixa, um single que simplesmente funciona. Aqui, ela emite uma confiança e sensualidade sem precedentes. Liricamente, ela se apresenta de forma sexy, a fim de chamar atenção de um garoto. “Estou muito a fim de você, mal consigo respirar”, ela canta inicialmente. A música começa calma, no entanto, com a chegada do estrondoso refrão, transforma-se completamente. “Menos conversa e um pouco mais de toques ao meu corpo / Pois estou muito a fim de você, a fim de você, a fim de você”, ela canta no refrão. Curiosamente, essa parte da música parece fazer referências à “A Little Less Conversation” (Elvis Presley) e “Touch My Body” (Mariah Carey).

“Into You” é apaixonante e mostra uma boa parcela da sensualidade que você pode encontrar aqui no álbum. Ariana canaliza uma confiança preenchida por prazer e necessidade. Ademais, há uma quantidade certeira de EDM no refrão, algo que o torna matador e, igualmente, cativante. Em “Side to Side” temos a primeira colaboração do álbum, a rapper Nicki Minaj. Uma cativante canção tingida de reggae, que canaliza as influências caribenhas de Ariana Grande. É uma música bem hipnótica e envolvente, que serve para mostrar o quanto a cantora está experimentando novos sons. Aqui, aparentemente, Grande tenta esconder uma relação passional com um garoto rebelde. Os vocais estão no ponto e a letra é um tanto quanto sugestiva: “Eu estive aqui toda a noite / Eu estive aqui o dia todo / E garoto, você me deixou querendo mais / Querendo mais”. “Let Me Love You”, com o rapper Lil Wayne, surge através de uma vibração slow jam e produção sedutora.

É uma canção escura, abafada, lenta e sexy, com algumas batidas trap em sua composição. Ariana Grande conta que acabou de terminar com um garoto, e agora está à procura de um novo amor: “Acabei de terminar com meu ex-namorado / Agora estou aqui solteira, não sei o que acontece agora / Mas nem estou preocupada, vou ficar na boa e relaxar / E eu sei que eles virão”. Aparentemente recuperada do seu rompimento, ela está dedicada a ficar com o próximo cara que chamar sua atenção. Com o apoio de uma batida sedutora, acordes de piano, baixo profundo e lenta progressão, Grande mostra mais dos seus vocais sussurrados. Mesmo sendo um recurso desnecessário, Lil Wayne combinou com a atmosfera da canção. A sétima faixa, “Greedy”, é excepcionalmente cativante e uma das melhores do álbum. Um número disco-pop brilhante, com inspiração funky e jazz, e um sulco incrivelmente contagiante.

Ariana Grande

É uma combinação sólida de novos e antigos sons, com um dos melhores momentos vocais do álbum. O seu alcance vocal está impressionante e atinge notas altas de forma muito efetiva, mesmo com as mudanças de tempo inesperadas. É uma canção up-tempo potencializada por uma excelente batida, um baixo intenso e instrumentos de metais. Aqui, Ariana está obcecada pelo amor de um garoto, querendo mais e mais dele. “Eu não estou falando de dinheiro / Eu só sou fisicamente obcecada / E eu sou gananciosa / Você sabe que eu sou gananciosa por amor”, ela canta. A colaboração entre Ariana Grande e Macy Gray, em “Leave Me Lonely”, pode ter sido algo inesperado, mas, suas vozes funcionam surpreendentemente bem juntas. É uma bela e sensual canção, sobre a solidão e os perigos do amor. É um tema maduro que foi recém-descoberto por Ariana Grande. Com seu tom rouco e completamente sexy, Macy Gray abre a canção, cantando: “Amor perigoso / Você não é bom pra mim, querido”.

Sua contribuição soulful é um dos principais destaques da faixa. Uma balada simplista e obscura, com uma produção inspirada na década de 60. Mais tarde, Grande canta corajosamente: “Então, quando você sair por aquela porta / Não volte nunca mais”. Apesar de ser repetitiva e sem qualquer complexidade lírica, “Everyday” é uma das faixas mais viciantes do álbum. A sua progressão realmente lhe permite brilhar, pois possui um grande charme. A música em si acaba sendo mais explícita e sexual do que deveria. Future fornece um verso de rap e injeta um tom agressivo durante o repetitivo refrão. Aqui, a propósito, temos uma cativante batida trap no meio do caminho. “Toda vez que estou sozinha / Não consigo evitar de pensar em você”, Grande canta na primeira linha. A melodia é incrivelmente fabulosa e potencializa ainda mais a música. A produção está dividida entre o pop, R&B e hip-hop, com sintetizadores e fortes batidas a impulsionando.

O refrão é sem dúvida a parte que provavelmente vai ficar presa em sua cabeça. Os vocais em falsete de Ariana, por sua vez, mantém uma vibração familiar, embora seja diferente das outras faixas. A décima faixa, “Bad Decisions”, é outra extremamente cativante. Uma oferta bem sólida, que tenta resumir toda a premissa do álbum. É uma faixa de R&B e hip-hop, com vibrações que lembram o disco “My Everything”. As letras são bem atrevidas, onde Grande canta sobre suas más decisões. Além das batidas em potencial, alguns licks de guitarra auxiliam a cantora. Um dos seus principais pontos positivos é a letra e o fluxo lírico. Aqui, encontramos linhas como: “Já viu uma princesa se tornar uma vadia má?”. Não é uma música com apelo para single, entretanto, deve se tornar uma das preferidas dos fãs. A última faixa é “Thinking Bout You”, uma balada suave e arejada, com uma natureza sensível. Ela permite Ariana Grande mostrar mais dos seus vocais, conforme o álbum chega no seu fim.

É um número melancólico, porém, ao mesmo tempo, belo e eufórico. “Oh, eu não tenho você aqui comigo / Mas ao menos te tenho nas minhas lembranças”, ela anseia no primeiro verso. “Dangerous Woman” exibe uma versatilidade de Ariana Grande por vários gêneros, conforme ela flerta elegantemente com o soul, reggae, funky, disco, house e jazz. Com este disco, a cantora nos deu a oportunidade de conhecer o seu lado mais sensual, maduro e honesto. Se tem alguma coisa que podemos notar em “Dangerous Woman”, é que Ariana Grande está crescendo como artista. Ela é uma das melhores vocalistas do momento e sabe como usar o seu dom vocal. Aparentemente, ela trabalhou para melhorar sua dicção e a forma como canta, uma vez que está ainda mais agradável. “Dangerous Woman” pode ter sofrido alguns contratempos durante seus estágios iniciais, visto que “Focus” não está na tracklist. Mas, felizmente, Ariana Grande e seus produtores reuniram uma coleção bem consistente e, consequentemente, algumas das melhores músicas de sua carreira.

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Favorite Tracks: “Dangerous Woman”, “Into You”, “Greedy”, “Leave Me Lonely (feat. Macy Gray)” e “Everyday (feat. Future)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Jefferson Vinicius

    faz do 7/27

    • Leo

      Irei postar nesse final de semana!